Colômbia - Jhon Arias
Futebol Copa do Mundo

Colômbia controla Gana, avança às oitavas e confirma força coletiva na Copa do Mundo; Confira as principais impressões do jogo

A seleção da Colômbia conquistou a classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo. Em partida disputada no Arrowhead Stadium, em Kansas City, os colombianos derrotaram Gana por 1 a 0, com gol de Jhon Arias, e garantiram a classificação na fase de 16 avos de final. A vitória magra cumpre o objetivo de manter os sul-americanos vivos na disputa, mas o andamento dos 90 minutos deixou lições claras sobre o comportamento das duas seleções.

Mais do que a festa pela vaga para as oitavas de final, onde enfrentará a Suíça, no BC Place, Vancouver, no terça-feira (07/07), o confronto serviu para consolidar o controle da equipe comandada por Néstor Lorenzo. A Colômbia foi dona do meio-campo, ditou o ritmo da partida e praticamente não sofreu riscos defensivos. Por outro lado, o duelo também expôs velhos vícios de definição que acompanham o time desde a fase de grupos.

A seguir, quatro impressões que ficaram da classificação colombiana em solo norte-americano.

O gol no início do jogo destruiu a estratégia de Gana

O plano de jogo traçado pelo técnico Carlos Queiroz para a seleção de Gana ruiu antes mesmo que sua equipe pudesse se adaptar em campo. Conhecida por uma postura rigorosamente defensiva, atuando em um bloco baixo compacto e apostando todas as suas fichas nas transições ofensivas velozes, Gana viu sua cartilha ser queimada aos 13 minutos do primeiro tempo. Luis Suárez, que tinha menos de sete minutos em campo, avançou com a bola pela linha de fundo e efetuou um cruzamento preciso para Jhon Arias abrir o placar.

Sofrer um gol tão cedo é o pior cenário possível para uma equipe reativa. O gol da Colômbia minou toda a estratégia de contra-ataque ganesa, obrigando um time montado para destruir jogadas a ter que criar. Apesar do gol sofrido, o time manteve o bloco baixo por muito tempo e não oferecia nenhuma pressão na saída de bola da Colômbia, um comportamento como se estivesse em vantagem ou com o empate garantido. Mesmo atuando com a defesa recuada, a Colômbia conseguiu encontrar brechas no sistema ganês e teve as melhores chances do jogo.

Gustavo Puerta é uma das gratas surpresas da Copa do Mundo

Um dos grandes motivos da boa partida da Colômbia passa diretamente pelos pés de Gustavo Puerta. O jovem foi o cérebro da seleção colombiana, se consolidando como um dos maiores destaques individuais desta edição de Copa do Mundo. Puerta clareou o meio-campo e distribuiu o jogo com passes que quebravam as linhas ganesas.

Além de ditar a velocidade da transição ofensiva com muita lucidez, o volante foi bem na fase defensiva, somando recuperações de bola, interceptações e duelos ganhos. A facilidade com que Puerta dita o ritmo do jogo dá à Colômbia uma estabilidade dentro de campo.

O crônico desperdício de ataques promissores da Colômbia

Apesar do domínio absoluto e do controle da posse de bola, a Colômbia deixou o gramado com uma problema que ocorre desde a fase de grupos. A equipe continua desperdiçando um grande volume de ataques promissores. Essa falta de refino no último terço do campo já haviam aparecido na primeira fase da Copa do Mundo, porém, em jogos de mata-mata pode fazer falta. e ganharam contornos dramáticos em Kansas City. Os comandados de Néstor Lorenzo pecaram tanto na leitura tática e foram pegos em posições irregulares em duas vezes na partida, sendo uma o gol anulado de Luis Díaz.

Quando conseguiam quebrar a marcação e concluir as jogadas, os atacantes colombianos pecavam na pontaria, chutando para fora ou com boas (e outras nem tanto) defesas do goleiro Zigi.

Gana sofreu com a incapacidade de propor o jogo

Na volta para o segundo tempo, a seleção de Carlos Queiroz tentou adotar uma postura diferente e adiantou suas linhas na tentativa de buscar o empate. No entanto, a mudança de postura esbarrou não surtiu efeito. Com a total falta de hábito e repertório para propor o jogo, sem conseguir articular jogadas trabalhadas de pé em pé, a Gana teve enormes dificuldades para encontrar brechas na sólida organização defensiva da Colômbia.

O volume ofensivo dos africanos foi baixo, ficando praticamente limitados a finalizações de longa distância, como os chutes de fora da área arriscados por Thomas Partey. Gana só não se despediu do torneio goleada porque o goleiro Zigi fez boas defesas, como a defesa de um cabeceio à queima-roupa de Mojica. Zigi evitou o pior, mas a eliminação ganesa foi o preço cobrado pela falta de ambição e repertório tático.

Créditos da foto de capa: JUAN MABROMATA/AFP