Copa do Mundo Gill
Futebol Copa do Mundo

Copa do Mundo: 6 jogadores que podem ganhar grandes transferências após o Mundial

A Copa do Mundo sempre serve como palco para consagrar os maiores craques do futebol, mas também costuma revelar jogadores que, até então, passavam despercebidos pelo grande público. Em 2026, não foi diferente. Enquanto nomes como Kylian Mbappé, Lionel Messi, Erling Haaland e Jude Bellingham dominaram as manchetes, diversos atletas aproveitaram a vitrine do maior torneio do planeta para mostrar que estão prontos para voos maiores na carreira.

A campanha da Espanha rumo ao título acabou ofuscando algumas histórias individuais, mas os olheiros dos principais clubes europeus certamente acompanharam cada detalhe das 104 partidas disputadas nos Estados Unidos, Canadá e México. E, como acontece em praticamente toda edição do Mundial, vários jogadores deixaram o torneio com o mercado muito mais valorizado do que quando chegaram.

Se alguns deles já despertavam interesse antes da competição, outros aproveitaram a oportunidade para praticamente colocar um cartaz de “disponível” na vitrine do futebol internacional. Confira sete atletas que ganharam força para protagonizar negociações importantes nesta janela de transferências.

Gustavo Puerta mostrou maturidade no meio-campo da Colômbia

Entre os destaques da seleção colombiana, poucos cresceram tanto quanto Gustavo Puerta. O volante chegou ao Mundial depois de ajudar o Racing Santander a retornar à La Liga após 14 anos e, mesmo tendo pouca experiência pela seleção principal, rapidamente assumiu um papel importante no time.

Seu desempenho chamou atenção principalmente pela consistência. Puerta terminou a Copa do Mundo com 92% de aproveitamento nos passes e ainda apresentou 88,3% de precisão nas bolas distribuídas no último terço do campo, ficando entre os melhores da Colômbia nesses fundamentos.

Mas seu jogo foi muito além da qualidade com a bola nos pés. O meio-campista também se destacou pela intensidade sem a posse. Nenhum colombiano pressionou tanto os adversários quanto ele durante o torneio, mostrando uma capacidade física que agrada bastante aos grandes clubes europeus.

Depois de evoluir nas passagens por Hull City e Racing Santander, o Mundial reforçou a impressão de que Gustavo Puerta está preparado para um desafio ainda maior.

Orlando Gill virou herói do Paraguai

Poucos goleiros saíram tão valorizados da Copa do Mundo quanto Orlando Gill.

Antes da competição, o arqueiro tinha pouca experiência em jogos oficiais pela seleção paraguaia. Ainda assim, transformou-se em uma das principais figuras da campanha da Albirroja e conquistou de vez a confiança dos torcedores.

Gill terminou o torneio como o goleiro com maior número de defesas realizadas, acumulando 23 intervenções importantes. Quinze delas aconteceram em finalizações dentro da área, mostrando reflexos rápidos e excelente posicionamento.

Seu momento mais marcante veio no mata-mata. Diante da Alemanha, o goleiro fez uma grande atuação durante os 120 minutos e ainda brilhou na disputa por pênaltis ao defender cobranças de Kai Havertz e Nick Woltemade, garantindo uma das maiores zebras da competição.

Depois de um desempenho desse nível, dificilmente continuará passando despercebido pelos principais mercados do futebol europeu.

Pedro Vite foi o cérebro do Equador

Embora o Equador tenha parado ainda na fase de 32 avos de final, Pedro Vite foi um dos jogadores que mais deixou boas impressões durante a Copa do Mundo.

O meia apresentou um futebol extremamente completo. Organizou o jogo com qualidade, participou da construção ofensiva, ajudou na marcação e ainda mostrou intensidade durante praticamente todos os minutos em campo.

Antes do início do mata-mata, apenas quatro jogadores haviam criado mais oportunidades em jogadas de bola rolando do que Vite. Além disso, apareceu entre os líderes do torneio em desarmes, recuperações de bola e passes realizados.

Sua atuação mais marcante aconteceu justamente contra a Alemanha, na vitória que classificou o Equador para a fase eliminatória. Na ocasião, venceu onze disputas individuais e liderou a partida em tentativas de desarme.

Aos 24 anos, Pedro Vite parece reunir exatamente o perfil que muitos clubes procuram: qualidade técnica, intensidade e margem para evolução.

Keito Nakamura aproveitou a ausência de Mitoma

A lesão de Kaoru Mitoma abriu uma enorme oportunidade para Keito Nakamura na seleção japonesa.

O jogador não desperdiçou.

Atuando como ala pela esquerda, Nakamura deu velocidade ao sistema ofensivo do Japão e se transformou em uma das principais armas da equipe durante a fase de grupos.

Foi dele o primeiro gol japonês na Copa do Mundo, marcado contra a Holanda, em uma finalização precisa de média distância. Pouco depois, também participou diretamente da vitória sobre a Tunísia ao realizar uma grande jogada individual antes da assistência para o gol.

Além das participações decisivas, chamou atenção pela coragem para atacar os marcadores. Completou cinco dos sete dribles que tentou na primeira fase e terminou entre os laterais e alas com maior participação ofensiva do torneio.

Mesmo com a eliminação diante do Brasil, Nakamura deixou uma excelente impressão. O desempenho despertou interesse de clubes da Premier League e de outras ligas importantes da Europa, tornando bastante improvável sua permanência por muito tempo em um cenário menos competitivo.

Haissem Hassan aproveitou poucos minutos como poucos conseguem

Nem sempre é preciso disputar todos os jogos para chamar atenção.

Haissem Hassan é a prova disso.

O atacante do Egito esteve em campo durante apenas 126 minutos em toda a Copa do Mundo, mas conseguiu produzir o suficiente para ganhar espaço entre os principais nomes revelados pela competição.

Depois de entrar bem contra a Austrália, recebeu oportunidade como titular diante da Argentina e fez uma das melhores atuações de sua carreira.

Sua velocidade, capacidade de drible e coragem para partir no mano a mano transformaram o lado direito do ataque egípcio em uma constante fonte de perigo.

Foi dele a arrancada que originou o gol anulado de Mostafa Ziko e, pouco depois, também saiu de seus pés a assistência para o gol que acabou validado.

Desde a eliminação egípcia, clubes europeus intensificaram o interesse pelo jogador, com o Celtic aparecendo entre os principais candidatos a contratá-lo.

Marvin Senaya chamou atenção pela solidez defensiva

Em um torneio dominado pelos atacantes, Marvin Senaya conseguiu se destacar justamente pelo trabalho defensivo.

O lateral-direito foi uma das principais peças da boa campanha de Gana e mostrou enorme consistência nos confrontos individuais.

Entre todos os jogadores que participaram da Copa do Mundo, poucos apresentaram números tão expressivos nos desarmes. Seu índice de sucesso nos chamados “true tackles” ficou entre os cinco melhores de toda a competição, enquanto ninguém tentou mais desarmes por 90 minutos do que ele.

Sua melhor atuação aconteceu diante da Inglaterra, quando praticamente anulou Anthony Gordon durante o empate sem gols entre as seleções.

Infelizmente, uma lesão muscular sofrida nas oitavas de final interrompeu sua participação no torneio e também deve atrasar uma eventual transferência nesta janela.

Ainda assim, dificilmente seu nome deixará de aparecer no radar de clubes das principais ligas europeias nos próximos meses.

A Copa do Mundo voltou a mostrar seu poder no mercado

Mais uma vez, a Copa do Mundo confirmou que continua sendo o maior palco para transformar carreiras. Enquanto alguns jogadores chegaram ao torneio já cercados de expectativas, outros aproveitaram a oportunidade para mudar completamente seu status no mercado internacional.

Gustavo Puerta, Orlando Gill, Pedro Vite, Keito Nakamura, Haissem Hassan e Marvin Senaya encerraram o Mundial muito mais valorizados do que começaram. Em comum, todos demonstraram personalidade diante da pressão, entregaram atuações consistentes e convenceram observadores de que podem atuar em um nível ainda mais elevado.

Com a janela de transferências europeia em andamento, não será surpresa se alguns desses nomes trocarem de clube nas próximas semanas. Afinal, a história mostra que uma grande Copa do Mundo costuma abrir portas que, muitas vezes, demorariam anos para aparecer.

Foto: Matt McNulty – FIFA/FIFA via Getty Images