Neste sábado (4), Marrocos venceu o Canadá por 3 a 0 e confirmou sua vaga nas quartas de final da Copa do Mundo. Apesar do placar elástico, o jogo teve um desenho bem mais complicado do que o resultado final pode indicar. Durante boa parte da partida, principalmente no primeiro tempo, a seleção canadense conseguiu encaixar bem sua estratégia, incomodou bastante e deixou Marrocos com poucas soluções ofensivas.
O grande problema para o Canadá é que, em mata-mata, controlar momentos do jogo não basta. Depois de fazer uma primeira etapa bastante competitiva, a equipe viu Marrocos ser muito mais eficiente na segunda etapa. Com Ounahi em destaque, a seleção africana aproveitou melhor os espaços, soube sofrer quando precisou e mostrou força para matar o confronto nos momentos decisivos.
Canadá encaixou bem sua estratégia contra Marrocos no primeiro tempo
O começo de jogo foi bastante animador para o Canadá. Logo aos 10 minutos, Marrocos errou na saída de bola e Ahmed aproveitou para avançar com espaço. Na sequência, o jogador serviu Tani Oluwaseyi, que girou bem em cima do marcador, ficou livre na área e finalizou com perigo. No entanto, Bounou apareceu bem para fazer a defesa.
O lance foi a primeira grande chance da partida e ajudou a mostrar o que seria o início do confronto. O Canadá entrou em campo com uma postura corajosa com a bola, subindo bastante suas linhas e tentando encurralar Marrocos no campo defensivo. Em muitos momentos, a equipe chegava com sete jogadores no último terço do campo. Em algumas situações, eram até oito atletas próximos da área adversária.
Inclusive, esse volume não era apenas uma impressão. Em vários ataques, o Canadá colocava pelo menos cinco jogadores dentro da área marroquina, enquanto outros dois ficavam um pouco mais atrás, mas ainda em posição avançada. Desta forma, a equipe conseguiu transformar o primeiro tempo do jogo em um cenário de sufoco para Marrocos.
Sem a bola, o Canadá também teve méritos. A equipe adotou uma marcação média, pressionando mais a partir de perto do meio-campo, e não exatamente no último terço. A ideia era colocar cinco ou seis jogadores na região central para obrigar Marrocos a jogar pelos lados. Quando a bola chegava nas laterais, os canadenses fechavam os espaços e tentavam controlar o jogo.
Esse encaixe ajuda a explicar as dificuldades de Marrocos na primeira etapa. Em muitos momentos, o time africano ficava em desvantagem numérica no meio-campo, chegando a enfrentar situações de seis jogadores do Canadá contra apenas dois de Marrocos na região central. Com isso, a equipe teve muita dificuldade para progredir e encontrar caminhos até o ataque.
Aos 21 minutos, Marrocos ainda sofreu uma perda importante. Saibari deixou o campo lesionado, dando lugar a Rahimi. Pouco depois, aos 28, o próprio Rahimi tentou arriscar de fora da área, mas o goleiro canadense caiu bem para fazer a defesa.
Neste cenário, o primeiro tempo terminou com uma sensação muito mais positiva para o Canadá. Mesmo com apenas 34% de posse de bola, a equipe finalizou três vezes, contra apenas uma de Marrocos. Mais do que isso, Canadá conseguiu amarrar um adversário teoricamente favorito, que terminou a primeira etapa acuado e sem muitas possibilidades de sair de trás.
Marrocos foi letal e matou o jogo na segunda etapa
Se o primeiro tempo foi animador para o Canadá, a segunda etapa começou da pior forma possível. Logo aos quatro minutos, Marrocos teve uma falta pelo lado da área. Com muita gente dentro da área, Hakimi surpreendeu e rolou para fora. Ounahi apareceu bem na meia-lua e finalizou de primeira para o fundo da rede, abrindo o placar.
O gol mudou completamente o peso do jogo. O Canadá continuou tentando manter sua estrutura, ainda colocando seis jogadores no meio quando Marrocos tinha a bola, com duas linhas de três. A diferença é que, em desvantagem, a equipe passou a subir um pouco mais as linhas para tentar pressionar. Enquanto isso, Marrocos, com o placar a seu favor, encontrou um cenário mais confortável. A equipe não precisava se expor tanto e passou a ter mais espaço para atacar quando recuperava a bola.
Ainda assim, o Canadá tentou reagir. Aos 30 minutos, Eustáquio mostrou muita qualidade para cima de Amrabat e foi derrubado perto da meia-lua, em uma falta perigosa. Na cobrança, Jonathan David tentou cavar por cima da barreira, em vez de optar por força. A bola passou por cima do gol, desperdiçando uma boa oportunidade para empatar. Pouco depois, aos 33 minutos, Buchanan arriscou de longe e obrigou Bounou a fazer uma boa defesa.
O problema é que, quando o Canadá parecia tentar aumentar a pressão, Marrocos mostrou sua força nos contra-ataques. Aos 36 minutos, a equipe encontrou espaço em velocidade. Brahim Díaz recebeu dentro da área, deu um belo corte no marcador e rolou para Ounahi, que chutou bem novamente para ampliar o placar. O segundo gol praticamente matou o confronto. Três minutos depois, Marrocos ainda chegou perto do terceiro, novamente com Ounahi. O meia recebeu um ótimo cruzamento e cabeceou no travessão, quase assinando seu hat-trick.
Na reta final, o Canadá tentou pressionar, mas não conseguiu criar uma grande chance para diminuir o placar e transformar os minutos finais em uma reação real. A equipe tinha volume e vontade, mas já encontrava mais dificuldade para atacar com clareza.
No último minuto, Marrocos foi letal mais uma vez. Com o Canadá já meio perdido em campo, Brahim Díaz acertou um passe na medida para Rahimi. O atacante recebeu dentro da área, tirou do goleiro e fechou o placar em 3 a 0.
No fim das contas, o resultado foi pesado para aquilo que o Canadá fez no primeiro tempo, mas também explicou bem a diferença entre os dois times nos momentos decisivos. A seleção canadense teve estratégia, organização e coragem para competir. No entanto, faltou transformar esse bom plano em gols quando teve controle da partida.
Marrocos, por sua vez, sofreu no início, mas mostrou muita maturidade. A equipe foi encaixotada na primeira etapa, perdeu Saibari lesionado e teve dificuldades para jogar. Mesmo assim, voltou do intervalo com força, abriu o placar em uma jogada ensaiada e depois aproveitou os espaços para construir uma vitória incontestável.
Desta forma, Marrocos segue vivo na Copa do Mundo com uma atuação que não foi dominante do início ao fim, mas foi extremamente eficiente. Já o Canadá deixa a competição com a sensação de que poderia ter feito mais no placar, mas também com a prova de que conseguiu competir em alto nível contra um adversário forte.
Créditos da foto de capa: Getty Images Sport.