A Inglaterra está nas quartas de final da Copa do Mundo após vencer o México por 3 a 2, em um dos jogos mais movimentados do torneio até aqui. Mesmo pressionado por mais de 80 mil torcedores no Estádio Azteca e atuando com um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo, o time de Thomas Tuchel contou com uma atuação decisiva de Jude Bellingham, autor de dois gols, e segurou a reação mexicana para confirmar a classificação.
Embora tenha entrado com vários problemas extracampo, a Inglaterra foi melhor em campo e conseguiu uma classificação contundente, dando uma resposta importante e mostrando que pode entrar entre os favoritos para o título da Copa do Mundo. Confira as nossas impressões:
Bellingham chama a responsabilidade e responde em campo
Se havia alguma dúvida sobre o protagonismo de Jude Bellingham nesta Inglaterra, ela ficou menor depois da atuação contra o México. O meio-campista viveu um ciclo de altos e baixos sob o comando de Thomas Tuchel, alternando partidas discretas com questionamentos sobre sua função em campo. Nas oitavas de final, porém, apareceu justamente quando a equipe mais precisava.
Em um jogo em que a Inglaterra sofreu pressão desde os primeiros minutos e teve dificuldades para controlar o ritmo da partida, Bellingham foi decisivo ao atacar os espaços dentro da área. Em apenas dois minutos, marcou os dois gols que mudaram completamente o cenário do confronto, aproveitando a qualidade das transições inglesas e mostrando inteligência para aparecer livre nas costas da defesa mexicana.
Mais do que os gols, a atuação reforça um ponto importante para a sequência da Copa: a Inglaterra ganha confiança quando seu principal meio-campista volta a ser protagonista. Contra adversários mais fortes, a capacidade de Bellingham decidir jogos pode ser um diferencial tão importante quanto o poder de finalização de Harry Kane.
México mantém a intensidade, mas esbarra no teto técnico da equipe
O México repetiu praticamente tudo o que havia apresentado durante a competição. Mais uma vez foi intenso, pressionou alto, contou com o apoio de um Azteca lotado e conseguiu empurrar um adversário de peso para trás durante vários momentos da partida.
O problema é que, diante de uma seleção do nível da Inglaterra, intensidade sozinha deixou de ser suficiente. Os mexicanos produziram volume, criaram boas oportunidades e obrigaram Pickford a fazer grandes defesas, mas voltaram a sofrer quando precisaram defender transições rápidas. A equipe também mostrou limitações para transformar domínio territorial em chances realmente claras, especialmente quando os ingleses conseguiram organizar suas linhas defensivas.
Nem mesmo a vantagem numérica durante mais de 35 minutos foi suficiente para transformar a pressão em empate. O México empilhou cruzamentos e aumentou o volume ofensivo, mas encontrou dificuldades para desmontar uma defesa inglesa bem posicionada. A eliminação não apaga a boa campanha dos anfitriões, mas evidencia que o time chegou próximo do seu limite competitivo nesta Copa.
A Inglaterra mostrou maturidade para superar um contexto totalmente adverso
A classificação inglesa não foi construída apenas na parte técnica. O contexto da partida exigiu uma capacidade de adaptação que talvez tenha sido a principal virtude da equipe de Thomas Tuchel até aqui. Além de enfrentar um estádio completamente favorável ao México, a Inglaterra precisou lidar com a pressão constante durante boa parte do jogo e ainda atuar com um jogador a menos desde os primeiros minutos do segundo tempo, após a expulsão de Jarell Quansah.
Em outros momentos recentes, esse tipo de cenário poderia gerar desorganização ou nervosismo. Desta vez aconteceu o contrário. Mesmo com inferioridade numérica, os ingleses continuaram encontrando espaços para atacar, conseguiram ampliar a vantagem em um contra-ataque e, quando passaram a defender mais perto da própria área, mantiveram a organização necessária para suportar a pressão mexicana.
Foi uma atuação menos dominante do que em outros jogos, mas talvez uma das mais maduras da Inglaterra nesta Copa. Em torneios eliminatórios, vencer quando o roteiro deixa de ser favorável costuma ser um indicativo importante de equipes candidatas ao título.
O desafio agora muda completamente: Haaland exige outra Inglaterra
Se o México exigiu resistência emocional e organização defensiva, a Noruega promete um desafio de natureza completamente diferente nas quartas de final. O principal motivo tem nome e sobrenome: Erling Haaland.
Ao contrário dos mexicanos, que buscaram acelerar pelos lados e pressionar com intensidade, os noruegueses têm um dos atacantes mais dominantes do futebol mundial como referência. Isso muda completamente o tipo de problema que a defesa inglesa terá pela frente.
Marc Guéhi e companhia precisarão controlar um centroavante capaz de decidir partidas mesmo com poucas oportunidades, além de impedir que a Noruega encontre espaços para explorar bolas longas e cruzamentos. Também será interessante observar como Tuchel administrará a questão defensiva sem Quansah. A equipe mostrou força coletiva contra o México, mas enfrentará um adversário que exige concentração máxima durante os 90 minutos.
A Inglaterra chega fortalecida pela classificação, porém as quartas de final representam um salto importante no nível da competição. Contra Haaland, pequenos erros costumam custar muito caro.
(Foto: AFP)


