A Copa do Mundo chegou ao momento em que cada detalhe passa a ter um peso ainda maior. Depois de uma longa caminhada, apenas oito seleções seguem vivas na briga pelo título, enquanto outras 40 já ficaram pelo caminho. Neste cenário, é natural que algumas equipes apareçam com mais argumentos para sonhar com a taça, enquanto outras ainda precisam superar dúvidas importantes para continuarem avançando no torneio.
Ainda assim, a reta final de uma Copa do Mundo costuma fugir de qualquer previsão simples. Afinal, mesmo seleções favoritas podem cair em uma noite ruim, enquanto equipes menos badaladas podem encontrar força justamente na organização, na confiança e em jogadores capazes de decidir um confronto específico. Desta forma, as quartas de final chegam com França e Espanha parecendo um passo à frente, mas sem permitir que Argentina, Inglaterra e outras seleções sejam descartadas.
Quem corre por fora na Copa do Mundo
Entre as seleções que aparecem um pouco abaixo dos grandes favoritos, a Bélgica chega como um bom exemplo de equipe que cresceu durante a Copa do Mundo. O começo não foi tão empolgante, mas o time comandado por Rudi Garcia parece ter encontrado um caminho mais confortável ao longo da competição. Com uma escalação mais experiente, a equipe tem usado justamente essa maturidade para lidar melhor com momentos de pressão.
Contra os Estados Unidos, por exemplo, a Bélgica não se perdeu mesmo atuando em um cenário complicado. A seleção encarou o fator casa do adversário, viu os norte-americanos empatarem ainda no primeiro tempo e também conviveu com toda a polêmica envolvendo Folarin Balogun. Mesmo assim, conseguiu se manter firme. Desta forma, neste momento, os belgas parecem uma equipe inteligente, que sabe atacar pelos lados e encontrar jogadores chegando na área. O problema é que, contra uma seleção como a Espanha, a idade e a dificuldade de competir no meio-campo podem pesar bastante.
A Suíça também aparece neste grupo de seleções capazes de incomodar. A equipe não tem o mesmo brilho ofensivo de outros adversários, mas possui uma das organizações defensivas mais interessantes entre os times que continuam vivos na Copa do Mundo. A classificação contra a Colômbia, nos pênaltis, mostrou uma seleção disciplinada, compacta e muito consciente do que precisa fazer para sobreviver em jogos grandes.
Murat Yakin conseguiu montar uma equipe que não precisa dominar a posse para se sentir confortável. A Suíça sabe defender, escolhe bem os momentos de acelerar e raramente se expõe sem necessidade. Ainda assim, enfrentar a Argentina representa outro nível de dificuldade. Além disso, a possível ausência de Johan Manzambi, um dos jovens mais interessantes desta Copa, diminui bastante a força ofensiva dos suíços em um jogo que já seria complicado.
Neste mesmo cenário, Marrocos talvez seja o caso mais perigoso entre os azarões. A seleção já mostrou em 2022 que pode ir muito longe em uma Copa do Mundo e, quatro anos depois, volta às quartas com a sensação de que aquele torneio no Catar não foi apenas um ponto fora da curva. A equipe cresceu, ganhou mais repertório e segue contando com jogadores capazes de competir em alto nível.
O lado direito marroquino é um dos grandes trunfos, principalmente pela presença de Achraf Hakimi e Brahim Díaz. Além disso, Ayyoub Bouaddi surge como um dos jovens mais talentosos do futebol mundial. O confronto contra a França ainda carrega um peso especial, já que seis jogadores de Marrocos nasceram em território francês. Porém, a lesão de Ismael Saibari muda bastante o cenário. Sem um dos nomes mais importantes do ataque, Marrocos terá uma missão ainda mais difícil contra a seleção mais forte do torneio.
A Noruega, por sua vez, vive uma Copa do Mundo histórica muito por causa de Erling Haaland. O centroavante chega às quartas com sete gols em quatro jogos e carrega a seleção para a melhor campanha de sua história. Quando um jogador deste nível está em campo, qualquer confronto muda de tamanho. Além dele, Martin Odegaard e Antonio Nusa também têm sido peças muito importantes.
O grande ponto de dúvida está na profundidade do elenco. A Noruega depende muito de seus principais nomes. Se Haaland ou Odegaard tiverem uma atuação abaixo do esperado, a equipe dificilmente terá tantas alternativas para compensar essa queda. Em uma fase de Copa do Mundo em que todos os detalhes contam, essa dependência pode se tornar um problema.
Favoritos na reta final da Copa do Mundo
Entre as seleções que parecem mais próximas do título da Copa do Mundo, a Inglaterra aparece em uma posição curiosa. O time tem Harry Kane vivendo uma Copa de alto nível, com seis gols e a capacidade de decidir mesmo quando a equipe não joga tão bem. A vitória contra a República Democrática do Congo mostrou exatamente isso. Quando o coletivo não encaixa, Kane ainda consegue encontrar uma forma de pesar no resultado.
A boa notícia para os ingleses é que Jude Bellingham finalmente teve uma atuação mais forte contra o México. Anthony Gordon também cresceu no mesmo jogo, o que aumenta as possibilidades ofensivas da equipe. Se esses nomes mantiverem o nível, a Inglaterra passa a ter mais caminhos para vencer. No entanto, a defesa ainda deixa muitas dúvidas. Jordan Pickford precisou salvar a equipe em vários momentos, e a sensação é que, contra adversários mais qualificados, essa fragilidade pode custar caro.
A Argentina também chega com argumentos claros para sonhar com mais uma Copa do Mundo. A equipe sabe competir, não se entrega facilmente e continua tendo Lionel Messi como um jogador capaz de mudar qualquer partida. A vitória sobre o Egito mostrou a força mental da seleção, que precisou buscar uma reação enorme para seguir viva no torneio.
Por outro lado, existe uma preocupação natural com o desgaste. A Argentina manteve boa parte da base campeã de 2022, mas o tempo passou. Messi agora tem 39 anos e ainda é a principal referência do time. Além disso, os dois jogos de mata-mata foram muito pesados. A seleção precisou de 120 minutos para eliminar Cabo Verde e, depois, teve que buscar uma virada no fim contra o Egito. Neste cenário, a pergunta que fica é quanto ainda resta fisicamente para a reta final.
Enquanto isso, a Espanha talvez seja a seleção mais sólida da Copa até aqui. Depois de cinco jogos, a equipe ainda não sofreu gols, o que diz muito sobre o trabalho defensivo de Luis de la Fuente. Mesmo sendo uma seleção que normalmente chama atenção pela posse de bola e pela qualidade no meio-campo, o grande diferencial espanhol tem sido justamente a capacidade de controlar os adversários sem permitir grandes espaços.
Com Rodri e Pedri no meio, a Espanha tem uma base muito forte para mandar nos jogos. No ataque, Mikel Oyarzabal tem respondido bem, enquanto diferentes jogadores já marcaram na competição. Isso torna a equipe mais equilibrada e menos dependente de um único nome. Ainda assim, a Espanha também tem caminhado no limite em alguns momentos, com empates e vitórias magras. Neste cenário, até que Lamine Yamal consiga reproduzir pela seleção o mesmo impacto que tem no Barcelona, Oyarzabal seguirá carregando uma responsabilidade grande demais.
Por fim, a França aparece como a principal favorita pelo conjunto da obra. A seleção tem o elenco mais completo da Copa do Mundo e chega às quartas com seus principais jogadores em grande fase. Kylian Mbappé soma sete gols na Copa e segue mostrando que pode decidir em qualquer contexto. Ao mesmo tempo, Michael Olise tem sido um dos grandes destaques da competição, enquanto Ousmane Dembélé também tem sido importante.
Olhando posição por posição, poucas seleções conseguem competir com a França em talento, profundidade e poder de decisão. Sendo assim, eliminar o time de Didier Deschamps exigirá uma atuação praticamente perfeita de qualquer adversário.
Desta forma, a reta final da Copa do Mundo chega com a França um pouco à frente das demais seleções, enquanto a Espanha aparece logo atrás pela força defensiva e pelo equilíbrio. Argentina e Inglaterra seguem muito perigosas por terem jogadores capazes de decidir partidas grandes, enquanto Marrocos, Noruega, Suíça e Bélgica correm por fora, mas ainda possuem argumentos suficientes para transformar as quartas de final da Copa do Mundo em uma fase marcada por surpresas.
Créditos da foto de capa: Dylan Martínez/Reuters.