O chefe da McLaren, Andrea Stella, revelou que a equipe promoveu uma espécie de “redirecionamento” na estratégia de desenvolvimento do carro para a temporada da Fórmula 1, explicando que essa mudança também alterou o cronograma previsto para a chegada das próximas atualizações.
A equipe enfrenta uma temporada de 2026 bastante complicada, vendo suas chances de defender tanto o Campeonato de Construtores quanto o Campeonato de Pilotos se tornarem praticamente impossíveis. Mesmo utilizando a unidade de potência da Mercedes, cuja equipe oficial assumiu uma liderança dominante em ambos os campeonatos, o MCL40 não conseguiu acompanhar o desempenho de seus principais concorrentes.
Ao longo da temporada, o carro da McLaren ficou atrás dos rivais diretos em diversas ocasiões, contrastando com o elevado nível competitivo apresentado pela equipe nos dois campeonatos anteriores. Segundo Andrea Stella, o trabalho de desenvolvimento levou a equipe a revisar parte dos conceitos adotados inicialmente para o projeto de 2026, à medida que a compreensão das novas regras técnicas evoluiu.
Essa reavaliação acabou provocando uma mudança na direção seguida pelos engenheiros durante o desenvolvimento do carro.
Mudanças exigem tempo para produzir resultados
Durante conversa com jornalistas, no fim de semana do GP de Silverstone, Andrea Stella explicou que esse processo de mudança não pode ser concluído rapidamente, principalmente quando envolve aspectos aerodinâmicos do carro. “Durante o desenvolvimento, acredito que seguimos algumas direções do ponto de vista conceitual que, conforme aprendemos mais sobre os regulamentos de 2026, posso dizer que estamos redirecionando.”
“E isso, como acontece com tudo, especialmente do ponto de vista aerodinâmico, não é algo que possa convergir no espaço de uma semana. Normalmente leva um ou dois meses, e acredito que esses dois meses representam o atraso que temos neste momento.” contou Andrea.
Segundo Stella, o intervalo necessário para transformar novas ideias em componentes efetivos faz parte do próprio processo de desenvolvimento de um carro de F1. O dirigente destacou ainda que esse intervalo de tempo também costuma ser observado entre as principais equipes do campeonato quando novas atualizações chegam às pistas. “Percebemos que normalmente existe um intervalo de dois ou três meses entre as atualizações apresentadas pelas equipes de ponta. Portanto, acreditamos que agora temos uma direção clara em termos de desenvolvimento.”
As declarações mostram que a McLaren acredita ter encontrado um caminho mais definido para a evolução do MCL40, embora ainda seja necessário aguardar o tempo de produção e validação das novas soluções.
Primeiras atualizações devem aparecer na Hungria
Andrea Stella explicou que algumas áreas específicas do carro exigiram vários meses de trabalho antes que as mudanças pudessem ser efetivamente implementadas.
Segundo ele, transformar uma nova filosofia de desenvolvimento em peças prontas para utilização demanda um processo relativamente longo. “Mas, em algumas áreas do carro, foram necessários alguns meses para que isso pudesse se tornar realidade. Por isso, devemos ver na Hungria os primeiros resultados dessa abordagem e, depois, esperamos trazer cada vez mais atualizações ao longo do restante da temporada.”
Dessa forma, a etapa da Hungria passa a ser vista pela McLaren como o primeiro momento em que os efeitos desse redirecionamento poderão ser observados na pista. A expectativa da equipe é que esse pacote inicial seja apenas o começo de uma sequência de evoluções previstas para as corridas seguintes, permitindo que o carro ganhe competitividade gradualmente durante a segunda metade do campeonato.
Expectativa é aproveitar atualizações ao longo da temporada
Embora a temporada de 2026 tenha sido marcada por dificuldades, a McLaren acredita que o novo direcionamento adotado no desenvolvimento poderá oferecer uma base mais sólida para as próximas etapas. A equipe espera que as futuras atualizações permitam reduzir a diferença para os adversários e melhorar seu desempenho nas corridas restantes.
Até aqui, o melhor resultado da McLaren aconteceu no Grande Prêmio de Miami, quando o atual campeão mundial Lando Norris terminou na segunda posição e ainda venceu a corrida sprint.
Entretanto, essa prova acabou sendo uma exceção em uma temporada na qual tanto Norris quanto seu companheiro de equipe, Oscar Piastri, tiveram dificuldades para disputar regularmente as primeiras posições, em contraste com o domínio demonstrado pela equipe durante grande parte das duas temporadas anteriores.
Agora, a McLaren aposta que a nova direção de desenvolvimento possa começar a produzir resultados concretos a partir da Hungria e seguir evoluindo nas etapas seguintes. Para o próximo desafio, em Spa-Francorchamps, a equipe continuará contando com a unidade de potência da Mercedes, que também poderá se beneficiar das atualizações do ADUO, na tentativa de conquistar um resultado mais competitivo e iniciar uma reação ao longo do restante da temporada.
Foto: (McLaren)