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Harry Kane e Jude Bellingham transformam Inglaterra em uma das seleções mais dependentes da Copa

Harry Kane e Jude Bellingham estão escrevendo uma das histórias mais curiosas da Inglaterra na Copa do Mundo de 2026. A dupla do futebol inglês vem carregando praticamente sozinha o setor ofensivo dos Three Lions e colocou a seleção entre as equipes mais dependentes de poucos jogadores em uma edição do Mundial.

A campanha inglesa até a fase de quartas de final tem sido marcada pelo talento individual de seus dois principais nomes. Mesmo em jogos complicados, como a vitória apertada por 3 a 2 contra o México no Estádio Azteca, Kane e Bellingham apareceram quando a equipe mais precisava. Com um jogador a menos durante boa parte do confronto, a Inglaterra encontrou forças justamente nos seus dois astros para garantir mais uma vitória.

Bellingham foi o responsável por colocar a equipe em vantagem com dois gols em um intervalo de apenas dois minutos, mostrando novamente sua capacidade de decidir partidas grandes. Kane, além de participar diretamente da construção do segundo gol do companheiro, também deixou sua marca e confirmou a fase espetacular que vive no torneio.

O resultado foi mais uma prova de uma tendência que vem chamando atenção: a Inglaterra de 2026 depende muito dos gols da dupla.

Números impressionantes mostram o peso de Kane e Bellingham

Até o momento, Harry Kane e Jude Bellingham foram responsáveis por 10 dos 11 gols marcados pela Inglaterra na Copa do Mundo. Ou seja, nada menos do que 90,9% dos gols da seleção saíram dos pés dos dois jogadores.

O domínio ofensivo da dupla começou logo na estreia contra a Croácia. Kane marcou duas vezes e comandou a reação inglesa, enquanto Bellingham apareceu para completar o placar e garantir mais uma atuação decisiva. Desde então, os dois continuaram sendo praticamente a única fonte de gols da equipe.

Na sequência da competição, Kane marcou novamente na vitória de virada por 2 a 1 contra a República Democrática do Congo, enquanto a dupla voltou a balançar as redes na vitória por 2 a 0 diante do Panamá. O único gol inglês no Mundial que não teve Kane ou Bellingham como protagonista foi marcado por Marcus Rashford.

É uma situação bastante diferente do que aconteceu nas últimas Copas. Em 2022, a Inglaterra marcou 13 gols no torneio e distribuiu esses tentos entre oito jogadores diferentes. Já em 2018, quando chegou à semifinal, a equipe fez 12 gols e contou com seis atletas diferentes balançando as redes.

A comparação deixa ainda mais clara a dependência atual. Em 2014, a Inglaterra marcou apenas dois gols e teve dois jogadores diferentes como autores. Em 2010, foram três gols distribuídos entre três atletas, enquanto em 2006 cinco gols foram marcados por quatro jogadores.

Inglaterra entra em lista histórica de dependência ofensiva

A influência de Kane e Bellingham não é apenas uma curiosidade estatística da Copa do Mundo de 2026. Considerando apenas seleções que marcaram pelo menos cinco gols em uma edição do Mundial, poucas equipes na história dependeram tanto de uma dupla específica.

A própria Inglaterra já viveu algo parecido em 1986. Naquela Copa, os ingleses marcaram sete gols, sendo seis deles de Gary Lineker e um de Peter Beardsley. Lineker foi praticamente o dono da campanha ofensiva da equipe e terminou como um dos grandes artilheiros daquele Mundial.

Outro caso semelhante aconteceu com a Rússia em 1994. A seleção russa marcou sete gols no torneio e teve apenas dois jogadores responsáveis por todos eles, mostrando como algumas campanhas acabam sendo construídas em torno de poucos protagonistas.

A Suíça de 1954 também aparece nessa lista. Naquela edição, os suíços marcaram 11 gols com apenas três jogadores diferentes, número que coloca a campanha atual da Inglaterra entre as mais concentradas da história do Mundial.

O cenário reforça a importância de Kane e Bellingham, mas também levanta uma questão para Gareth Southgate: até onde uma seleção consegue chegar dependendo tanto de dois jogadores?

O desafio inglês: manter os craques brilhando até o fim

Ter jogadores capazes de decidir partidas é o sonho de qualquer treinador em uma Copa do Mundo. Afinal, torneios curtos costumam ser definidos justamente por aqueles atletas que aparecem nos momentos mais importantes. A Argentina de Lionel Messi em 2022 é um exemplo recente de uma equipe que encontrou no seu principal craque a solução para jogos difíceis.

Na Copa de 2026, Messi novamente aparece como um dos jogadores mais influentes da Argentina, com participação direta em grande parte dos gols da equipe. A diferença é que os argentinos conseguiram construir uma distribuição ofensiva um pouco maior ao longo da competição.

A França também segue uma linha parecida, com seus principais nomes assumindo protagonismo. A equipe francesa marcou 14 gols no torneio distribuídos entre apenas quatro jogadores, tendo Kylian Mbappé novamente como grande referência ofensiva.

No caso da Inglaterra, porém, a concentração é ainda mais evidente. Kane e Bellingham não são apenas os principais jogadores da equipe: eles são praticamente o sistema ofensivo inteiro funcionando.

O lado positivo é que os dois vivem uma fase extraordinária. Kane continua sendo um dos atacantes mais letais do futebol mundial, enquanto Bellingham se consolidou como um jogador capaz de decidir jogos em qualquer cenário, seja com gols, assistências ou liderança dentro de campo.

O ponto de atenção está no futuro da competição. Conforme os adversários ficam mais fortes, a Inglaterra precisará encontrar alternativas para evitar que seus craques sejam marcados de forma individual e tenham menos espaço.

Por enquanto, a fórmula está funcionando. Harry Kane e Jude Bellingham carregam a Inglaterra rumo ao sonho do título mundial e já colocaram seus nomes em uma estatística histórica da Copa do Mundo. Resta saber se a dupla será capaz de transformar essa dependência em uma conquista que os ingleses esperam há décadas.

Foto: Charlotte Wilson/Getty Images