A Espanha se sagrou bicampeã da Copa do Mundo, ao derrotar a Argentina por 1 a 0, nesse domingo (19). O resultado, conseguido graças ao gol de Ferran Torres no segundo tempo da prorrogação, foi o mesmo que garantiu o primeiro título, em 2010. Na ocasião, La Roja venceu a Holanda, com gol de Iniesta, no mesmo período.
Outra semelhança entre as duas decisões foi que a Espanha ganhou a taça ao jogar um futebol muito mais qualitativo e ofensivo do que os adversários. Entretanto, as coincidências não são encerradas nestas informações trazidas.
A diferença da postura de cada seleção
Conhecida por apresentar um futebol voltado a um estilo envolvente e de controle na Copa do Mundo, a Espanha disputou a final com a mesma postura que marcou a trajetória no torneio. Enquanto a Argentina jogou de maneira recuada e sob forte marcação aos espanhóis.
Um exemplo que define a diferença entre as posturas é que a equipe treinada por Lionel Scaloni finalizou ao gol pela primeira vez aos quatro minutos do segundo tempo da prorrogação. Até então, os comandados por Luis de la Fuente registraram 20 finalizações, sendo 12 delas em direção ao alvo.
O contraste era nítido no decorrer da partida. A Espanha monopolizou a posse de bola e o território, enquanto a seleção sul-americana tentava quebrar o ritmo do jogo, diminuindo a velocidade com faltas e defendendo com perseverança. Este modelo de atuação da Argentina, somado às defesas de Emiliano Martínez, prejudicou a eficiência espanhola, que apenas veio na prorrogação, quando Nico Williams cabeceou para Torres marcar o gol do título.
No terço final do gramado, a Espanha completou 235 passes. Já a Argentina completou apenas 47. Isso fez com que a Espanha tivesse uma posse de bola de 83,3%, ilustrando, assim, o controle territorial que eles exerceram.
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Os recordes registrados pela final
Ferran Torres se tornou apenas o quinto atleta a entrar em campo como substituto a marcar gol em uma final da Copa do Mundo. O espanhol quebrou um tabu de 12 anos, quando o alemão Mario Götze marcou o gol do título contra a Argentina, em 2014.
Com 20 finalizações contra duas sofridas, a Espanha de 2026 é a segunda seleção registrada a obter uma diferença de +18 gols em uma decisão da Copa do Mundo. La Roja está atrás apenas de 23 chutes a gol da Alemanha Ocidental contra apenas um da Argentina na final da edição de 1990.
O estilo de jogo da equipe albiceleste gerou um jeito mais ríspido em diversas vezes. A Argentina cometeu 25 faltas no confronto, o maior número de faltas cometidas por uma equipe em uma partida da Copa do Mundo desde que a mesma seleção realizou 26 faltas na decisão de 2022, contra a França de Kylian Mbappé.
A campanha da Espanha trouxe uma nova marca para uma seleção campeã. Isto porque ela nunca estava em desvantagem durante a competição e sofreu apenas um gol em oito jogos, marcado pelo belga Charles De Ketelaere nas quartas de final. Nenhuma campeã da Copa do Mundo sofreu menos gols em uma única edição do torneio.
A equipe treinada por Luis de la Fuente permitiu apenas 2,3 gols esperados (xG) aos seus adversários em toda a Copa do Mundo, uma pequena média de 0,3 xG por jogo. Esse número por partida é o melhor já registrado por qualquer seleção em uma Copa do Mundo masculina.
Em uma edição repleta de superestrelas que cravaram seus nomes na história da competição, a qualidade coletiva da Espanha foi a grande campeã. A conquista foi o ápice de um trabalho que teve como destaque inicial o título da Euro de 2024.
La Roja se tornou a quarta seleção masculina a vencer simultaneamente o Campeonato Europeu e a Copa do Mundo, estando atrás da Alemanha Ocidental (1972-74), da França (1998-2000) e da própria Espanha, bicampeã da Euro de 2008 e 2012 e ganhadora da Copa do Mundo de 2010.
Além disso, a vitória aumentou a sequência invicta da Espanha de 37 para 38 partidas (29 vitórias e 9 empates), a maior da história de uma seleção masculina europeia.
Créditos da foto da capa: Reprodução/REUTERS