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Futebol Copa do Mundo

Pausas para hidratação mudaram os jogos da Copa? Estudo revela impacto surpreendente no desempenho das seleções

As pausas para hidratação foram uma das imagens mais marcantes da Copa do Mundo de 2026. Com partidas disputadas sob temperaturas superiores a 30°C em diversas sedes, tornou-se comum ver os jogadores se dirigindo às laterais do campo por volta dos 23 e 67 minutos para se refrescarem, receberem orientações técnicas e reorganizarem suas equipes.

Criadas inicialmente como uma medida de proteção à saúde dos atletas diante do calor extremo, essas interrupções rapidamente passaram a ser utilizadas pelos treinadores como uma espécie de “tempo técnico” do futebol. Enquanto os jogadores se hidratavam, as comissões técnicas aproveitavam para corrigir posicionamentos, alterar estratégias e preparar substituições.

Mas será que essas pausas realmente influenciaram o rumo das partidas?

Uma análise realizada pelo jornal espanhol Marca, utilizando os gráficos de Controle de Partida da empresa de estatísticas Driblab, buscou responder exatamente essa pergunta. O estudo avaliou todos os 104 jogos do Mundial e analisou as 208 pausas para hidratação realizadas durante o torneio, comparando o comportamento das equipes antes e depois de cada interrupção.

O resultado mostra que a resposta está longe de ser simples.

Os números mostram que a pausa nem sempre ajuda quem está sendo pressionado

pedro porro espanha
(Photo by Julian Finney – FIFA/FIFA via Getty Images)

O senso comum costuma indicar que uma equipe dominada tende a ser beneficiada por uma interrupção no jogo. Afinal, ela ganha alguns minutos para descansar, reorganizar o sistema defensivo e receber novas instruções do treinador.

Entretanto, os dados apontaram justamente o contrário em boa parte dos casos.

A categoria mais frequente encontrada pelos pesquisadores foi o fortalecimento da equipe que já controlava a partida antes da pausa.

Em 73 das 208 interrupções analisadas, o time que chegava melhor ao momento da hidratação voltou ainda mais dominante após o reinício da partida.

Já as reações das equipes que estavam sendo pressionadas apareceram em aproximadamente 16% das análises, enquanto mudanças completas no domínio do jogo ocorreram em apenas cerca de 6% dos casos.

Isso significa que, na maioria das situações, a pausa não serviu como um ponto de virada para quem estava sofrendo.

Por outro lado, existe uma observação importante.

Quando uma equipe vivia um momento ofensivo extremamente intenso antes da interrupção, a pausa frequentemente quebrava esse ritmo.

Foi exatamente esse comportamento que os pesquisadores classificaram como neutralização.

Em aproximadamente 15% das partidas analisadas, o time que vinha pressionando perdeu intensidade imediatamente após o retorno.

A Espanha viveu esse cenário contra o Uruguai durante a fase de grupos. A seleção espanhola registrava seu maior pico ofensivo quando a pausa aconteceu aos 23 minutos. Depois da retomada, o confronto permaneceu equilibrado durante aproximadamente quinze minutos.

Situação semelhante ocorreu com a Turquia diante da Austrália e com o Panamá contra a Croácia.

Esses exemplos mostram que a pausa pode interromper justamente o melhor momento de uma equipe.

Os minutos após a hidratação concentraram mais gols

Outro dado bastante interessante apareceu quando a análise passou a observar apenas os gols.

Os cinco minutos seguintes às pausas apresentaram um número significativamente maior de bolas na rede do que os cinco minutos anteriores.

Enquanto cerca de 15 gols aconteceram antes das interrupções, aproximadamente 25 foram marcados logo depois do reinício das partidas.

Alguns casos chamaram bastante atenção.

Os Estados Unidos abriram o placar contra o Paraguai apenas quatro minutos após a primeira pausa.

A Noruega fez o mesmo diante do Iraque.

A Espanha também aproveitou esse momento em diferentes oportunidades, marcando gols importantes contra Bélgica e Áustria logo após a retomada do jogo.

Entretanto, nem todos esses gols surgiram da mesma maneira.

Em muitos casos, eles apenas confirmavam um domínio que já vinha sendo demonstrado pelas estatísticas de criação ofensiva.

Mas houve situações ainda mais curiosas.

A Holanda marcou contra o Marrocos poucos minutos depois da pausa mesmo passando quase toda a etapa anterior sendo pressionada.

A Costa do Marfim empatou contra a Noruega logo após uma interrupção que havia reduzido completamente o ritmo ofensivo dos noruegueses.

O Canadá também marcou diante da Suíça apenas três minutos após o retorno.

Nesses cenários, a pausa pareceu funcionar como um verdadeiro ponto de reinício emocional e tático da partida.

Argentina e Espanha souberam transformar a pausa em vantagem

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(Photo by Lars Baron/Getty Images)

Entre todas as seleções analisadas, duas chamaram especialmente a atenção.

A Argentina apresentou um comportamento repetitivo durante toda a campanha.

Contra a Áustria, a equipe voltou melhor após a pausa e construiu o gol da vitória.

Nas oitavas de final contra o Egito, perdia por 2 a 0 quando aconteceu a segunda interrupção. A partir dali, registrou seu maior pico ofensivo de toda a Copa, marcou duas vezes em poucos minutos e iniciou uma das maiores viradas do torneio.

Na semifinal contra a Inglaterra, o roteiro voltou a se repetir.

A seleção argentina já vinha crescendo na partida desde os 60 minutos, mas consolidou definitivamente seu domínio depois da pausa realizada aos 69 minutos. Os gols de Enzo Fernández e Lautaro Martínez nasceram justamente nesse período de pressão contínua.

Embora o contexto do placar naturalmente obrigasse a equipe a atacar, a repetição desse comportamento chamou atenção dos analistas.

A Espanha apresentou um padrão diferente.

A seleção campeã utilizou as pausas principalmente para consolidar um domínio que já possuía.

Das 16 interrupções vividas durante o torneio, a maioria foi seguida por períodos de controle ainda maior da partida.

Contra a Bélgica, o gol do 1 a 0 saiu cinco minutos depois da primeira pausa.

Diante da Áustria, a retomada marcou justamente o início da fase mais agressiva ofensivamente, culminando no primeiro gol.

Contra Portugal, o crescimento iniciado após a pausa dos 68 minutos terminou sendo recompensado com o gol da vitória aos 90.

Na decisão contra a Argentina, o cenário foi diferente.

Como a Espanha já controlava naturalmente o ritmo da partida, as pausas praticamente não alteraram o comportamento da equipe. O gol decisivo aconteceu apenas na prorrogação, muito tempo depois da última interrupção.

Os dados apontam tendências, mas não oferecem respostas definitivas

Anthony Gordon, México x Inglaterra. Foto: Reprodução/La Tribuna.com
Anthony Gordon, México x Inglaterra. Foto: Reprodução/La Tribuna.com

Apesar da riqueza das informações, os próprios autores do estudo fazem questão de destacar que não é possível afirmar que as pausas foram responsáveis pelas mudanças observadas.

Isso porque diversos fatores ocorrem exatamente no mesmo período.

As interrupções coincidem frequentemente com a entrada de substituições, especialmente após os 70 minutos. Muitas equipes também alteram sua postura naturalmente por causa do placar, independentemente da pausa.

Além disso, apenas uma pequena parcela das mais de 200 pausas analisadas apresentou mudanças realmente expressivas no comportamento das partidas.

Mesmo assim, algumas tendências ficaram evidentes.

A principal delas é que as pausas raramente salvaram equipes que estavam sendo dominadas. Em muitos casos, reforçaram o controle de quem já jogava melhor e, curiosamente, prejudicaram justamente os times que atravessavam seus momentos ofensivos mais intensos antes da interrupção.

Esse comportamento pode influenciar a forma como treinadores passam a encarar essas paradas em futuras competições disputadas sob calor extremo.

Caso as pausas para hidratação se tornem permanentes em torneios internacionais, elas poderão deixar de ser vistas apenas como uma medida médica e passar a ocupar um papel estratégico cada vez mais importante dentro das partidas. O Mundial de 2026 mostrou que, embora três minutos pareçam pouco tempo, eles podem ser suficientes para alterar o ritmo de um jogo e, em determinadas circunstâncias, até mudar completamente sua história.

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Kaique