A conquista do título da NBA encerrou um jejum de mais de cinco décadas para o New York Knicks e consolidou a franquia entre as grandes potências da liga. A base campeã foi mantida quase intacta para a temporada 2026/27, com a saída de Mitchell Robinson sendo a principal baixa. No entanto, enquanto a torcida celebra o momento histórico, a diretoria já precisa lidar com um problema que pode definir o futuro da equipe: o contrato de Karl-Anthony Towns.
O pivô foi um dos pilares da campanha do título e chega valorizado após duas temporadas que mudaram completamente sua imagem na NBA. O problema é que essa valorização também significa um contrato extremamente caro, justamente em uma liga cada vez mais restritiva por conta das regras do novo acordo coletivo (CBA). A dúvida é inevitável: vale a pena comprometer o futuro financeiro da franquia para manter Towns?
O título elevou o valor de Karl-Anthony Towns
Durante boa parte da carreira, Karl-Anthony Towns conviveu com críticas sobre seu impacto em jogos decisivos. Mesmo acumulando números impressionantes pelo Minnesota Timberwolves, muitos questionavam sua capacidade de liderar um time vencedor.
Tudo isso mudou em Nova York. Nas últimas duas temporadas, Towns foi fundamental para levar os Knicks primeiro às finais da Conferência Leste e, depois, ao título da NBA. Muito além dos pontos, sua capacidade de criar jogadas, abrir espaço com seu arremesso de três pontos e facilitar o ataque transformou completamente a identidade ofensiva da equipe.
Outro ponto importante foi sua evolução defensiva. Apesar de nunca ter sido considerado um especialista no setor, Towns apresentou um desempenho consistente durante os playoffs, respondendo justamente ao principal questionamento que existia sobre seu jogo. Essa evolução naturalmente aumenta seu valor de mercado.
Hoje, o pivô entra na temporada recebendo cerca de US$ 57 milhões e possui uma player option de aproximadamente US$ 61 milhões para 2027/28. Além disso, já pode negociar uma extensão de quatro anos avaliada em cerca de US$ 272 milhões. O problema não é apenas o tamanho do contrato, mas o contexto financeiro dos Knicks.
O novo CBA pode obrigar os Knicks a fazer escolhas difíceis
O principal desafio para Nova York não está relacionado ao talento de Towns, mas sim às limitações impostas pelo teto salarial da NBA.
Os Knicks já possuem contratos de longo prazo com OG Anunoby e Mikal Bridges. Em breve, Jalen Brunson também poderá negociar uma nova extensão e dificilmente aceitará outro grande desconto salarial após abrir mão de milhões para ajudar a franquia na montagem do elenco campeão.
Se Towns exigir o contrato máximo permitido, os Knicks poderão ter cinco titulares consumindo praticamente toda a folha salarial da equipe. Isso reduz drasticamente a capacidade de contratar jogadores de apoio, manter profundidade no elenco ou reforçar posições importantes durante a temporada.
O novo acordo coletivo foi justamente criado para evitar que franquias mantenham elencos extremamente caros por muitos anos. Quanto mais um time ultrapassa os chamados “aprons”, maiores são as punições esportivas e financeiras. Na prática, montar um elenco campeão tornou-se difícil. Permanecer campeão ficou ainda mais complicado.
Towns aceitaria repetir o gesto de Brunson?
Existe um cenário que interessa muito aos Knicks. Jalen Brunson abriu mão de aproximadamente US$ 113 milhões ao renovar seu contrato anteriormente, priorizando a competitividade da equipe em vez do maior salário possível.
Agora, muitos se perguntam se Karl-Anthony Towns faria o mesmo. Sob o ponto de vista da franquia, seria o cenário ideal. Um contrato abaixo do valor máximo permitiria maior flexibilidade para renovar com Brunson futuramente e continuar cercando o elenco de peças importantes.
Entretanto, do lado do jogador, a situação é diferente. Aos 31 anos, Towns provavelmente está diante da última oportunidade de assinar um contrato gigantesco. Além disso, o título da NBA serviu justamente para validar tudo aquilo que ele tentou provar durante sua carreira: que consegue liderar um time vencedor e ser protagonista em alto nível.
Depois de anos ouvindo críticas, é compreensível imaginar que o pivô queira receber exatamente o valor que acredita merecer.
Os Knicks ainda têm uma temporada para decidir
Apesar da preocupação, não existe urgência imediata. Nova York entra na temporada 2026/27 como um dos principais favoritos ao bicampeonato e mantém praticamente toda sua estrutura vencedora. O problema é que cada mês sem uma definição aumenta as especulações sobre o futuro de Towns.
Caso não exista um acordo, ele poderá exercer sua player option ou até testar o mercado nos próximos anos, criando uma enorme incerteza para o planejamento da franquia.
Leon Rose já demonstrou habilidade para administrar situações complexas envolvendo o teto salarial, mas desta vez o desafio parece ainda maior.
Os Knicks construíram um elenco capaz de conquistar a NBA, porém manter esse grupo unido será uma missão muito mais complicada do que montá-lo. E boa parte desse futuro passa pela decisão de Karl-Anthony Towns, que hoje representa tanto uma peça indispensável dentro de quadra quanto um enorme desafio fora dela.



