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NBA: veja quais foram os acordos mais vantajosos da free agency de 2026

A NBA viveu mais uma agência livre movimentada, com contratos milionários espalhados por praticamente todas as franquias. No entanto, nem sempre os acordos mais comentados são aqueles que envolvem os maiores salários. Em um cenário cada vez mais restritivo por causa das novas regras financeiras da liga, encontrar um contrato abaixo do valor de mercado pode valer tanto quanto contratar uma superestrela. Foi exatamente isso que aconteceu na offseason de 2026.

O novo acordo coletivo tornou o chamado “second apron” uma espécie de teto salarial informal. Gastar demais com um único jogador pode comprometer toda a montagem do elenco, enquanto economizar alguns milhões abre espaço para reforços importantes e aumenta as chances de disputar um título. Nesse contexto, algumas franquias conseguiram verdadeiras pechinchas, seja convencendo astros a aceitarem menos dinheiro ou aproveitando oportunidades de mercado.

Confira os seis contratos que mais chamaram atenção e podem fazer enorme diferença na próxima temporada da NBA.

Victor Wembanyama abre mão de milhões para fortalecer os Spurs

O principal destaque da agência livre atende pelo nome de Victor Wembanyama. Considerado um dos maiores talentos da nova geração da NBA, o francês surpreendeu ao aceitar uma extensão de cinco anos no valor de aproximadamente 252 milhões de dólares, mesmo podendo ganhar consideravelmente mais caso aguardasse outra oportunidade de renovação.

Na prática, Wembanyama abriu mão de cerca de 5% do teto salarial que poderia receber. Caso alcançasse novamente os critérios exigidos para um contrato supermáximo, teria direito a um vínculo superior a 300 milhões de dólares. Em vez disso, preferiu facilitar a vida da diretoria do San Antonio Spurs, que agora terá mais margem para montar um elenco competitivo ao seu redor nos próximos anos.

A decisão ganhou enorme repercussão dentro da liga porque mostra uma mudança de mentalidade pouco comum entre grandes estrelas. O próprio jogador resumiu sua escolha nas redes sociais com uma frase simples: “Whatever it takes”, ou “o que for necessário”. Wembanyama já havia declarado anteriormente que acumular dinheiro nunca foi sua prioridade e reforçou esse pensamento ao aceitar um contrato menor em troca da possibilidade de disputar títulos com mais frequência.

O impacto dessa decisão já começou a aparecer. Os Spurs conseguiram renovar com Julian Champagnie por valores considerados abaixo do mercado, algo que ficou muito mais fácil graças à economia proporcionada pelo acordo firmado com sua principal estrela.

LeBron James continua sendo valioso, mesmo aos 42 anos

Pode parecer estranho colocar LeBron James em uma lista de contratos baratos, mesmo sem ele ter fechado um até o momento, mas faz todo sentido quando se analisa seu impacto dentro da NBA. Após décadas assinando contratos máximos, o veterano deverá atuar na próxima temporada recebendo um valor muito inferior ao que ainda entrega dentro das quatro linhas.

Mesmo prestes a completar 42 anos, LeBron segue produzindo em alto nível na NBA. Na temporada passada, manteve médias próximas de 21 pontos, seis rebotes e sete assistências por partida, além de mostrar que ainda consegue assumir o protagonismo quando necessário. Durante os playoffs, por exemplo, carregou o Los Angeles Lakers em momentos importantes após as ausências de Luka Doncic e Austin Reaves.

Independentemente da franquia que defenderá na próxima temporada, LeBron continua sendo capaz de transformar qualquer elenco em um concorrente muito mais forte. Seja ao lado de Stephen Curry, Donovan Mitchell, Giannis Antetokounmpo ou qualquer outro astro, sua experiência, inteligência e liderança continuam sendo ativos extremamente valiosos.

Por isso, qualquer contrato assinado na NBA por valores próximos à exceção salarial passa automaticamente a ser considerado um dos melhores negócios desta agência livre.

Celtics aproveitam oportunidade e roubam peça importante dos Knicks

Outra movimentação muito elogiada aconteceu em Boston. Os Celtics aproveitaram as limitações financeiras do New York Knicks para contratar Mitchell Robinson por três temporadas e cerca de 47 milhões de dólares.

Mais do que o valor do contrato, chama atenção o encaixe técnico. Robinson é um dos melhores reboteiros ofensivos da NBA e oferece exatamente aquilo que Boston procurava: proteção de aro, força física e domínio nos rebotes. Durante os últimos playoffs, o pivô foi peça importante justamente por criar segundas oportunidades ofensivas e dificultar a vida dos adversários perto da cesta.

Além disso, a franquia ainda renovou com Neemias Queta por valores considerados bastante acessíveis. A combinação dos dois permite aos Celtics manter uma rotação sólida na posição de pivô sem comprometer sua folha salarial, algo essencial dentro das novas regras da liga.

Knicks seguram peças importantes por preços acessíveis

Embora tenham perdido Robinson, os Knicks também podem comemorar a forma como conduziram parte de sua agência livre na NBA. A franquia conseguiu manter vários jogadores importantes do elenco campeão sem precisar oferecer contratos exagerados.

O maior exemplo é Landry Shamet. O ala renovou por quatro temporadas e apenas 24 milhões de dólares, valor considerado excelente para um atleta que teve papel importante durante os playoffs. Seu aproveitamento superior a 50% nos arremessos de três em situações de catch-and-shoot chamou bastante atenção, além da contribuição defensiva ao longo da campanha.

A diretoria ainda garantiu as permanências de Jose Alvarado e Mo Diawara, preservando boa parte da profundidade do elenco. Em uma liga onde diversos especialistas recebem contratos muito maiores, manter jogadores úteis por cifras controladas representa uma vitória importante para qualquer franquia.

Rockets apostam no potencial de Tari Eason

O Houston Rockets também saiu fortalecido da offseason da NBA ao renovar com Tari Eason por cinco temporadas e pouco mais de 81 milhões de dólares. O acordo parece ainda melhor quando comparado a outros jogadores da mesma classe de Draft que assinaram extensões muito mais caras.

Eason consolidou seu espaço como um ala versátil, eficiente defensivamente e capaz de contribuir dos dois lados da quadra. Aos 24 anos, ainda possui grande margem de evolução, fator que torna o contrato ainda mais interessante pensando no longo prazo.

Além da renovação, Houston também conseguiu contratar Marcus Smart por um valor bastante acessível. O veterano chega para oferecer experiência, intensidade defensiva e liderança a um elenco jovem que pretende continuar brigando pelas primeiras posições do Oeste.

Sixers encontram uma das maiores pechinchas da offseason

Fechando essa lista da NBA, aparece Anfernee Simons, novo reforço do Philadelphia 76ers. O armador assinou por apenas dois anos e aproximadamente 12 milhões de dólares, um valor extremamente baixo para um jogador com sua capacidade ofensiva.

Antes de atuar em Boston, Simons vinha acumulando temporadas superiores a 20 pontos por jogo em Portland. Mesmo aceitando um papel de reserva na última temporada, continuou sendo um dos pontuadores mais eficientes da segunda unidade, mostrando que pode decidir partidas saindo do banco.

Nos Sixers, ele chega para formar uma rotação bastante interessante ao lado de Tyrese Maxey e VJ Edgecombe. A equipe precisava desesperadamente de criação ofensiva quando seus principais jogadores descansavam, e Simons parece preencher exatamente essa lacuna.

A nova NBA recompensa quem sabe gastar melhor

A agência livre de 2026 mostrou que o sucesso na NBA não depende apenas de contratar os jogadores mais famosos ou oferecer os maiores salários. Com regras financeiras cada vez mais rígidas, administrar bem cada dólar disponível tornou-se quase tão importante quanto acertar dentro de quadra.

Victor Wembanyama simboliza perfeitamente essa nova realidade ao abrir mão de milhões pensando no futuro competitivo dos Spurs. LeBron James continua mostrando que seu impacto vai muito além da idade, enquanto Celtics, Knicks, Rockets e 76ers aproveitaram oportunidades inteligentes para fortalecer seus elencos sem comprometer o planejamento financeiro.

Se essas apostas vão resultar em títulos, apenas a próxima temporada responderá. Mas uma coisa já ficou clara: na NBA atual, encontrar um contrato abaixo do valor de mercado pode ser o primeiro passo para levantar o troféu Larry O’Brien no fim da caminhada.

Foto: Joshua Gateley/Getty Images/AFP