Tom Dundon aposta em fórmula da NHL para revolucionar os Trail Blazers
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Tom Dundon aposta em fórmula da NHL para revolucionar os Trail Blazers

A chegada de Tom Dundon ao comando do Portland Trail Blazers já transformou a franquia em uma das mais comentadas da NBA, mas não necessariamente pelos motivos esperados. Em vez de grandes contratações ou investimentos milionários, o novo proprietário iniciou sua gestão com cortes de custos, demissões em massa e uma política financeira extremamente rígida.

A estratégia, porém, não surgiu do nada. Dundon utilizou praticamente a mesma fórmula para recuperar o Carolina Hurricanes na NHL, equipe que saiu da irrelevância para conquistar a Stanley Cup em 2026. A grande dúvida agora é se um modelo que funcionou no hóquei pode produzir o mesmo resultado dentro de uma liga muito diferente, como a NBA.

A gestão de Tom Dundon começa cercada por polêmicas

Desde que assumiu os Blazers, Dundon promoveu mudanças profundas na estrutura da franquia. Mais de 70 funcionários foram demitidos, departamentos inteiros foram enxugados e a equipe de transmissões sofreu praticamente um desmonte.

O narrador Kevin Calabro deixou a organização após receber uma proposta considerada muito inferior ao seu antigo contrato. Outros nomes conhecidos, como Neil Everett, Jamie Hudson e Tom Haberstroh, também saíram. Até profissionais que permaneceram receberam propostas com cortes salariais significativos.

As medidas não ficaram restritas aos bastidores. Durante o play-in, funcionários foram obrigados a deixar hotéis antes do previsto para reduzir despesas, enquanto jogadores de contratos two-way sequer tiveram viagens custeadas pela franquia.

Tudo isso reforçou a impressão de que Dundon pretende controlar rigorosamente cada gasto da organização.

O sucesso nos Hurricanes fortalece sua convicção

Apesar das críticas, Dundon acredita que já provou que sua filosofia funciona. Quando comprou o Carolina Hurricanes em 2018, encontrou uma franquia em crise, longe dos playoffs e com rumores constantes de mudança de cidade. Sua primeira decisão também foi reduzir custos administrativos, reformular praticamente toda a estrutura interna e investir os recursos economizados diretamente no elenco.

Os resultados apareceram rapidamente. Os Hurricanes passaram a disputar os playoffs de forma consistente durante oito temporadas consecutivas e finalmente conquistaram a Stanley Cup. 

Paralelamente, Dundon negociou recursos públicos para modernizar a arena, aumentou o investimento em análise de desempenho e aproximou a torcida com preços mais acessíveis para ingressos, estacionamento e alimentação. Na visão do empresário, cortar gastos administrativos não significa gastar menos, mas gastar melhor.

O problema é que a NBA funciona de maneira diferente

O grande desafio é que a NBA possui uma estrutura muito distinta da NHL. As principais franquias da liga investem pesado em departamentos de scouting, desenvolvimento de atletas, ciência esportiva, análise de dados e executivos especializados. Oklahoma City Thunder, Denver Nuggets e San Antonio Spurs são exemplos recentes de organizações que construíram projetos vencedores justamente graças à excelência fora das quatro linhas.

Nos Blazers, entretanto, o movimento parece seguir na direção oposta. Mike Schmitz, considerado um dos principais executivos da franquia, deixou Portland para assumir um cargo em Dallas. Já o novo técnico Micah Nori aceitou um contrato de apenas um ano, algo extremamente incomum para um treinador principal da NBA. Essas decisões levantam dúvidas sobre a capacidade da franquia de desenvolver um projeto competitivo a longo prazo.

A negociação pela arena também faz parte da estratégia

Outro ponto importante da gestão Dundon envolve a modernização do Moda Center. Os Blazers querem aproximadamente US$ 600 milhões para reformar a arena, enquanto a prefeitura de Portland exige contrapartidas antes de liberar recursos públicos. Dundon, por outro lado, evita assumir compromissos antecipados e mantém uma postura firme durante as negociações.

A estratégia lembra exatamente o que ocorreu em Carolina anos atrás, quando conseguiu recursos públicos antes de fechar um novo compromisso de permanência da equipe. Com o contrato do Moda Center terminando em 2030 e poucas franquias disponíveis para mudança de cidade, Dundon sabe que possui poder de negociação.

O sucesso dependerá do equilíbrio entre economia e investimento

A lógica financeira de Tom Dundon já deu resultado em outra liga, mas isso não significa que ela será automaticamente replicada na NBA. Enquanto economizar na estrutura administrativa pode gerar recursos extras para investir no elenco, reduzir departamentos importantes também pode comprometer decisões estratégicas, desenvolvimento de jogadores e até a imagem da franquia.

Por enquanto, os Trail Blazers parecem dispostos a seguir exatamente esse caminho. A equipe deve continuar promovendo cortes internos enquanto busca montar um elenco competitivo nos próximos anos.

Se a fórmula produzir vitórias, Dundon será visto como um gestor inovador. Caso contrário, Portland poderá descobrir que aquilo que funcionou perfeitamente na NHL talvez não seja suficiente para alcançar o mesmo sucesso na NBA.

Foto: Sean Meagher/The Oregonian.