É o início de uma nova era no Portland Trail Blazers. A chegada do novo dono, Tom Dundon, mudou muita coisa na franquia. Ele opta pelo caminho que levou o seu time da NHL, o Carolina Hurricanes, até o título. Dundon aposta em economizar ao máximo em relação ao Portland Trail Blazers; isso já custou o emprego de muitas pessoas, inclusive do brasileiro Tiago Splitter (hoje do Chicago Bulls).
Dundon teve sucesso com seu modo de pensar na NHL, mas sabemos que os gastos na NBA são maiores e extremamente necessários. Até o momento, quando olhamos para o elenco do Portland Trail Blazers, muitas perguntas surgem.
O Portland Trail Blazers mostrou muito potencial na temporada passada, chegando aos playoffs apesar da prisão de Chauncey Billups no início da temporada regular, o que levou Splitter a assumir, de forma interina, a função de treinador. Isso deu resultados, e mesmo com a saída do brasileiro, evolução é esperada para Portland.
Contudo, as movimentações do Portland Trail Blazers têm gerado mais dúvidas e questionamentos do que qualquer outra coisa. De forma geral, a principal pergunta é: o elenco do Trail Blazers faz sentido?
Dúvidas em torno do Portland Trail Blazers

Por que Ja Morant?
Essa é uma pergunta que muitas pessoas estão se fazendo há algumas semanas. Não faz muito tempo que o Portland Trail Blazers apostou na aquisição de Ja Morant junto ao Memphis Grizzlies. O jogador polêmico não tinha mais ambiente para continuar a franquia, agora ele terá a oportunidade de começar novamente. Para Portland, a chegada de Ja Morant é confusa, para dizer o mínimo.
O nome de Ja Morant gera dúvidas quando falamos sobre seu encaixe no Portland Trail Blazers. Podemos questionar também a decisão da franquia ao trocar por um jogador tão volátil.
Se Deni Avdija é o principal jogador do Portland, o que devemos presumir porque seu nível de talento parece ser o mais alto de toda a equipe, o plano deve ser abrir espaço para ele na quadra, e não restringi-lo. O problema aqui é que Morant, em muitos aspectos, opera dentro de uma estrutura semelhante à de Avdija: descendo para a cesta, sofrendo faltas e concentrando-se em pressionar o aro.
Será que os dois podem funcionar em conjunto? Ocasionalmente, podem até se dar bem, mas em situações de meia quadra e contra defesas com forte proteção da linha de fundo, a necessidade de um espaçamento ideal na quadra será simplesmente muito grande.
O fato é que Morant e Avdija não formam necessariamente a dupla mais óbvia, e os Blazers terão que encontrar soluções alternativas se quiserem alcançar algo que se assemelhe a um ataque confiável quando estiverem juntos em quadra.
E Shaedon Sharpe?
Apesar de ter uma média de 20,8 pontos na última temporada, em apenas 29,4 minutos por jogo, o ala-armador de 23 anos continua sendo um tanto misterioso. Ele é um arremessador de três pontos curiosamente inconsistente, mas pelo menos tenta muitos arremessos. Em 234 jogos, ele já tentou mais de 1.200 bolas de três, mas tem uma precisão de pouco mais de 33% em sua carreira.
Assim sendo, embora ele seja um pontuador extremamente produtivo — principalmente em termos de média de pontos por minuto — o fato de ainda não sabermos se ele pode ser utilizado como um espaçador de quadra complica ainda mais a relação entre Morant e Avdija. E a pergunta surge: onde Shaedon Sharpe se encaixa no Portland Trail Blazers?

O estranho time do Portland Trail Blazers
O elenco do Portland Trail Blazers pode ser descrito em uma única palavra: estranheza. Damian Lillard, Jrue Holiday e Scoot Henderson ainda estão por aí e terão que dividir os minutos na posição de armador com Morant e Sharpe.
Não dá para deslocar Sharpe para a ala, já que Avdija e Toumani Camara ocupam essas posições. O time realmente não tem um ala-pivô, a menos que queira escalar Camara nessa posição em tempo integral, o que seria extremamente otimista para um jogador de 2,01m que depende de inteligência e atleticismo para enfrentar adversários muito maiores fisicamente.
Os Blazers também renovaram o contrato de Robert Williams III por US$ 14 milhões, o que levanta questões sobre o futuro do pivô Yang Hansen, que está em seu segundo ano na liga.
Está tudo uma grande confusão, e o plano parece vago e sem nuances. Junte isso a um dono que tem objetivo em cortar custos, além do fato de Portland ter decidido não renovar o contrato de Tiago Splitter. Pode ser o início de tempos obscuros no Portland Trail Blazers.
(Foto principal: Rocky Widner/NBAE via Getty Images)


