O Grande Prêmio da Hungria representou um momento decisivo para a Aston Martin. Depois de meses enfrentando dificuldades de desempenho, a equipe chegou a Budapeste cercada por expectativas em torno do novo pacote de atualizações do chassi, considerado o primeiro passo de um amplo plano de evolução para o restante da temporada.
O resultado foi recebido com alívio por Adrian Newey e pelos integrantes da equipe. As mudanças implementadas mostraram efeitos positivos imediatamente, permitindo que a Aston Martin deixasse para trás parte do pelotão intermediário após um desempenho muito abaixo do esperado na etapa anterior, em Spa.
Além da evolução demonstrada na classificação e na corrida, a equipe agora concentra suas atenções na próxima atualização da unidade de potência fornecida pela Honda, que está sendo testada nesta semana e será introduzida em Zandvoort, juntamente com um novo pacote de melhorias aerodinâmicas. Segundo o diretor de operações de pista, Mike Krack, a etapa da Hungria representou apenas o início do processo de desenvolvimento do AMR26.
Novo pacote de chassi supera expectativas e melhora posição da equipe
Após terminar como uma das equipes menos competitivas em Spa, a Aston Martin apresentou uma reação significativa em Budapeste. Na sessão de classificação, conseguiu superar os carros da Cadillac e da Williams. Durante a corrida, também terminou à frente da Haas e de uma das Alpine, um avanço importante considerando as dificuldades enfrentadas ao longo dos seis meses anteriores.
Mike Krack explicou que o principal objetivo da equipe ao chegar à Hungria era voltar a competir em condições mais equilibradas com seus rivais diretos. Segundo ele, essa meta foi alcançada. O dirigente afirmou que o novo pacote de atualizações funcionou conforme o esperado e agora a equipe poderá concentrar seus esforços nas próximas etapas do desenvolvimento.
Krack destacou que a expectativa inicial estava baseada apenas no ganho de desempenho medido em tempo de volta e não na posição que a equipe ocuparia em relação aos adversários. Isso porque, segundo ele, cada concorrente também apresenta suas próprias evoluções, tornando impossível prever exatamente a ordem de forças antes da corrida.
Na visão do dirigente, o equilíbrio existente no pelotão intermediário faz com que pequenas melhorias sejam suficientes para alterar significativamente a competitividade entre as equipes. Por isso, o fato de a Aston Martin ter ultrapassado três concorrentes de uma só vez representou uma confirmação importante de que os números obtidos durante o desenvolvimento correspondiam ao comportamento visto na pista.
Problema de Lance Stroll limitou coleta de dados durante os treinos
Apesar da evolução apresentada, o fim de semana esteve longe de ser perfeito. Logo no primeiro treino livre, Lance Stroll sofreu uma falha preocupante na suspensão, problema que encerrou prematuramente sua participação nas atividades de sexta-feira.
Com isso, apenas Fernando Alonso conseguiu acumular quilometragem para avaliar o comportamento do novo pacote técnico durante o restante do dia. Na classificação, Alonso conseguiu avançar ao Q2 e garantiu a 16ª posição no grid, resultado considerado um marco importante para a equipe nesta temporada.
Stroll, por outro lado, ainda tentava recuperar o tempo perdido nos treinos e acabou sendo prejudicado também por uma rajada de vento durante sua volta rápida, classificando-se apenas na vigésima colocação.
Segundo Krack, a ausência de Stroll em boa parte das atividades reduziu o tempo disponível para compreender completamente o funcionamento das novas peças e encontrar o melhor acerto do carro. Esse fator também limitou a quantidade de dados coletados para orientar o desenvolvimento das próximas atualizações.
Estratégias diferentes permitiram avaliar melhor o comportamento do carro
Na corrida, a Aston Martin optou por utilizar estratégias distintas para seus dois pilotos. Ambos largaram com pneus macios, uma escolha que a equipe já vinha adotando com frequência ao longo da temporada. Entretanto, as abordagens divergiram rapidamente.
Lance Stroll realizou sua primeira parada após apenas oito voltas, buscando pista livre para desenvolver seu ritmo. Fernando Alonso permaneceu muito mais tempo com o primeiro jogo de pneus, completando 34 voltas antes de entrar nos boxes.
Mike Krack destacou que as escolhas de pneus fizeram parte da estratégia global da equipe e só foram possíveis porque o novo pacote técnico permitiu trabalhar de maneira menos conservadora. Segundo ele, quando o carro apresenta melhor desempenho, torna-se possível assumir riscos maiores nas estratégias de pneus, gerenciamento de energia e definição dos stints.
Durante boa parte da corrida, Alonso levou vantagem sobre o companheiro de equipe. No entanto, um Virtual Safety Car provocado por Oscar Piastri alterou completamente o cenário.
Alonso foi um dos pilotos que aproveitaram o período de neutralização para colocar pneus macios, mas acabou perdendo tempo porque o Virtual Safety Car terminou justamente enquanto ele ainda estava nos boxes. Como consequência, voltou à pista atrás de Stroll.
Krack explicou que a equipe procurou manter flexibilidade estratégica durante toda a prova, utilizando abordagens diferentes justamente para ampliar a quantidade de informações obtidas com os dois carros.
Confiabilidade e novas atualizações alimentam expectativa para Zandvoort
Outro aspecto considerado positivo pela Aston Martin foi o fato de ambos os carros completarem a corrida nas 13ª e 14ª posições. Depois de enfrentar diversos problemas de confiabilidade no início da temporada, incluindo a quebra da suspensão de Stroll nos treinos livres da Hungria, a equipe valorizou o fato de concluir mais uma prova sem abandonos e coletar uma grande quantidade de dados.
Segundo Mike Krack, o desenvolvimento do carro depende diretamente dessa confiabilidade. Na avaliação do dirigente, não adianta aumentar o desempenho se o carro não consegue terminar as corridas, já que isso limita tanto a obtenção de resultados quanto a coleta de informações necessárias para futuras evoluções.
Ele lembrou que, desde o início do campeonato, a Aston Martin estabeleceu como prioridade concluir as provas para compreender melhor aspectos como dirigibilidade, trocas de marcha e gerenciamento de energia.
Krack afirmou que somente esse processo gradual de aprendizado permite identificar e corrigir os problemas de confiabilidade. Agora, a expectativa da equipe se volta para as próximas etapas da temporada. Além da introdução da nova unidade de potência da Honda em Zandvoort, a Aston Martin prepara uma nova rodada de atualizações no chassi e na aerodinâmica.
Ainda assim, Krack evitou fazer previsões sobre o potencial de ganho de desempenho. Segundo ele, o tempo reduzido de testes durante o fim de semana da Hungria, principalmente após o problema enfrentado por Stroll na sexta-feira, impediu que a equipe explorasse totalmente o novo pacote.
O dirigente afirmou que os engenheiros analisarão cuidadosamente todos os dados coletados antes da próxima etapa para identificar quanto desempenho adicional ainda pode ser extraído do conjunto. Na visão da Aston Martin, o progresso visto em Budapeste representa apenas o primeiro passo de um processo de desenvolvimento que continuará nas corridas seguintes.
Foto: (Fórmula 1)



