Apesar dos esforços da Aston Martin ao longo de toda a temporada para encontrar um caminho capaz de transformar o AMR26 em um carro mais competitivo, a equipe enfrentou dificuldades desde o início de 2026. O projeto, desenvolvido sob a liderança de Adrian Newey, não conseguiu entregar o desempenho esperado, enquanto a unidade de potência da Honda também ficou abaixo das expectativas. Com o passar das corridas, a equipe acabou se distanciando do restante do grid e passou a ocupar uma posição cada vez mais complicada na Fórmula 1.
Diante desse cenário, a Aston Martin decidiu concentrar seus esforços em uma grande reformulação do carro. Em vez de promover apenas pequenas mudanças ao longo das primeiras etapas do campeonato, a equipe trabalhou em um pacote mais amplo de atualizações, desenvolvido para corrigir problemas identificados no conceito original do AMR26. O resultado desse trabalho finalmente chegou ao circuito de Hungaroring, com 16 atualizações apresentadas para o Grande Prêmio da Hungria.
Foi nesse momento que Adrian Newey apresentou sua primeira avaliação sobre o novo pacote. Embora tenha reconhecido que os sinais iniciais são promissores, o engenheiro deixou claro que a Aston Martin ainda está no começo de um longo processo de recuperação. Para ele, o objetivo imediato não é transformar a equipe instantaneamente em uma candidata às vitórias, mas fazer com que ela volte a alcançar um nível mínimo de competitividade e “respeitabilidade”.
A partir dessa nova fase, Newey espera que a equipe possa avançar passo a passo, com novas atualizações previstas para as próximas corridas e uma direção técnica mais clara para o desenvolvimento do carro.
De acordo com o documento de submissão pré-fim de semana da FIA, a Aston Martin levou nada menos que 16 atualizações para a etapa húngara. O carro profundamente revisado foi à pista na sexta-feira, e Fernando Alonso terminou o primeiro treino livre na 13ª posição, a 2,4 segundos do ritmo mais rápido.
Entenda por que Newey considera a atualização apenas o primeiro passo
Newey, que ocupa simultaneamente os cargos de sócio técnico-gerente e chefe de equipe da Aston Martin, participou da entrevista coletiva dos representantes das equipes na sexta-feira e respondeu a perguntas sobre o novo pacote e seu funcionamento inicial.
O engenheiro, que começou a trabalhar na Aston Martin em março do ano passado após conquistar títulos mundiais com Williams, McLaren e Red Bull, pediu cautela ao avaliar os resultados. “É muito cedo em termos de compreensão disso”, afirmou. “Os resultados preliminares são promissores.”
A principal mensagem de Newey foi que a atualização apresentada na Hungria não representa a versão final do projeto. Segundo ele, a Aston Martin terá novas etapas de desenvolvimento em Zandvoort, seguidas por outras atualizações em Monza e Baku. “É apenas parte do pacote. Teremos mais alguns passos em Zandvoort e, depois, etapas adicionais em Monza e Baku. Esta é a primeira parte da nossa atualização planejada.”
A equipe também enfrenta uma limitação importante: a falta de peças. Por isso, a Aston Martin precisa administrar cuidadosamente o uso dos novos componentes e aproveitar cada oportunidade para coletar informações. “Estamos muito limitados em termos de peças, então estamos sendo cuidadosos e tentando aprender tudo sobre isso”, explicou Newey.
A estratégia adotada mostra que a equipe não está tratando a atualização como uma solução instantânea para todos os problemas. O objetivo é compreender o comportamento do carro, identificar as áreas que realmente funcionam e continuar avançando ao longo das próximas etapas.
Por que o AMR26 passou por uma evolução aerodinâmica profunda?
Newey explicou que o pacote é uma evolução do carro existente, e não uma reconstrução completa de todos os seus elementos. “O chassi é o mesmo, o layout é o mesmo e a suspensão dianteira é a mesma. É muito mais uma evolução aerodinâmica”, afirmou.
O principal motivo para a reformulação está relacionado ao pouco tempo disponível para pesquisa antes do lançamento original do carro em Barcelona, em janeiro. Segundo Newey, a equipe teve uma janela muito curta para realizar pesquisas antes de colocar o carro na pista. Por isso, o trabalho atual consiste em dar um passo atrás, compreender melhor os problemas e avançar a partir desse conhecimento. “Estávamos muito limitados em tempo de pesquisa antes de lançar o carro em Barcelona, em janeiro. Então, foi realmente uma questão de dar um passo atrás, tentar entender e seguir em frente com este pacote.”
A declaração ajuda a explicar a dimensão da mudança. A Aston Martin não está apenas buscando alguns décimos de segundo por meio de pequenas alterações. A equipe está tentando compreender melhor o conceito aerodinâmico que sustenta o AMR26 e, a partir daí, construir uma base mais competitiva para o restante da temporada.
Qual é o objetivo imediato de Newey para tirar a Aston Martin do fundo do grid?
Questionado sobre as metas de desempenho para o fim de semana na Hungria e para a segunda metade da temporada, Newey inicialmente evitou estabelecer um alvo numérico. “Eu nunca fui um grande fã de estabelecer metas”, comentou. “Sou muito mais a favor de trabalhar logicamente nos problemas, fazer todos trabalharem juntos, construir a cultura e, nesse ponto, você acaba chegando onde chegar.”
O experiente engenheiro também destacou que a trajetória até o sucesso nem sempre é tão clara quanto parece. “Quando você não está vencendo, parece uma montanha impossível de escalar. E quando você está vencendo, às vezes nem tem certeza de como chegou lá, porque não está necessariamente fazendo algo diferente, ou não sente que está fazendo algo diferente.”
Apesar da cautela, Newey acabou deixando claro qual é o objetivo mais urgente da Aston Martin. Ao ser questionado se a equipe poderia estar deixando para trás um pesadelo e iniciando um período mais promissor, ele respondeu com um sorriso. “Espero que sim! Essas primeiras corridas foram um completo pesadelo.”
Em seguida, apresentou a meta imediata: “Espero que possamos chegar pelo menos a um ponto de respeitabilidade agora. Acho que esse é o objetivo imediato. Então, a partir daí, podemos tentar continuar avançando.”
A escolha das palavras é importante. Newey não está prometendo uma transformação instantânea em uma equipe capaz de lutar por vitórias. O primeiro passo é mais básico: fazer com que a Aston Martin deixe de ser uma presença constante no fundo do grid e volte a apresentar um nível de desempenho competitivo.
O que aconteceu com Stroll e por que a equipe ainda busca respostas?
O fim de semana da Aston Martin também foi prejudicado pelo incidente envolvendo Lance Stroll no primeiro treino livre. O piloto canadense rodou de forma dramática entre as curvas 2 e 3, e a equipe posteriormente informou que suspeitava de um problema na suspensão traseira esquerda.
Newey afirmou que a equipe estava trabalhando intensamente para descobrir exatamente o que havia acontecido. “Como você pode imaginar, todos estão trabalhando freneticamente para entender exatamente o que deu errado e o que aconteceu neste momento”, explicou. “Só depois que tivermos esse entendimento poderemos comentar o que faremos a seguir.”
Questionado se a peça envolvida era nova, Newey explicou que a área em questão não havia sido modificada de forma significativa. “A área envolvida, na verdade, não foi alterada. Estamos com poucas peças sobressalentes porque o revestimento e outras partes são diferentes. Existem algumas pequenas mudanças nessa área. Nesse sentido, é muito inesperado.”
Por isso, a Aston Martin ainda não pretende tirar conclusões precipitadas. “Como eu disse, até termos uma compreensão do que aconteceu, é difícil comentar mais.”
Com a atualização da Hungria, a equipe finalmente começa a avaliar uma nova direção para o AMR26. Os primeiros resultados são promissores, mas o próprio Newey deixa claro que o processo está apenas começando. Zandvoort, Monza e Baku serão os próximos capítulos de um plano de desenvolvimento que pretende transformar uma temporada descrita pelo próprio engenheiro como um “completo pesadelo” em um projeto capaz de avançar passo a passo.
Agora, o desafio está lançado: a Aston Martin precisa transformar sinais promissores em desempenho real e mostrar que o objetivo de alcançar um “ponto de respeitabilidade” pode ser apenas o começo de uma recuperação muito maior.
Foto: (Aston Martin)



