Xabi Alonso - Chelsea
Futebol Premier League

Chelsea muda estratégia no mercado, mas ainda busca o equilíbrio ideal

A diretoria do Chelsea alterou nesta temporada o foco da sua política de contratação. Reconhecido por preferir contratar jovens talentos nos últimos anos, os Blues viu suas portas se abrirem para a iminente chegada dos veteranos Danny Welbeck e Jordan Henderson. A busca por experiência atende a um pedido direto do novo técnico Xabi Alonso, mas a forma como essa transição vem sendo conduzida levanta questionamentos.

Desde meados de 2023, a estratégia do Chelsea priorizava quase exclusivamente atletas abaixo de 25 anos, amarrados em contratos de longo prazo. Esta abordagem visava valorização dos seus ativos e poder de revenda, sendo vistas pelas contratações bem-sucedidas de Cole Palmer, Moisés Caicedo, Enzo Fernández e, mais recentemente, de Estêvão e Kendry Páez. Porém, o décimo lugar na última Premier League e a eliminação precoce na UEFA Champions League escancararam a fragilidade de um grupo sem experiência.

A falta de liderança

O que motivou a mudança de postura da diretoria passa diretamente pelo comportamento do time dentro de campo no último ano. Sob o comando de Liam Rosenior, Enzo Maresca e Callum McFarlane, o Chelsea acumulou grandes números de indisciplina, terminando a Premier League com oito cartões vermelhos.

O ponto de virada para a reformulação ocorreu nas oitavas de final da Champions League contra o Paris Saint-Germain. Caminhando para um empate importante por 2 a 2 na França, o time ruiu em uma sucessão de erros individuais e descontrole emocional, culminando em uma goleada por 5 a 2. Esta fase ficou marcada por atitudes lamentáveis, como o Pedro Neto empurrando o gandula e a atuação desastrosa do Mamadou Sarr improvisado na lateral-direita no jogo de volta.

Esse colapso afirmou a ausência de jogadores experientes capazes de controlar o ritmo da partida e liderar o vestiário sob pressão. A situação piorou com a perda de nomes que poderiam assumir esse papel natural de liderança. Cucurella foi para o Real Madrid, enquanto Enzo Fernández manifestou o desejo de deixar o clube.

A falta de jogadores no auge da carreira

O grande dilema da nova fase de observação do Chelsea é que o clube parece ter pulado uma etapa fundamental na montagem de um elenco vencedor. Em vez de buscar atletas consolidados no auge técnico e físico, a diretoria migrou de jogadores promissores diretamente para veteranos na reta final de suas carreiras.

Analisando a provável escalação titular montada por Xabi Alonso, o Trevoh Chalobah, de 27 anos, surge como o único atleta de linha acima dos 26 anos. Essa carência do elenco é fruto de uma política de vendas nos últimos quatro anos, que negociou peças jogadores em plena maturidade esportiva, como Kai Havertz, Mateo Kovacic, Noni Madueke, Conor Gallagher e Mason Mount.

Além disso, o Chelsea não abandonou a contratação de promessas. Ao mesmo tempo em que negocia com Henderson e Welbeck, o clube desembolsou a quantia de 117 milhões de libras (cerca de R$ 800 milhões) para tirar Morgan Rogers, de 24 anos, do seu clube anterior. Na mesma janela, garantiu as chegadas de Marco Palestra, de 21 anos, Geovany Quenda, de 19 anos e da joia cazaque Dastan Satpayev, de apenas 17 anos, que já estreou marcando gol em amistoso contra o Western Sydney Wanderers.

A busca por identidade no Chelsea

Contratar veteranos como Jordan Henderson e Danny Welbeck em um grupo majoritariamente jovem é uma tentativa para resolver um problema profundo de cultura dentro do clube. A perda da identidade vencedora que marcou a era de ouro do Chelsea nos anos 2000 não pode ser facilmente comprada no mercado de transferências.

Ainda assim, Xabi Alonso e o técnico da seleção inglesa, Thomas Tuchel, enxergam virtudes na contratação da dupla. Welbeck superou o histórico de lesões e demonstrou excelente consistência física, atuando em pelo menos 36 partidas por temporada nas últimas quatro campanhas pelo Brighton. Já Henderson, mesmo se recuperando de uma fratura no braço, é aclamado por Tuchel, como alguém capaz de injetar profissionalismo e espírito vencedor ao grupo.

O grande ponto é se essa mescla entre promessas e veteranos conseguirá criar um entrosamento a curto prazo. Xabi Alonso não possui o tempo necessário para esperar a maturação lenta dos jovens jogadores. O sucesso do Chelsea na temporada dependerá de quão rápido a experiência de seus novos reforços conseguirá segurar as o psicológico de um elenco talentoso, porém visivelmente desorientado.

Créditos da foto de capa: Reprodução / X @ChelseaFC