O presidente da FIFA, Gianni Infantino, voltou ao centro das atenções após apresentar um plano que pode mudar o futuro da Copa do Mundo. A proposta prevê a venda de participações comerciais dos principais torneios organizados pela entidade para investidores privados, medida que provocou reações negativas de torcedores, dirigentes e entidades do futebol.
Segundo Infantino, o objetivo é ampliar os recursos financeiros disponíveis para as federações nacionais e acelerar o desenvolvimento do futebol em todo o mundo. Em contrapartida, críticos enxergam a iniciativa como um risco para a independência da competição mais importante do esporte.
O projeto ainda depende da aprovação das federações filiadas à FIFA, mas o presidente da entidade acredita ter apoio suficiente para transformar a proposta em realidade.
Como funciona o plano da FIFA
A principal promessa da FIFA é distribuir recursos financeiros para todas as suas associações nacionais caso o projeto seja aprovado.
De acordo com a proposta apresentada por Gianni Infantino, cada federação poderá receber até US$ 40 milhões destinados ao desenvolvimento do futebol. Além disso, existe a previsão de um primeiro pagamento de US$ 20 milhões para as entidades que aceitarem o plano dentro do prazo estabelecido pela FIFA, que termina em 19 de setembro.
A ideia faz parte de uma estratégia para criar uma empresa responsável pela exploração comercial das competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo masculina e feminina.
Infantino conta com amplo apoio dentro da FIFA
Desde que assumiu a presidência da FIFA, em 2016, Gianni Infantino fortaleceu sua base política por meio de programas de investimento voltados principalmente para federações da África, Ásia e Américas.
Ao longo dos últimos anos, a entidade aumentou as receitas comerciais, ampliou a Copa do Mundo para 48 seleções e passou a distribuir mais recursos diretamente às associações nacionais.
Esse cenário faz com que o dirigente tenha apoio de uma parcela significativa das 211 federações filiadas.
Como as votações da FIFA são decididas por maioria simples, a tendência é que a proposta tenha boas chances de aprovação caso esse apoio seja mantido.
Relação com Donald Trump ganha destaque
Outro ponto que chama atenção na proposta é a ligação entre a FIFA e pessoas próximas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O grupo de investidores interessado no projeto é liderado pela Thrive Capital, empresa comandada por Josh Kushner, cunhado da filha de Trump, Ivanka.
Além disso, Greg Maffei, ex-presidente da Liberty Media — empresa que controla a Fórmula 1 —, participa das negociações como consultor comercial da FIFA.
Nos últimos anos, Infantino também estreitou sua relação com Trump. Entre os episódios citados estão a criação de um prêmio entregue ao presidente americano, a abertura de um escritório da FIFA na Trump Tower, em Nova York, e a manutenção do troféu da Copa do Mundo de Clubes na Casa Branca.
Venda pode beneficiar investidores no longo prazo
Embora a FIFA argumente que continuará no controle das competições, a entrada de investidores privados levanta dúvidas sobre o futuro da Copa do Mundo.
Isso porque o torneio vem registrando crescimento constante em receitas comerciais, direitos de transmissão e patrocínios a cada edição de Copa do Mundo.
Caso parte dessa operação seja vendida agora, investidores privados também passarão a participar dos lucros futuros gerados pelo principal evento do futebol mundial.
Como a FIFA é oficialmente uma entidade sem fins lucrativos, críticos questionam se essa estratégia está alinhada com a missão de priorizar o desenvolvimento do esporte.
Críticas apontam riscos para o futebol
A proposta também recebeu críticas de especialistas em governança esportiva.
O ex-presidente do Comitê de Governança da FIFA, Miguel Maduro, afirmou que existe preocupação sobre a forma como parte dos recursos distribuídos às federações nacionais é utilizada.
Segundo ele, há dúvidas se o dinheiro realmente chega ao desenvolvimento do futebol de base em diversos países.
Maduro também acredita que o modelo fortalece ainda mais a influência política da FIFA sobre suas associações, já que a aprovação do projeto garante um aumento significativo no financiamento das federações.
UEFA aumenta pressão contra Infantino
A proposta ampliou o conflito entre a FIFA e a UEFA, que já vinham divergindo em diferentes temas relacionados ao calendário e à organização das competições internacionais.
O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, vem demonstrando insatisfação com decisões recentes da FIFA, incluindo mudanças implementadas durante a última Copa do Mundo.
A entidade europeia classificou o projeto como uma iniciativa que pode utilizar o futebol para beneficiar interesses privados e de investidores externos.
Apesar da resistência europeia, a UEFA reúne apenas 55 das 211 federações com direito a voto na FIFA, número insuficiente para impedir a aprovação da proposta caso o restante das associações mantenha apoio ao presidente.
Futuro da proposta depende das federações
Agora, a decisão está nas mãos das associações nacionais filiadas à FIFA.
Caso a maioria aprove o projeto, a entidade dará início a uma das maiores mudanças em sua estrutura comercial desde a criação da Copa do Mundo.
Para os defensores da proposta, o plano representa uma oportunidade de aumentar os investimentos no futebol global.
Já para os críticos, a iniciativa abre espaço para que investidores privados passem a exercer influência sobre um dos patrimônios mais importantes do esporte mundial, transformando a Copa do Mundo em um ativo comercial cada vez mais voltado ao mercado.
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