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MVP MMA está pronto para dar bastante dor de cabeça ao UFC; entenda como

O MVP MMA ainda nem concluiu oficialmente sua fusão com a Professional Fighters League (PFL), mas já deixou claro que pretende seguir um caminho completamente diferente daquele adotado pelo UFC. A grande bandeira da nova organização será a valorização financeira dos atletas, com a promessa de destinar pelo menos 50% de toda a receita aos lutadores.

A declaração foi feita por Nakisa Bidarian, cofundador da Most Valuable Promotions e principal executivo por trás da expansão da empresa para o MMA. Para ele, oferecer uma divisão de receitas mais justa não é apenas uma estratégia de marketing, mas um modelo de negócios capaz de aumentar o valor da companhia no longo prazo.

A fala reforça o posicionamento que a organização vem adotando desde o anúncio da fusão com a PFL, acordo que transformará oficialmente a liga na MVP MMA a partir do início de 2027.

MVP MMA aposta em modelo diferente do UFC

Desde que Jake Paul e Nakisa Bidarian anunciaram a entrada definitiva no MMA, ficou claro que a intenção nunca foi apenas promover alguns eventos esporádicos.

O primeiro grande teste aconteceu em maio, quando a organização promoveu o aguardado duelo entre Ronda Rousey e Gina Carano. O evento registrou números expressivos de audiência e mostrou que a empresa possui capacidade para atrair atenção mesmo em um mercado amplamente dominado pelo UFC.

Apesar do sucesso, existia uma questão importante: de onde viriam os lutadores para abastecer um calendário completo?

A resposta apareceu nesta semana com a fusão entre a Most Valuable Promotions e a PFL.

Enquanto a antiga PFL oferece estrutura operacional, contratos e um elenco consolidado de atletas, a MVP chega com forte capacidade de promoção, produção de grandes eventos e alcance no público geral, impulsionado principalmente pela presença de Jake Paul.

Segundo Bidarian, essa combinação coloca a empresa em posição privilegiada para crescer rapidamente no cenário do MMA mundial.

Divisão de receitas é principal promessa

Em entrevista à Bloomberg, Nakisa Bidarian afirmou que a prioridade da empresa continua sendo colocar os atletas no centro do projeto.

Segundo o dirigente, a meta é destinar pelo menos metade de toda a receita da organização aos lutadores. A proposta representa uma ruptura significativa em relação ao modelo financeiro adotado pelo UFC.

“Nosso foco sempre foi oferecer pelo menos 50% da receita aos atletas”, explicou Bidarian. “Nos esportes tradicionais, quando os atletas recebem uma participação justa, essas ligas criam enorme valor de mercado. Eles ficam mais comprometidos, mais engajados e o produto melhora.”

A comparação feita pelo executivo tem como base ligas como NBA, NFL, MLB e NHL, onde sindicatos fortes negociam divisões de receitas próximas dos 50% entre franquias e jogadores.

No MMA, entretanto, a realidade é completamente diferente.

UFC continua sendo alvo de críticas

Há anos, o UFC enfrenta críticas relacionadas à remuneração de seus atletas.

Estimativas apontam que os lutadores recebem entre 13% e 20% da receita anual da organização, percentual muito inferior ao observado nas grandes ligas esportivas norte-americanas.

Nakisa Bidarian conhece essa estrutura melhor do que poucos. Antes de fundar a Most Valuable Promotions, mais conhecida como MVP, ao lado de Jake Paul, ele ocupou cargos importantes dentro do próprio UFC, atuando como diretor financeiro (CFO) e diretor de estratégia (CSO).

Essa experiência, segundo ele, ajuda a explicar por que acredita que o atual modelo dificilmente será alterado.

Para Bidarian, aumentar significativamente os pagamentos reduziria as margens de lucro da empresa controlada pela TKO Group Holdings, afetando diretamente investidores e acionistas.

Empresa privada ganha vantagem competitiva

Na visão do executivo, justamente por permanecer uma companhia privada, a MVP MMA terá liberdade para assumir riscos que o UFC dificilmente conseguiria.

Segundo Bidarian, a empresa não sofre a mesma pressão de acionistas por resultados trimestrais e poderá estruturar contratos mais agressivos para atrair grandes nomes do esporte.

“Gostaria que o UFC anunciasse amanhã que vai pagar 50% da receita aos atletas. Mas eles simplesmente não conseguem fazer isso. Isso reduziria suas margens, diminuiria o valor da empresa e afetaria diretamente o patrimônio dos investidores”, afirmou.

Essa flexibilidade financeira é apontada como um dos principais diferenciais da nova organização na disputa por talentos.

Contratos do UFC ainda são grande obstáculo

Apesar do discurso ambicioso, a MVP MMA sabe que encontrará dificuldades para competir diretamente com o UFC.

Grande parte dos principais lutadores do mundo possui contratos longos e bastante restritivos com a organização presidida por Dana White.

Mesmo atletas que enfrentam impasses para marcar lutas, como aconteceu recentemente com Jon Jones, continuam presos aos acordos assinados e não podem simplesmente migrar para outra promoção.

Isso limita significativamente a capacidade da MVP de montar um elenco formado exclusivamente por estrelas já consolidadas.

Por outro lado, a empresa aposta em uma estratégia de longo prazo.

Com melhores condições financeiras, contratos considerados mais favoráveis e uma política voltada ao atleta, a expectativa é atrair novos talentos antes que eles cheguem ao UFC ou convencer nomes importantes a assinarem quando seus vínculos atuais chegarem ao fim.

Fusão da MVP com a PFL marca nova fase

A união entre MVP e PFL representa um passo importante para esse objetivo.

Além da infraestrutura construída ao longo dos últimos anos, a antiga PFL oferece uma base sólida de lutadores e experiência na realização de eventos internacionais.

John Martin, atual presidente da PFL, permanecerá como CEO da nova plataforma, enquanto Nakisa Bidarian continuará liderando a estratégia de crescimento da empresa.

Nos bastidores, a expectativa é que a marca PFL seja gradualmente substituída por MVP MMA até o início de 2027.

Agora, resta saber se o discurso de valorização dos atletas conseguirá transformar a organização em uma concorrente real do UFC. O desafio é enorme. Afinal, enfrentar a maior potência do MMA mundial exige muito mais do que grandes promessas.

Ainda assim, a MVP MMA acredita que encontrou um caminho diferente para crescer. Se a estratégia de dividir metade da receita com os lutadores realmente funcionar, a empresa pode não apenas atrair talentos, mas também provocar uma discussão que acompanha o esporte há décadas: afinal, quanto vale, de fato, quem entra no octógono e faz o espetáculo acontecer?