O Fluminense voltou da pausa para a Copa do Mundo longe do nível que havia apresentado durante a primeira metade da temporada. A eliminação para o Vasco nas oitavas de final da Copa do Brasil escancarou problemas que já vinham aparecendo nas últimas semanas e aumentou a pressão sobre Luis Zubeldia, que vive seu momento mais delicado desde que assumiu o clube.
Mais do que a derrota no clássico, preocupa a forma como ela aconteceu. O Fluminense foi dominado em praticamente todos os aspectos do jogo, teve dificuldades para criar oportunidades, mostrou pouca intensidade sem a bola e, mais uma vez, passou a impressão de ser um time sem identidade dentro de campo. O resultado coloca em risco uma temporada que prometia muito e agora chega a um momento decisivo justamente antes das oitavas de final da Libertadores.
A grande pergunta passa a ser inevitável: Zubeldia ainda tem argumentos para permanecer no comando?
Fluminense parece ter perdido sua identidade
Antes da paralisação para a Copa do Mundo, o Fluminense era uma equipe competitiva, organizada e que conseguia controlar boa parte das partidas. Desde o retorno, porém, o cenário mudou completamente.
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O time tem encontrado dificuldades para construir jogadas, sofre para pressionar os adversários e parece cada vez mais desconectado dentro de campo. Contra o Vasco, essa sensação ficou evidente durante praticamente os 90 minutos.
Mesmo tendo mais posse de bola em diversos momentos, o Tricolor pouco incomodou o sistema defensivo adversário. A circulação da bola foi lenta, faltaram movimentações entre as linhas e praticamente não houve criatividade para desmontar a marcação cruz-maltina.
O problema vai além de uma derrota em clássico. O Fluminense transmite a impressão de que ainda procura uma forma de jogar, justamente em um momento da temporada em que deveria apresentar sua melhor versão.
Principais jogadores desapareceram nos momentos decisivos
Outro fator que aumenta a preocupação é o rendimento das principais peças do elenco.
Os jogadores mais experientes e tecnicamente qualificados, como foi o caso de Lucho Acosta e Savarin, não conseguiram assumir o protagonismo quando a equipe mais precisou. Em um confronto eliminatório, o Fluminense esperava que suas referências chamassem a responsabilidade, mas isso praticamente não aconteceu.
Sem liderança técnica dentro de campo, o time ficou previsível e teve enorme dificuldade para reagir quando o Vasco assumiu o controle emocional da partida.
Esse talvez seja um dos maiores problemas atuais do Fluminense. A equipe parece depender demais de momentos individuais, mas esses momentos simplesmente deixaram de aparecer nas últimas semanas.
John Kennedy mascarava parte dos problemas
Se existe um jogador que vinha sustentando o trabalho de Zubeldia nas últimas semanas, esse nome é John Kennedy.
Mesmo começando boa parte das partidas no banco de reservas, o atacante foi decisivo em diversos momentos, seja pelo Campeonato Brasileiro ou pela Libertadores. Entrando durante o segundo tempo, conseguia mudar o ritmo das partidas, criar oportunidades e resolver jogos que coletivamente não estavam funcionando.
Na prática, John Kennedy acabava escondendo problemas que já existiam na construção ofensiva do Fluminense. Contra o Vasco, porém, o roteiro foi diferente.
Além de não conseguir ser decisivo, o atacante ainda deixou o campo lesionado, aumentando ainda mais a preocupação para a sequência da temporada.
Caso realmente fique fora dos próximos compromissos, Zubeldia perde justamente o jogador que mais vinha oferecendo soluções quando o restante da equipe não conseguia produzir.
Pressão aumenta antes da Libertadores
A eliminação na Copa do Brasil acontece no pior momento possível.
Na próxima semana, o Fluminense inicia a disputa das oitavas de final da Libertadores, onde encontrará novamente o sólido Independiente Rivadavia, que por agora, não se encontra tão sólido. Numa competição que passou a concentrar praticamente todas as esperanças do clube em conquistar um título de grande expressão nesta temporada.
O problema é que o time chega para essa decisão cercado de dúvidas, sem John Kennedy a principio, e também, com um Hulk fora dos trilhos ainda, nem um pouco adaptado.
Além do baixo desempenho coletivo, existe preocupação com a condição física de alguns jogadores e com o momento psicológico do elenco após mais uma atuação decepcionante.
O próprio Zubeldia reconheceu após a eliminação que, se a postura da equipe esteve abaixo do esperado, a responsabilidade também passa por ele. O treinador pediu confiança para a sequência do trabalho e demonstrou acreditar que o Fluminense ainda pode responder na Libertadores.
Trabalho de Zubeldia ainda deve continuar?
Apesar da pressão crescer a cada partida, uma troca de treinador neste momento parece pouco provável.
Faltando poucos dias para uma decisão de Libertadores, mudar completamente a comissão técnica pode gerar ainda mais instabilidade em um elenco que já demonstra pouca confiança.
Além disso, muitos dos problemas apresentados pelo Fluminense não parecem estar relacionados apenas ao treinador.
O baixo rendimento individual de atletas importantes, a queda física após a Copa do Mundo e a dificuldade para encontrar alternativas ofensivas também ajudam a explicar a má fase da equipe.
Isso não significa que Zubeldia esteja livre de críticas.
Muito pelo contrário. O treinador ainda não conseguiu encontrar soluções para um time que claramente perdeu intensidade, criatividade e confiança nas últimas semanas. Se o desempenho continuar nesse nível, a pressão aumentará rapidamente.
Próximos jogos podem definir o rumo da temporada
O Fluminense entra em um momento decisivo precisando encontrar respostas imediatamente.
A eliminação para o Vasco não representa apenas a saída da Copa do Brasil. Ela evidencia que o time atravessa sua pior fase em 2026 justamente quando os confrontos mais importantes da temporada começam a aparecer.
A boa notícia para Zubeldia é que ainda existe tempo para reagir. A má notícia é que esse tempo é muito curto.
Sem John Kennedy em sua melhor forma, com os principais jogadores devendo futebol e um sistema coletivo que parece cada vez mais perdido, o treinador argentino chega às oitavas de final da Libertadores pressionado como nunca esteve desde sua chegada ao Fluminense.
Por enquanto, a tendência é de permanência, principalmente pela proximidade da decisão continental. Porém, caso o Fluminense continue apresentando atuações tão abaixo do esperado, a discussão deixará de ser se o trabalho de Zubeldia deve continuar e passará a ser até quando a diretoria conseguirá sustentar o treinador diante de uma temporada que começa, cada vez mais, a escapar das mãos.
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