Classificar-se para as quartas de final da Copa do Brasil consolidou ainda mais a força do Vitória dentro de casa. Após perder o primeiro jogo, por 2 a 0, diante do Athletico-PR, o Leão fez valer o mando de campo e não só reverteu a vantagem, como também goleou. Com uma noite inspirada de Renê, autor de dois gols, e completados pelos tentos de Erick e Marinho, o time de Jair Ventura espantou uma sequência ruim e mostrou que pode seguir surpreendendo na temporada.
O placar de 4 a 0 é realmente marcante. Entrou para o hall de momentos mais felizes da torcida em 2026, junto da conquista da Copa do Nordeste. Depois de virar sobre o Flamengo na fase anterior da Copa do Brasil, o Vitória dobrou o seu feito e fez do “impossível” uma realidade.
Jair Ventura sabe gerenciar um elenco e mantê-lo competitivo

Desde que chegou ao Vitória, em setembro de 2025, Jair Ventura tinha a missão, primeiramente, de fazer com que a equipe não caísse para a Série B. E assim o fez. O técnico deu um jeito na casa e manteve um trabalho que merece todos os reconhecimentos possíveis. Por sinal, ele é, sem sombra de dúvidas, o maior responsável pela boa fase do time e também o cérebro por trás da campanha do Leão, que aparece entre os oito melhores da Copa do Brasil.
Em casa, o time é letal. Dentro do Barradão, o Vitória tem um aproveitamento de 75% em 2026 e é um dos melhores mandantes da Série A. Foi no estádio que o time conquistou as viradas sobre o Flamengo e Athletico-PR, que, para além das coincidências das cores rubro-negras, são dois times que ocupam o G-4 do Brasileirão. Um indicativo de que o “Leão da Barra” é uma potência quando está em seus domínios.
Na noite de ontem, Jair Ventura provou que não tem apenas uma forma de jogar e ressaltou isso em entrevista coletiva. Para completar, ele ainda alfinetou o técnico adversário, Odair Hellmann, e disse que “precisa estudar mais”.
Eu vi um pouco da coletiva do nosso adversário, que estudou muito o Vitória, mas estudar a gente é difícil porque o Vitória não é um time de uma nota só. Já jogamos com dois noves, em 5-3-2, 5-4-1, 4-4-2, 4-2-3-1. Desde que estou aqui, há 11 meses, vocês sabem, né? Sempre bati nessa tecla — disse o técnico.
Estudar a gente é difícil, tem que estudar um pouco mais. Só dois jogos não vai dar para ver tudo que a gente faz. “Esse é o Vitória” — provocou.
A atuação “impecável” — nas palavras do próprio — começou com uma aposta interessante. Sem Emmanuel Martínez, expulso no jogo da ida, Jair Ventura apostou num 4-2-4 com dobradinha de Renê e Kayzer e com o retorno de Erick ao time titular, longe dos trios de zagueiros e volantes dos dois últimos jogos.
A resposta veio cedo. Empurrado pela torcida, o Vitória abriu o placar logo aos 11 minutos, quando Renê aproveitou rebote de Santos para diminuir a desvantagem no confronto.
Mesmo sem controlar completamente a posse de bola, o Leão conseguiu neutralizar as principais armas do Athletico. Viveros encontrou poucos espaços graças ao bom trabalho defensivo, enquanto Lucas Arcanjo praticamente não precisou fazer defesas na etapa inicial.
Na volta do intervalo, o Vitória manteve a intensidade, marcou mais duas vezes e ainda criou oportunidades para ampliar a goleada. Quando o árbitro encerrou a partida, o Barradão virou palco de uma verdadeira celebração, simbolizada pelas lágrimas de Marinho após marcar o gol que selou a classificação.
Renê, Erick e Zé Vitor, os nomes desse Vitória

Antes da virada, a sequência do Vitória não era boa, não vencia há quatro partidas e acumulava três derrotas consecutivas — incluindo o revés na ida para o Furacão. A produtividade ofensiva estava em escassez e, quando conseguiam criar lances de perigo, a bola não entrava. Ontem, Renê foi o principal nome da classificação e garantiu que a “maré de azar” fosse afastada.
Renê, o vice-artilheiro do Vitória na temporada de 2026
Dois gols e vice-artilheiro da temporada. Este é Renê Sousa, camisa 91 do Leão. O atacante foi muito elogiado por Jair Ventura na entrevista após a partida e ressaltou que sua trajetória é digna de todas as felicitações possíveis. Na mesma fala, ele ainda enfatizou o gol de Marinho, tratado como um ícone da torcida. Veja:
Fico feliz pelo Marinho e pelo Renê, que é um dos nossos artilheiros. Tive uma conversa com ele em particular, muito boa, mas não posso revelar, fica ali. A gente trabalha com 33 jogadores que têm personalidades diferentes. Alguns têm que bater e xingar, outros têm que dar carinho. Essa é a parte boa dos treinadores: gerir, lidar com pessoas.
Torço para que Renê possa ser artilheiro do Campeonato. Ele é um menino, veio da Série D, pode estar passando pelo primeiro momento de oscilação. Hoje estava muito feliz, mais feliz que eu. Estou feliz, espero que possam vir mais e mais tabus para quebrar.
Erick, importante contra o Flamengo e Athletico-PR
Já Erick também teve seu papel fundamental no resultado. Em mais uma demonstração de que as noites de Copa do Brasil seguem roteiros heroicos no Barradão, foi do camisa 33 o gol que empatou o placar agregado numa chapada de fora da área. O mesmo roteiro do tento que igualou o agregado e abriu os caminhos contra o Flamengo, na fase anterior, e de tantos outros gols do atacante no estádio rubro-negro.
Tanto o ponteiro quanto Renê contemplam o top-3 dos melhores marcadores da temporada 2026 do Vitória. O camisa 33 é o terceiro com 11 gols, já o camisa 99 é o segundo com 12; ambos só ficam atrás de Kayzer, com 13.
Zé Vitor virou dono do meio-campo
Um outro que pode passar despercebido é Zé Vitor. O camisa 88 não foi titular no jogo de ontem, mas entrou no intervalo e deu equilíbrio ao time na segunda etapa. Com sua estatura e capacidade de dominar o meio-campo, ele novamente fez uma ótima partida — é bem verdade que o cartão amarelo para Caíque Gonçalves favoreceu o cenário para que Zé entrasse, mas ainda assim Jair Ventura ressaltou que já havia um plano para que o grandalhão entrasse.
O volante, por sinal, aparece no topo do ranking de jogadores com mais duelos vencidos por 90 minutos no Campeonato Brasileiro. O levantamento, feito pelo perfil Data Futebol com dados da OPTA, mostra o jogador rubro-negro como destaque no quesito.
Zé Vitor venceu 56% dos duelos disputados no Brasileirão, com média de 12,22 por 90 minutos. O ranking considera apenas atletas com mais de 700 minutos em campo. Todas as estatísticas evidenciam a crucialidade do papel do jogador no esquema de Jair Ventura.
Próximos compromissos do Vitória
Flamengo (F): 09/08, 19h30 (de Brasília) – Brasileirão Série A 2026, 22ª rodada.
Botafogo (C): 16/08, 18h30 (de Brasília) – Brasileirão Série A 2026, 23ª rodada.
Bahia (C): 23/08, 16h (de Brasília) – Brasileirão Série A 2026, 24ª rodada.
Créditos da foto de capa: Victor Ferreira/EC Vitória



