Rosario Central x Corinthians, Libertadores 2026. Foto: Marcelo Manera/AFP.
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Corinthians sobrevive em Rosario, mas atuações ruins de peças importantes ligam alerta

O Corinthians voltou de Rosario com exatamente o resultado que precisava para manter o confronto completamente aberto. O 0 a 0 contra o Rosario Central, no Gigante de Arroyito, permite que o Timão decida a vaga nas quartas de final da Libertadores diante da própria torcida. Só que, apesar do resultado positivo, a atuação deixou uma sensação um pouco diferente.

Em uma semana marcada por problemas dentro e fora de campo, o Corinthians mostrou capacidade de resistência na Argentina. A defesa funcionou, Hugo Souza apareceu quando foi necessário e os zagueiros tiveram uma das melhores atuações coletivas recentes. O problema foi o outro lado da história: o time praticamente não conseguiu transformar recuperação de bola em perigo ofensivo.

A expulsão de Allan aos 35 minutos do segundo tempo aumentou ainda mais a dificuldade. Com um jogador a menos, Fernando Diniz precisou abandonar qualquer tentativa de controlar o jogo e passou a administrar o resultado. No fim, conseguiu.

O empate, portanto, deve ser comemorado. Mas também precisa ser analisado.

Defesa segura, ataque quase inexistente

Se existe um setor que merece elogios, é a defesa. O Rosario Central terminou o jogo com mais iniciativa e conseguiu pressionar principalmente na segunda etapa. Ángel Di María foi uma das principais armas argentinas, mas encontrou dificuldades para produzir diante da marcação corintiana. Hugo Souza também apareceu em momentos importantes, incluindo uma defesa em finalização perigosa do argentino.

Os números ajudam a explicar a partida. Segundo os dados computados, o Rosario teve cinco finalizações, enquanto o Corinthians terminou com apenas duas. Hugo fez duas defesas; Ledesma, goleiro argentino, precisou trabalhar apenas uma vez.

Ou seja: o Corinthians conseguiu impedir que o adversário transformasse o domínio territorial em uma quantidade enorme de oportunidades, mas também praticamente abriu mão de atacar.

Essa postura é compreensível diante do contexto. Jogar no Gigante de Arroyito, contra um Rosario Central forte como mandante, nunca seria simples. E o cenário ficou ainda mais complicado depois da expulsão de Allan.

Mas o problema é que essa falta de produção ofensiva não foi apenas consequência do cartão vermelho.

Antes dele, o Corinthians já encontrava dificuldades para construir ataques.

A equipe teve uma boa oportunidade com Matheus Bidu, que acertou o travessão, mas passou grande parte do jogo sem conseguir conectar seus jogadores de frente.

Peças importantes deixam mais dúvidas do que respostas

É justamente aqui que a atuação começa a preocupar.

Fernando Diniz precisou lidar com um elenco extremamente limitado no setor ofensivo. Yuri Alberto está lesionado, enquanto o caso envolvendo Memphis Depay tomou conta dos bastidores do clube durante a semana. A saída do holandês deixou o treinador com poucas alternativas para montar o ataque.

Pedro Raul recebeu mais uma oportunidade como referência ofensiva, mas novamente não conseguiu ser o ponto de apoio que o Corinthians precisava. Kaio César também teve participação discreta, enquanto o time encontrou dificuldade para aproximar seus homens de frente.

A situação é particularmente preocupante porque o Corinthians não pode depender exclusivamente da defesa para avançar na Libertadores.

O jogo de volta será na Neo Química Arena. A expectativa, naturalmente, é que o Timão tenha mais posse, tome a iniciativa e empurre o Rosario Central para trás. Só que isso exige justamente aquilo que faltou na Argentina: qualidade para criar e finalizar.

O cenário também coloca pressão sobre outros nomes importantes do elenco. Rodrigo Garro, por exemplo, precisa assumir maior protagonismo na construção ofensiva, especialmente em uma equipe que perdeu Memphis e está sem Yuri Alberto.

Diniz até conseguiu adaptar o estilo de jogo às circunstâncias. Com poucos atacantes disponíveis, o treinador vem priorizando uma equipe mais sólida, com menos posse e mais jogo direto.

Em Rosario, essa estratégia funcionou para o objetivo mais imediato. Mas será que será suficiente em São Paulo?

O Corinthians sobreviveu e agora precisa jogar

É justamente essa a grande questão que o empate deixa.

O Corinthians fez um bom resultado, mas não necessariamente uma boa partida. E existe uma diferença importante entre as duas coisas.

A equipe conseguiu sair de um estádio complicado sem sofrer gols, resistiu à pressão e ainda terminou o confronto com um jogador a menos. Para um time que chegava a Rosario pressionado por problemas internos, o resultado tem peso enorme. A própria análise do ge trata o empate como uma resposta importante depois de uma semana conturbada.

Por outro lado, o Corinthians precisará apresentar algo diferente na Neo Química Arena.

A torcida provavelmente empurrará o time desde os primeiros minutos, e o Rosario Central não terá a mesma obrigação de propor o jogo. Isso muda completamente o cenário. O Timão terá de encontrar espaços diante de uma equipe que pode se fechar e explorar os contra-ataques.

É aí que as atuações individuais passam a ser ainda mais importantes.

A defesa mostrou que pode sustentar o Corinthians em uma noite complicada. Hugo Souza, Gustavo Henrique, João Pedro e companhia deixaram uma impressão positiva. O problema é que ninguém ganha uma eliminatória apenas se defendendo.

O 0 a 0 mantém o Corinthians vivo e, de certa forma, coloca o time em uma situação confortável: basta vencer em casa para avançar.

Mas o jogo de Rosario também deixou um aviso. Se o Timão quiser continuar na Libertadores, precisará de mais do que resistência. Vai precisar jogar. E, principalmente, precisará que suas peças ofensivas mais importantes apareçam em um momento no qual não haverá espaço para uma atuação tão pobre na criação.

A defesa cumpriu seu papel na Argentina. Agora, a bola está com o ataque.

Créditos da foto de capa: Marcelo Manera/AFP.