Arman Tsarukyan
Lutas UFC

Tsarukyan “sai da geladeira”, mas ainda não recuperou o prestígio no UFC

Arman Tsarukyan saiu, definitivamente, da “geladeira” do UFC. Com a luta marcada contra Maurício Ruffy no UFC 331, em 19 de setembro, o armênio voltará a lutar pela organização após cerca de 10 meses. O duelo será o coevento principal da noite, em Los Angeles, e representa uma nova oportunidade para o número 2 do peso-leve recuperar espaço na corrida pelo cinturão.

A volta, porém, não significa que Arman Tsarukyan tenha recuperado todo o prestígio perdido nos últimos meses. O relacionamento com Dana White foi desgastado depois da desistência da luta contra Islam Makhachev, no UFC 311, além de outros episódios fora do octógono. O próprio Dana já havia deixado claro que o lutador conhecia as consequências de suas decisões.

Em entrevista coletiva recente, o CEO do UFC mostrou certo incômodo ao ser questionado se Tsarukyan está perdoado. A resposta, mais do que uma simples confirmação, transmite a ideia de que o armênio ainda está sendo observado. A sensação é de que Dana White está testando sua postura e tentando recuperar a confiança no atleta que chegou a desistir de uma disputa pelo cinturão “aos 45 minutos do segundo tempo”.

A escolha de Ruffy comprova o cenário

A escolha do adversário reforça essa leitura. Apesar de ser um dos lutadores mais habilidosos da divisão e ocupar o segundo lugar do ranking, Tsarukyan vai enfrentar um adversário que, naquele momento da montagem do confronto, aparecia na décima posição. Ruffy, é verdade, tem armas suficientes para tornar o duelo perigoso e chega embalado por uma vitória impressionante sobre Michael Chandler no UFC Freedom 250, realizado na Casa Branca. O brasileiro venceu por nocaute técnico ainda no primeiro round.

Isso torna o confronto mais equilibrado do que o ranking pode sugerir. Ruffy tem uma trocação explosiva, velocidade e poder de nocaute. Para Tsarukyan, portanto, não será uma luta simples. O brasileiro pode explorar justamente o período de inatividade no UFC e transformar a pressão sobre o favorito em uma vantagem competitiva.

Ainda assim, a vitória chega para Tsarukyan com peso de obrigação. Ele tem pouco a ganhar, mas alguns riscos importantes. Um triunfo sobre um rival abaixo dele no ranking não muda radicalmente sua posição na categoria. Uma derrota, por outro lado, pode interromper novamente sua caminhada pelo cinturão e levantar novas dúvidas sobre sua capacidade de lidar com a pressão.

O cenário poderia ser diferente. Mesmo com Justin Gaethje indicando que não pretende voltar a lutar em 2026, o UFC poderia ter escolhido um rival de nível mais alto para o armênio. A opção por Ruffy mostra que a organização prefere reconstruir seu caminho passo a passo, em vez de simplesmente devolver a ele uma disputa pelo título.

Tsarukyan sabe que vencer pode não ser suficiente

Tsarukyan parece entender essa realidade. Mesmo uma vitória convincente contra Ruffy pode não ser suficiente para garantir imediatamente uma disputa pelo cinturão. O próprio lutador reconhece que nada é garantido e afirmou que está disposto a aceitar outras lutas caso seja necessário.

Essa postura é importante porque muda a estratégia. Em vez de esperar que o UFC lhe devolva automaticamente o lugar de desafiante, Tsarukyan precisa reconstruir sua candidatura dentro do octógono. Isso significa manter atividade, vencer adversários relevantes e, principalmente, evitar novos episódios que possam desgastar sua relação com a organização.

Nesse processo, seu comportamento será observado por Dana White com lupa. O armênio já mostrou que pode ser um dos melhores pesos-leves do mundo, mas talento não é o único critério para chegar ao cinturão. Confiabilidade, disciplina e disponibilidade também pesam.

Por isso, entrar na linha e acumular vitórias é o caminho mais seguro. Tsarukyan finalmente deixou a geladeira, mas ainda precisa provar que merece voltar ao topo da fila. O confronto com Ruffy será menos uma celebração pelo retorno e mais o primeiro teste de uma nova fase. Se quiser voltar a sonhar com o cinturão, o armênio terá de transformar a confiança do UFC em algo conquistado luta após luta.

Foto: Getty Images