Rogério Ceni Bahia
Futebol Brasileirão

Segurança de Rogério Ceni ainda é suficiente para as ambições do Bahia?

O Bahia atravessa um momento que começa a preocupar não apenas pelos resultados, mas principalmente pela maneira como a equipe vem jogando. O empate por 3 a 3 com a Chapecoense, neste domingo, na Arena Condá, foi o quinto consecutivo do Tricolor no Campeonato Brasileiro e deixou uma pergunta cada vez mais difícil de ignorar: Rogério Ceni ainda consegue conduzir o time às ambições estabelecidas para a temporada?

É verdade que o Bahia está há sete partidas sem perder no Brasileirão. O problema é que a invencibilidade não vem acompanhada de vitórias. São cinco rodadas consecutivas empatando, e o desempenho apresentado contra a Chapecoense aumenta a preocupação. Diante do lanterna e dono do pior ataque da competição até então, o Tricolor sofreu três gols e novamente mostrou dificuldades para controlar uma partida que esteve em suas mãos em diferentes momentos.

O empate também expôs uma contradição. O Bahia teve posse de bola, ocupou o campo ofensivo e marcou três vezes, mas ainda assim terminou o jogo com apenas quatro finalizações no alvo em 17 tentativas. Ou seja, o volume ofensivo não se transformou em tantas oportunidades claras quanto poderia. Ao mesmo tempo, a defesa permitiu situações demais para um adversário que ocupa a última colocação.

Bahia tem volume, mas não transforma domínio em controle

O retorno de Erick Pulga ajudou a modificar o desenho ofensivo do Bahia. Rogério Ceni voltou a utilizar três atacantes na fase ofensiva, com Kauê Furquim pelo lado direito e Pulga mais aberto pela esquerda. O setor esquerdo funcionou melhor e concentrou boa parte das principais jogadas da equipe.

Foi justamente por esse lado que saiu o primeiro gol. Pulga aproveitou uma sobra dentro da área após cruzamento e sofreu o pênalti convertido por Alejo Véliz. A equipe tinha intensidade para pressionar a saída adversária e conseguia manter a posse próxima à área da Chapecoense.

O problema apareceu quando o Bahia precisou defender. Mesmo com sete jogadores dentro da área, o Tricolor permitiu o empate em uma jogada pelo lado esquerdo da defesa. Giovanni Augusto ficou no mano a mano com Roman Gómez e conseguiu finalizar. A falha mostrou que não era suficiente simplesmente colocar mais jogadores atrás da linha da bola: era necessário marcar melhor.

A situação se repetiu durante a partida. O Bahia voltava a ficar em vantagem, mas não conseguia controlar o adversário. Depois do segundo gol, construído novamente com participação importante de Pulga, a Chapecoense encontrou outra oportunidade em bola aérea e empatou.

A equipe de Ceni chegou a marcar o terceiro com Acevedo, em chute de fora da área, mas voltou a sofrer um gol pouco depois. Dessa vez, o problema veio de uma cobrança de lateral. O Bahia não conseguiu proteger o setor e Túlio deixou tudo igual.

Defesa vira principal preocupação para Ceni

O próprio Rogério Ceni reconheceu o problema após a partida. O treinador afirmou que o Bahia fez um bom jogo com a bola, mas falhou muito defensivamente, destacando especialmente as bolas alçadas para a área e a desatenção na cobrança de lateral que originou o terceiro gol da Chapecoense.

A questão é que sofrer três gols diante do lanterna não pode ser tratado apenas como um acidente isolado. O Bahia chegou a esse confronto carregando uma sequência de empates e precisava justamente de uma vitória para recuperar o embalo. Em vez disso, permitiu que o adversário encontrasse três vezes o caminho do gol.

E existe outro ponto importante: o Bahia não perdeu porque foi completamente dominado. Pelo contrário. A equipe teve mais posse, passou boa parte do jogo no campo de ataque e conseguiu marcar três gols. O problema foi não saber transformar essa superioridade em uma vitória.

Essa característica acompanha o Tricolor nas últimas rodadas. A equipe consegue competir, mas deixa escapar pontos que poderiam fazer diferença na tabela. Quando o ataque não é suficientemente eficiente para abrir vantagem confortável, a defesa precisa oferecer segurança. Contra a Chapecoense, nenhuma das duas coisas aconteceu de maneira consistente.

As mudanças feitas por Ceni também não foram suficientes para mudar o panorama. Roman Gómez, Luciano Juba, Jean Lucas e Kauê Furquim deixaram o campo, enquanto Caio Alexandre, Zé Guilherme, Erick e Sanabria entraram. Michel Araújo também participou da reta final. Mesmo com as alterações, o Bahia demorou a assimilar o terceiro empate e não conseguiu transformar a pressão final em vitória.

Ba-Vi pode aumentar pressão sobre Rogério Ceni

É justamente por isso que o próximo compromisso ganha uma dimensão ainda maior. O Bahia terá pela frente o Vitória, no Barradão, pela 24ª rodada do Brasileirão. O clássico Ba-Vi chega em um momento particularmente delicado para o Tricolor.

Do outro lado, o Vitória chega embalado por uma vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo, justamente no Barradão. Foi o primeiro triunfo do Rubro-Negro no segundo turno. O Bahia, portanto, terá pela frente um adversário que ganhou confiança enquanto o Tricolor acumula empates.

A pressão sobre Ceni também começa a crescer. Não significa que uma eventual troca de treinador seja inevitável, mas o contexto já não é confortável. O Bahia tem ambições maiores no campeonato e precisa voltar a vencer para que a sequência de empates não comprometa seus objetivos.

Existe ainda um componente importante nos bastidores. A multa rescisória de Ceni e a filosofia do Grupo City são fatores que podem pesar em qualquer discussão sobre uma eventual mudança no comando. Por isso, a tendência é que a avaliação do trabalho passe primeiro pela capacidade do treinador de corrigir os problemas apresentados em campo.

E o Ba-Vi pode ser justamente esse teste. Uma vitória no clássico pode interromper a sequência de empates, recuperar confiança e aliviar a pressão sobre o trabalho de Ceni. Uma nova atuação ruim, principalmente com falhas defensivas, aumentará inevitavelmente os questionamentos.

Bahia precisa mostrar evolução rapidamente

A questão central não é simplesmente saber se Rogério Ceni é um treinador capaz de comandar o Bahia. O técnico já conhece o elenco, tem uma ideia de jogo estabelecida e conseguiu manter o time competitivo em boa parte da temporada. O problema é descobrir se esse modelo ainda está sendo suficiente para alcançar os objetivos do clube.

O empate com a Chapecoense mostra que existe um desequilíbrio preocupante. O Bahia consegue produzir, mas não cria tantas chances claras quanto o volume de posse sugere. E, quando perde a bola ou precisa defender, oferece espaços que um adversário em situação tão delicada não poderia receber.

Com cinco empates consecutivos, a margem para comemorar a invencibilidade diminuiu. Permanecer sete jogos sem perder é um dado positivo, mas cinco rodadas sem vencer mostram que o Bahia precisa de mais do que regularidade: precisa transformar desempenho em três pontos.

Por isso, a segurança de Ceni dependerá cada vez mais de respostas concretas. O treinador terá uma semana para corrigir os problemas antes de enfrentar o Vitória. Mais do que vencer um clássico, o Bahia precisa mostrar que ainda consegue evoluir coletivamente.

A partida contra a Chapecoense deixou claro que o time está longe de encontrar seu melhor momento. E, com o Campeonato Brasileiro avançando, o Bahia não pode continuar tratando empates como se fossem suficientes. O próximo Ba-Vi pode ser o primeiro grande teste para saber se Ceni conseguirá recolocar o Tricolor no caminho das vitórias — e, principalmente, se ainda terá tempo para fazer o time alcançar as ambições projetadas para a temporada.

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