O MMA francês vive um momento de crescimento, e a Hexagone MMA quer aproveitar esse cenário para ampliar ainda mais sua presença.
Fundada em 2021 pelos irmãos Jérôme e Laurent Pourrut, a organização rapidamente se transformou em uma das principais promotoras de eventos de artes marciais mistas da França e agora trabalha com um objetivo ainda maior: construir uma presença consolidada em toda a Europa.
Em poucos anos de atividade, a Hexagone já realizou dezenas de eventos, percorreu diferentes regiões da França e também levou seus cards para outros países. A organização já passou por locais como Alemanha, Holanda, Hungria, Bélgica e Emirados Árabes Unidos.
O próximo passo, segundo os planos apresentados por Jérôme Pourrut, é ampliar essa lista.
A meta é que a Hexagone MMA consiga se tornar, até 2028, uma das principais organizações do cenário europeu. Para isso, a empresa pretende utilizar a estrutura construída dentro da França como base para avançar em outros mercados.
O crescimento também acontece em um momento importante para o MMA francês. A modalidade foi legalizada oficialmente no país apenas em 2020, o que significa que o esporte ainda está construindo sua estrutura institucional.
A chegada do UFC à França, em 2022, ajudou a aumentar a visibilidade do MMA e a mudar a percepção do público sobre a modalidade.
Agora, organizações locais como a Hexagone tentam aproveitar esse crescimento para fortalecer o cenário nacional e, ao mesmo tempo, criar uma alternativa europeia capaz de revelar novos talentos e realizar eventos em grande escala.
Da expansão pela França ao objetivo de conquistar novos mercados

A estratégia inicial da Hexagone MMA foi clara: não concentrar seus eventos apenas em Paris.
Jérôme Pourrut explicou que uma das principais ideias da organização era levar o MMA para diferentes regiões do país.
A Hexagone já realizou eventos em cidades como Lille, Bordeaux, Montpellier, Aix, Lyon, Estrasburgo e Paris, além de planejar novas edições em outras localidades. A ideia era construir uma presença nacional antes de iniciar uma expansão mais agressiva para outros países.
Os números alcançados ajudam a explicar a confiança da organização. Segundo Pourrut, a Hexagone já conseguiu realizar eventos com arenas recebendo cerca de 12 mil espectadores. Além disso, o Hexagone MMA 45 teria alcançado 137 milhões de visualizações nas plataformas Instagram, Facebook e TikTok.
A organização também possui distribuição internacional e transmissão em aproximadamente 150 países. Esse alcance é visto como uma das principais ferramentas para escolher os próximos mercados.
Alemanha, Hungria, Sérvia, Suíça e Espanha estão entre os países citados por Pourrut como possíveis destinos para os próximos anos. A Alemanha, por exemplo, já possui parceiros de transmissão ligados à organização, enquanto a Hexagone também pretende retornar à Hungria após eventos realizados anteriormente no país.
O plano, portanto, não é simplesmente realizar eventos isolados fora da França. A intenção é construir uma presença progressiva em mercados onde a organização acredita já possuir público, parceiros e potencial de crescimento.
A meta é ambiciosa. Pourrut afirmou que deseja ver a Hexagone se tornar uma força predominante no MMA europeu até 2028. Para isso, a organização pretende continuar aumentando seu número de eventos e fortalecendo sua capacidade de atrair espectadores.
A Hexagone já realizou mais de dez eventos em um único ano, um volume significativo para uma organização relativamente jovem. Em aproximadamente seis anos desde a legalização do MMA na França, a promotora chegou a 45 eventos e construiu uma estrutura que agora pretende levar para outros países.
O crescimento do MMA francês e os desafios para o futuro

A expansão da Hexagone acontece paralelamente ao desenvolvimento do próprio MMA na França.
A legalização do esporte em 2020 abriu espaço para a realização oficial de eventos e para o crescimento de academias, atletas e organizações.
A chegada do UFC ao país dois anos depois acelerou ainda mais esse processo. Antes, o MMA ainda enfrentava questionamentos de parte do público, especialmente relacionados às regras e ao formato das lutas. Com a presença da maior organização do mundo, a modalidade ganhou maior legitimidade.
O sucesso de atletas franceses também ajudou nesse processo. Ciryl Gane, por exemplo, tornou-se um dos principais nomes do MMA francês e conquistou o cinturão interino dos pesos pesados do UFC em duas oportunidades.
A expectativa agora é que o crescimento do esporte resulte em uma estrutura mais forte. Atualmente, o MMA francês ainda está ligado à administração da federação de boxe, mas uma nova etapa deve começar com a criação de uma estrutura independente.
Para Pourrut, essa mudança poderá ajudar no desenvolvimento do esporte, especialmente na organização do cenário amador e na formação de atletas.
A Hexagone também busca participar diretamente desse processo. A organização trabalha na identificação de jovens talentos franceses e acompanha atletas que vêm se destacando em competições da Federação Internacional de Artes Marciais Mistas, a IMMAF.
Nomes como Oualy Tandia, Paul Denis Navero, Samba Sima, Mathilde Aschenbrenner e Oceane Samson foram citados como exemplos de lutadores identificados pela organização. O objetivo é criar um caminho para que atletas franceses possam crescer dentro do cenário nacional e, no futuro, alcançar organizações como o UFC.
Ao mesmo tempo, a Hexagone precisa lidar com os desafios naturais de uma organização em expansão. Um exemplo recente foi o cancelamento de um evento que seria realizado no histórico Teatro Romano de Orange devido à forte onda de calor que atingiu a Europa. A edição teria como luta principal o confronto entre Wilson Varela e Damien Lapilus.
A previsão indicava temperaturas de até 38 graus Celsius, enquanto as regras da federação exigem que a temperatura na área de luta permaneça abaixo dos 30 graus. A decisão foi cancelar o evento para evitar riscos aos atletas e ao público.
Mesmo diante desses obstáculos, a Hexagone MMA mantém uma visão clara para o futuro. A organização quer continuar crescendo na França, ajudar na consolidação do esporte e, posteriormente, transformar esse sucesso nacional em uma presença permanente em outros países.
Mais do que competir apenas pelo espaço no mercado, Jérôme Pourrut defende que o principal objetivo é representar o MMA como esporte. A Hexagone começou sua trajetória como uma organização em crescimento dentro de um cenário que ainda buscava espaço na França. Agora, com dezenas de eventos realizados, grandes números de público e alcance internacional, a meta é transformar esse desenvolvimento em uma das principais histórias de sucesso do MMA europeu.
(Foto de capa: Temple)



