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Premier League muda regra para tentar acabar com a “guerra” nos escanteios

A Premier League decidiu apertar o cerco contra um problema que se tornou cada vez mais comum nas partidas: os agarrões, empurrões e disputas físicas dentro da área durante cobranças de escanteio e outras bolas paradas.

Na última temporada, essas situações passaram a aparecer com tanta frequência que se transformaram em uma das principais discussões sobre arbitragem no futebol inglês. Atacantes e defensores passaram a travar verdadeiras disputas antes mesmo de a bola ser colocada em jogo, com jogadores segurando camisas, puxando adversários e tentando impedir seus movimentos.

O problema ficou ainda mais evidente em maio, quando o West Ham teve um gol anulado contra o Arsenal depois de uma jogada em que até cinco possíveis faltas aconteceram praticamente ao mesmo tempo.

A partir da temporada 2026/27, a Premier League quer mudar esse cenário. A legislação do futebol não foi alterada, mas a orientação dada aos árbitros ficou mais rígida. A intenção é fazer com que as infrações sejam identificadas e punidas antes que esse comportamento se torne parte normal das jogadas de bola parada.

Árbitros terão que punir mais os agarrões

Foto: Getty Images

A principal mudança está na interpretação das chamadas “ações de agarramento sem relação com o futebol”. Na prática, o árbitro deverá observar com mais atenção jogadores que estejam preocupados exclusivamente em impedir o movimento do adversário, sem qualquer intenção de disputar a bola.

Entre as situações que poderão resultar em punição estão jogadores que seguram o adversário com os dois braços, agarram sua camisa de maneira prolongada ou impedem de forma clara o deslocamento de um atacante.

A orientação é especialmente importante porque muitas dessas infrações acontecem longe da bola. Em um escanteio, por exemplo, um defensor pode estar de costas para a cobrança e simplesmente abraçar ou puxar o atacante para impedir que ele chegue à região onde a bola será lançada.

Até agora, muitos desses lances não eram punidos com a mesma frequência.

Os números ajudam a explicar a preocupação. Das 20 intervenções de VAR que não aconteceram na temporada passada e que foram posteriormente identificadas como possíveis erros, um quarto envolvia pênaltis que não foram marcados depois de jogadores serem derrubados por agarrões longe da bola.

A Premier League quer mudar esse comportamento sem transformar qualquer contato físico em falta.

Howard Webb, chefe da arbitragem inglesa, deixou claro que os árbitros receberão a orientação para agir mais cedo. A ideia é ter menos advertências verbais e mais punições quando uma infração realmente acontecer.

O objetivo final é fazer com que os próprios jogadores mudem seu comportamento. Se os defensores perceberem que agarrar um atacante dentro da área resultará em uma punição, a tendência é que esse tipo de ação diminua naturalmente.

O equilíbrio entre contato físico e exagero

Foto: Getty Images

Um dos maiores desafios da nova orientação será encontrar o equilíbrio.

O futebol é um esporte de contato e nem todo choque dentro da área pode ser transformado em pênalti. Por isso, a Premier League não pretende simplesmente copiar a postura mais rígida utilizada na Copa do Mundo.

Um dos exemplos envolve os goleiros. A competição mundial apresentou uma abordagem mais protetora com os jogadores que defendem a meta, principalmente em situações de escanteio.

Na Premier League, porém, o contato continuará sendo permitido em determinadas circunstâncias.

Um goleiro não terá automaticamente um lance interrompido ou um gol anulado apenas porque sofreu um contato enquanto disputava uma bola. A punição será aplicada quando houver uma ação clara que prejudique sua capacidade de participar da jogada.

Um bom exemplo é quando um atacante restringe o movimento do braço do goleiro. Nesse caso, a ação pode ser considerada uma infração porque interfere diretamente na possibilidade de o jogador disputar a bola.

Essa diferença será fundamental para o sucesso da mudança. Se os árbitros começarem a marcar qualquer contato, a tendência será de excesso de interrupções e reclamações. Se forem permissivos demais, os agarrões continuarão acontecendo.

Arsenal pode ser um dos grandes afetados

Mikel Arteta Arsenal

A mudança também pode alterar o equilíbrio das equipes nas bolas paradas.

Na temporada passada, o Arsenal foi o grande destaque nesse fundamento. Os Gunners marcaram 25 gols em bolas paradas, o melhor número da Premier League.

A equipe também foi extremamente eficiente defensivamente. Sofreu apenas sete gols em bolas paradas, o menor número da competição.

O sucesso do Arsenal não aconteceu apenas por causa da força física. O clube também desenvolveu diversas jogadas ensaiadas e movimentações específicas para criar espaços dentro da área.

Ainda assim, a equipe utilizou bastante contato físico em determinadas situações.

Por isso, será interessante observar se o novo padrão de arbitragem afetará algumas das estratégias utilizadas pelo Arsenal.

Manchester United e Tottenham também tiveram números ofensivos importantes. O United marcou 21 gols em bolas paradas, enquanto o Tottenham chegou a 19.

Do outro lado, o Liverpool aparece como um dos times que mais pode se beneficiar da mudança defensivamente.

Os Reds sofreram 19 gols em bolas paradas, o pior número da Premier League na temporada passada. Chelsea e Newcastle também tiveram problemas, com 17 gols sofridos cada.

Se a nova interpretação conseguir reduzir a quantidade de agarrões dentro da área, equipes que sofreram muitos gols nesse tipo de jogada podem apresentar melhora defensiva.

A mudança vai funcionar?

Essa é a grande questão.

Mudanças na arbitragem costumam começar com bastante rigor e depois perder força ao longo da temporada. A própria percepção dos jogadores e treinadores pode mudar conforme os árbitros aplicarem a nova orientação.

A Premier League terá que manter o mesmo padrão durante toda a temporada para evitar que as equipes simplesmente voltem aos velhos hábitos.

A intenção, segundo Howard Webb, a ideia é fazer com que os jogadores percebam que determinadas ações não serão mais toleradas.

Se isso acontecer, o efeito pode ser positivo para o futebol. Menos agarrões significam mais espaço para os jogadores se movimentarem, menos discussões dentro da área e, principalmente, decisões mais claras para os árbitros.

Por outro lado, se cada contato for interpretado como falta, o futebol poderá ficar excessivamente fragmentado.

A temporada 2026/27 será, portanto, um grande teste para a nova abordagem. A Premier League não mudou as regras do jogo, mas está tentando mudar a maneira como elas são aplicadas.

O objetivo é simples: acabar com a verdadeira “guerra” que se formou dentro das áreas nos escanteios sem retirar do futebol o contato físico que sempre fez parte do esporte.

(Foto de capa: Getty Images)

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Kaique