O Vasco entrou em uma corrida contra o relógio. A tentativa de liberar um empréstimo de até R$ 150 milhões, que poderia dar fôlego ao caixa da SAF, voltou a ser travada pela Justiça nesta semana. A decisão mantém o clube em uma situação financeira delicada justamente no momento em que a diretoria tenta reforçar um elenco que luta contra o rebaixamento no Brasileirão.
O problema não é apenas a ausência do dinheiro para contratar. O recurso já fazia parte do planejamento financeiro do Vasco, que chegou a considerar sua utilização tanto para despesas correntes quanto para o mercado. Documentos apresentados à Justiça indicam uma previsão de aproximadamente R$ 86,4 milhões em reforços entre agosto e setembro, enquanto a magistrada questionou justamente a compatibilidade desse planejamento com a situação financeira do clube.
Nesse cenário, insistir em jogadores caros seria uma aposta de altíssimo risco. O Vasco precisa fazer o movimento contrário: procurar atletas de custo menor, potencial de valorização e, principalmente, que possam resolver necessidades específicas do elenco. Não significa abandonar a ambição. Significa mudar o modelo de contratação.
Confira 5 nomes criativos para o Vasco buscar no mercado:
Kevin Jappert (Barracas Central)
Aos 22 anos, Kevin Jappert representa exatamente o tipo de operação que um Vasco financeiramente limitado deveria procurar. O zagueiro argentino pertence ao Atlético de Rafaela e atua no Barracas Central, onde vem acumulando experiência no futebol argentino. Em 2026, soma partidas pela liga nacional e também pela Copa Sul-Americana. Seu valor de mercado é estimado em cerca de € 2,3 milhões, segundo bases especializadas.
O atrativo de Jappert está menos no impacto imediato de um jogador consagrado e mais na possibilidade de construir um ativo. Com 1,89 m, juventude e experiência profissional crescente, ele poderia chegar ao futebol brasileiro com espaço para desenvolvimento. É exatamente o tipo de contratação em que o Vasco pode tentar gastar pouco agora para, no futuro, ter um jogador de valor muito maior.
Para um clube que precisa recuperar capacidade de investimento, contratar potencial em vez de nome pode ser uma das maneiras mais inteligentes de utilizar recursos escassos.
Mikael (CRB)
Se existe uma contratação da lista que faria sentido exclusivamente pelo momento vivido pelo jogador, é Mikael. O centroavante do CRB está tendo uma temporada extraordinária. Depois de um período complicado na carreira, incluindo dois anos sem atuar e problemas relacionados ao joelho, o atacante se recuperou no futebol alagoano e se transformou em um dos principais goleadores do país. O desempenho despertou interesse de clubes maiores, mas o CRB tem resistido às investidas.
O ponto mais importante para o Vasco é que Mikael não precisaria ser encarado como uma contratação de grife. O jogador está em ascensão e ainda pode representar uma operação financeiramente acessível diante do mercado de centroavantes. Há relatos de uma possibilidade de negócio na casa dos R$ 10 milhões, valor que, embora não seja pequeno para o Vasco atual, está muito distante das operações milionárias que o clube precisaria fazer para buscar atacantes de maior renome.
O risco é óbvio: Mikael precisa provar que a temporada excepcional não é um ponto fora da curva. Mas é justamente esse risco que pode tornar a operação interessante. Se o Vasco conseguir comprar o jogador em um momento anterior à consolidação definitiva no mercado, poderá adquirir um atacante que ainda tem margem para valorização.
Lucas Fasson (Lokomotiv Moscou)
Lucas Fasson talvez seja o nome mais curioso da lista porque não é uma possibilidade completamente desconhecida dentro do Vasco. O zagueiro já foi oferecido ao clube e seu nome chegou a ser estudado pela diretoria. Na ocasião, porém, o Cruz-Maltino não considerava o jogador a prioridade para o setor.
Formado pelo São Paulo, Fasson passou por Deportes La Serena e Athletico-PR antes de chegar ao Lokomotiv Moscou, onde se estabeleceu no futebol russo. É um zagueiro canhoto, de 1,87 m, com qualidade na saída de bola e experiência internacional. Seu contrato com o clube russo foi estendido até 2030, o que naturalmente torna uma negociação definitiva mais complexa.
Ainda assim, é um jogador que merece ser reavaliado justamente porque o contexto financeiro mudou. Uma contratação por empréstimo, eventualmente com opção de compra, poderia ser uma solução mais compatível com o caixa atual do Vasco do que uma aquisição de alto valor. E, por ser brasileiro e ainda jovem, Fasson também teria potencial de revenda.
Gui Lobo (Criciúma)
O Vasco também não precisa necessariamente procurar suas soluções em grandes clubes. Gui Lobo, do Criciúma, é um exemplo de jogador que poderia ser encontrado dentro do próprio futebol brasileiro antes de atingir um patamar de mercado mais elevado.
O volante de 26 anos se tornou uma peça importante do Criciúma e tem participação frequente na Série B de 2026. O jogador chegou ao clube depois de passar pelo futebol catarinense e teve seu contrato renovado até o final de 2027 após conquistar espaço no elenco.
A história de Gui Lobo também representa uma característica que o Vasco deveria valorizar: jogadores em trajetória ascendente. Ele não chega com o peso de uma grande contratação, mas pode oferecer intensidade, trabalho e margem para adaptação ao futebol de Série A.
É uma operação de menor custo e, principalmente, de menor risco financeiro. Se funcionar, o Vasco ganha um jogador útil. Se o atleta evoluir, ganha também um ativo.
Emerson Pata (Independiente Del Valle)
Entre os cinco nomes, Emerson Pata talvez seja aquele que mais representa a ideia de contratar antes de o mercado perceber completamente o jogador. Aos 22 anos, o equatoriano formado pelo Independiente del Valle atua pelas duas pontas e combina velocidade, agressividade e capacidade de atacar espaços. Em 2026, sua evolução ganhou números: são oito gols e duas assistências em 31 partidas pelo clube.
Pata também não seria uma aposta baseada apenas em estatísticas de uma temporada. O jogador passou pela formação de um dos clubes mais reconhecidos da América do Sul no desenvolvimento de jovens talentos e teve uma experiência no futebol português pelo Paços de Ferreira. No próprio futebol brasileiro, seu nome já apareceu diante do Vasco: em 2025, foi titular do Independiente del Valle nos confrontos contra o clube pela Copa Sul-Americana.
A operação faria sentido justamente porque Pata ainda não atingiu o teto de seu valor de mercado. O Vasco poderia buscar um atacante que ainda tem espaço para desenvolvimento e, caso consiga adaptá-lo ao futebol brasileiro, transformar uma contratação de baixo custo em um ativo importante. É o tipo de movimento que combina melhor com a realidade financeira atual do clube do que apostar em um jogador experiente e caro.
(Foto: Divulgação/Independiente Del Valle)


