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NFL: confira a prévia da Playmaker Brasil para a AFC East

A AFC East chega a 2026 dividida entre dois níveis bem distintos. De um lado, Patriots e Bills seguem como os candidatos ao título da divisão, travando o que já se tornou uma corrida de dois cavalos nos últimos anos na divisão mais monopolizada da NFL

Nos 24 anos desde a reformulação das divisões da NFL, New England já venceu 17 vezes, e a conquista de 2025 encerrou uma sequência de cinco títulos consecutivos dos Bills de Josh Allen e companhia, um sinal de que o equilíbrio de forças na divisão pode estar mudando, mas sem que nenhum dos dois times tenha se tornado claramente dominante.

Panorama geral: Patriots vem de título de conferência mas Bills querem retomar o controle da divisão

Os Patriots chegam como campeões da AFC, reforçados pela contratação de A.J. Brown, que deve dar a Drake Maye um verdadeiro recebedor número 1. O principal ponto de interrogação do time está na defesa: com seus principais destaques saindo ou lidando com lesão, New England precisa que as novas peças de pass rush entreguem pressão de forma consistente.

Já os Bills apostam em mudanças estruturais após a saída do técnico Sean McDermott, cujas defesas falharam em momentos decisivos de playoffs ao longo dos últimos anos. O ataque, no entanto, permanece como um dos mais produtivos da liga desde a chegada de Joe Brady como coordenador, e a aposta agora é resolver o problema crônico de defesa contra corrida, seja pela mudança de esquema defensivo, seja pela contratação de reforços como Bradley Chubb.

No outro extremo da divisão, Dolphins e Jets vivem processos claros de reconstrução, ainda que com abordagens e expectativas diferentes. Miami optou por um saldão de nomes consagrados, apostando em um time jovem para sustentar a temporada, com o grupo de recebedores praticamente inexistente em termos de experiência.

Os Jets, por sua vez, tentam uma reconstrução mais imediata, trazendo veteranos como Demario Davis e Minkah Fitzpatrick para mudar a cultura do vestiário e contratando Geno Smith como quarterback titular, combinação que, ao menos no papel, projeta um time bem mais competitivo do que o de 2025, mesmo com fragilidade evidente na posição de reserva de quarterback.

Confira a prévia da AFC East:

Buffalo Bills

Depois de mais uma eliminação amarga nos playoffs, dessa vez na prorrogação para os Broncos, os Bills optaram pela ruptura: demitiram o técnico Sean McDermott, responsável por defesas que quebraram justamente nos momentos decisivos, permitindo 27 ou mais pontos nas últimas seis eliminações de playoffs.

A resposta veio na contratação do pass rusher Bradley Chubb e na mudança de esquema defensivo para um 3-4, sob comando do coordenador Jim Leonhard. O objetivo é corrigir a pior fraqueza do time: uma defesa contra corrida que terminou 2025 como a 3a pior da liga em jardas por tentativa, exposta por nomes como Bijan Robinson e De’Von Achane.

O ataque, por outro lado, não é motivo de preocupação. A grande dúvida é se a produção irá se sustentar sem o técnico de linha ofensiva Aaron Kromer, que se aposentou e era peça fundamental tanto na proteção de Josh Allen quanto no sucesso do ataque terrestre.

Por isso, os Bills seguem como candidatos ao título da AFC East, mas com uma temporada de transição pela frente. Se a defesa finalmente resolver o problema contra a corrida e a linha ofensiva absorver bem a saída de Kromer, Buffalo tem elenco para brigar de igual para igual com New England.

Head coach: Joe Brady

Expectativa de campanha: 13 vitórias, 4 derrotas

New England Patriots

Os Patriots chegam a 2026 como o time a ser batido na divisão, mas carregando a frustração de ter perdido a decisão da AFC depois de uma temporada quase perfeita. A resposta da offseason foi trazer A.J. Brown, um recebedor capaz de vencer marcações individuais e que agora dá a Drake Maye a arma externa que faltava para transformar o ataque em uma unidade de elite.

O problema, no entanto, está do outro lado da bola. Harold Landry, líder do time em sacks na temporada passada, lida com uma lesão preocupante no joelho, e K’Lavon Chaisson, segundo colocado na mesma estatística, foi para os Commanders. Para tentar compensar essas perdas, New England apostou em Dre’Mont Jones e no calouro Gabe Jacas, selecionado na 2a rodada do NFL Draft, mesmo que este último tenha treinado pouco neste verão.

A grande dúvida é justamente essa: os Patriots conseguirão gerar pressão de forma consistente ao longo de uma temporada inteira? Depois de terminar 2025 com a sexta menor quantidade de pressões da liga na fase regular, o time só conseguiu parar os adversários nos playoffs blitzando em 48% das jogadas, uma estratégia eficiente, mas difícil de sustentar por 17 semanas.

O calendário também preocupa. os Patriots tem o 6o calendário mais difícil da NFL nesta temporada, contrastando com o 3o calendário mais fácil da temporada passada. Diferente do ano passado, esse ano os Patriots terão adversário fortes ao longo de toda a temporada. Por isso, não se surpreenda com um número de vitórias inferior nesse ano vindo do time de Drake Maye.

Ainda assim, com Brown reforçando o ataque e Maye em ascensão, New England segue como um dos favoritos da AFC East. O risco está em depender de blitzes constantes para esconder a fragilidade do pass rush tradicional; se a defesa não evoluir, os Patriots podem repetir os mesmos problemas que os tiraram do caminho do título na temporada passada.

essas perdas, New England apostou em Dre’Mont Jones e no rookie Gabe Jacas, mesmo que este último tenha treinado pouco neste verão.

Head coach: Mike Vrabel

Expectativa de campanha: 11 vitórias, 6 derrotas

New York Jets

Depois de uma temporada desastrosa, onde se tornaram o primeiro time da era moderna da NFL que não interceptou um passe adversário a temporada inteira, os Jets apostaram em mudança de cultura e em experiência para acelerar a reconstrução. O GM Darren Mougey e o técnico Aaron Glenn trouxeram veteranos como Demario Davis (37 anos) e Minkah Fitzpatrick (29), somando essas contratações a um bom fluxo de talento jovem já presente no elenco.

A peça central dessa reconstrução, porém, é a chegada de Geno Smith como quarterback titular. Diferente da situação difícil que viveu em Las Vegas na temporada passada, Smith agora conta com uma linha ofensiva em crescimento e múltiplas armas entre recebedores, corredores e tight ends.

A grande dúvida está no banco: não existe, hoje, um reserva viável para a posição. A disputa segue entre Bailey Zappe, o rookie de quarta rodada Cade Klubnik e Brady Cook. Do lado positivo, a 2a escolha geral do último NFL Draft, o pass rusher David Bailey, vem dominando os treinos de pré-temporada e pode se tornar rapidamente uma das principais estrelas da posição na liga.

Combinando os reforços veteranos com a chegada de Smith, os Jets projetam um time significativamente melhor do que o de 2025. O risco está justamente na saúde de Smith: qualquer lesão expõe uma fragilidade grave na posição e pode comprometer toda a reconstrução ainda neste primeiro ano.

Head coach: Aaron Glenn

Expectativa de campanha: 4 vitórias, 13 derrotas

Miami Dolphins

Os Dolphins entram em 2026 no meio de uma reconstrução total. O quarterback Tua Tagovailoa se juntou a Tyreek Hill e Jaylen Waddle na lista de ex-jogadores do time, em um saldão que deixou Miami com mais de 165 milhões de dólares em dinheiro para atletas fora do time, o chamado dead money, mais do que o Cincinnati paga por todo o seu ataque. Ainda assim, a franquia insiste que pretende competir, apostando em uma reconstrução cultural.

A principal aposta da offseason foi a escolha do guard Kadyn Proctor, de Alabama, no pick geral 12 do draft. Ao lado do center All-Pro Aaron Brewer, Proctor deve sustentar um ataque terrestre explosivo, puxado pelas pernas do running back De’Von Achane e do quarterback Malik Willis.

A grande dúvida é para quem Willis vai passar. Na prática, o principal recebedor do time é o próprio running back, já que o grupo de wide receivers é formado por jogadores de fundo de elenco ou novatos, como Chris Bell (pick 94) e Caleb Douglas (pick 75), que terão uma oportunidade significativa logo de cara.

Miami, portanto, entra em 2026 como o time mais imprevisível da divisão. O 2o calendário mais difícil da NFL inteira faz muita gente ter medo de confiar nos Dolphins. Portanto, não se surpreenda com o time de Miami escolhendo no começo do NFL Draft de 2027…

Head coach: Jeff Hafley

Expectativa de campanha: 2 vitórias, 15 derrotas

Foto: David Butler II-Imagn Images