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Automobilismo Fórmula 1

Norris volta a sonhar com o título após sequência perfeita, mas pede mais à McLaren

Lando Norris voltou a transformar uma temporada que parecia praticamente perdida em uma disputa que pode ganhar novos capítulos nas próximas corridas. O piloto da McLaren venceu o Grande Prêmio da Holanda neste domingo, em Zandvoort, e conquistou sua segunda vitória consecutiva na temporada de 2026. O resultado reduziu para 83 pontos sua desvantagem para Kimi Antonelli, líder do campeonato.

A vitória foi especialmente importante porque Norris precisou recuperar a liderança durante a corrida. Depois do acidente de Max Verstappen na primeira volta e da interrupção da prova, Antonelli conseguiu assumir a ponta no reinício. O britânico, porém, manteve a pressão e voltou a ultrapassar o piloto da Mercedes na parte final da corrida para garantir seu 13º triunfo na Fórmula 1.

Com 159 pontos, Norris ocupa agora a quarta posição no campeonato. À sua frente estão Antonelli, com 242, e a dupla da Mercedes formada por George Russell e Lewis Hamilton, ambos com 183. Restam 11 etapas, o que matematicamente mantém o atual campeão mundial na disputa.

Apesar da sequência positiva, Norris prefere evitar euforia. Para ele, a McLaren evoluiu muito, mas ainda não oferece tudo o que seria necessário para uma campanha consistente pelo título. “Se você quer que eu diga que ainda posso lutar pelo campeonato, preciso de mais do que tenho agora”, afirmou o piloto após a vitória.

Frustração na Sprint ajudou a mudar o fim de semana

O resultado de domingo ganhou ainda mais importância por causa do que aconteceu no sábado. Norris não conseguiu vencer a Sprint de Zandvoort e terminou atrás de Charles Leclerc, da Ferrari. O problema, segundo o britânico, estava principalmente no ritmo de corrida da McLaren. Leclerc conseguiu ultrapassá-lo mesmo utilizando pneus macios, enquanto Norris estava com compostos médios. A situação chamou a atenção porque o próprio piloto da Ferrari esperava que seus pneus perdessem rendimento rapidamente.

Norris terminou a Sprint frustrado, mas transformou a decepção em motivação para a corrida principal. Depois de conquistar a pole para o Grande Prêmio, passou boa parte da noite trabalhando com seus engenheiros para entender onde poderia melhorar.

A preparação surtiu efeito. No domingo, Norris conseguiu administrar melhor os pneus, manteve um ritmo competitivo e aproveitou a oportunidade quando Antonelli estava à sua frente. Segundo o piloto, a equipe passou horas analisando como poderia extrair mais desempenho do carro, desde o gerenciamento dos pneus até a maneira de conduzir cada trecho do circuito. A vitória, portanto, não foi apenas consequência de uma McLaren rápida, mas também de uma resposta direta aos problemas identificados durante a Sprint.

O resultado oficial confirma a superioridade de Norris na prova: ele largou da pole e completou as 72 voltas em 2h04min44s859, terminando 11s536 à frente de Antonelli.

Andrea Stella vê um Norris mais confiante

A evolução de Norris também chamou a atenção dentro da própria McLaren. Andrea Stella, chefe da equipe, acredita que o piloto está demonstrando um nível diferente de confiança e maturidade nesta fase da temporada. Um dos exemplos citados por Stella foi justamente a ultrapassagem sobre Antonelli. Em vez de simplesmente atacar de maneira agressiva, Norris soube esperar o momento adequado e avaliar o risco de cada disputa.

Para Stella, essa mudança representa uma evolução importante. Ser mais assertivo não significa necessariamente atacar o adversário em todas as oportunidades. Em determinadas situações, a melhor decisão pode ser esperar algumas voltas e evitar um confronto que poderia comprometer o resultado.

A vitória em Zandvoort foi mais uma demonstração dessa maturidade. Norris não entrou em uma batalha desesperada com Antonelli logo após perder a liderança no reinício. Ele manteve a calma, administrou os pneus e aguardou a oportunidade certa. A avaliação do chefe da McLaren também foi reforçada pelo ex-campeão mundial Nico Rosberg, que classificou a atuação como uma “pilotagem de campeão mundial”. Rosberg destacou a transformação da equipe ao longo do ano, lembrando que a McLaren estava muito atrás da Mercedes no início da temporada e agora aparece como uma das referências do grid.

McLaren já tem o melhor carro?

A grande questão para a reta final do campeonato é se a McLaren finalmente conseguiu superar a Mercedes em desempenho. Kimi Antonelli reconheceu depois da corrida que a equipe alemã não possui mais o carro mais rápido do grid. Segundo o italiano, a Mercedes provavelmente está em segundo ou terceiro lugar atualmente, enquanto a McLaren deu um grande salto de performance desde a atualização introduzida no GP da Hungria.

Esse avanço foi fundamental para a recuperação de Norris. Antes da sequência de vitórias na Hungria e na Holanda, o britânico estava distante da liderança e parecia ter poucas possibilidades de defender o título conquistado na temporada anterior. Agora, porém, a situação mudou.

A McLaren conseguiu transformar o desempenho do carro, e Norris passou a aproveitar melhor essa evolução. O piloto venceu duas corridas consecutivas e, principalmente, voltou a demonstrar que pode derrotar Antonelli diretamente na pista. Ainda assim, Norris acredita que o pacote atual não é suficiente para uma disputa de campeonato durante toda a temporada. A diferença de 83 pontos continua enorme, e ele precisa não apenas vencer, mas também contar com resultados menos favoráveis dos três pilotos que estão à sua frente.

O fantasma da recuperação de Verstappen

Existe, porém, um precedente recente que mantém a esperança de Norris viva: Max Verstappen em 2025. Na temporada passada, o holandês chegou ao GP da Holanda 104 pontos atrás de Oscar Piastri, com apenas nove corridas restantes. Verstappen iniciou uma recuperação espetacular e chegou à penúltima etapa do campeonato à frente de Piastri. No fim, porém, Norris conquistou o título por apenas dois pontos sobre Verstappen.

Norris conhece melhor do que ninguém os perigos de uma recuperação desse tipo. Desta vez, ele está do outro lado da disputa e precisa ser o piloto que reduz a vantagem do líder. O britânico admite que a campanha de Verstappen mostra que uma diferença enorme pode ser eliminada, mas evita fazer planos para várias corridas à frente. Para ele, o foco precisa estar em cada etapa.

A próxima oportunidade será o GP da Itália, em Monza. Antonelli chegará à prova com uma penalidade no grid relacionada à troca de motor, o que pode abrir uma oportunidade importante para Norris e para os demais rivais. Andrea Stella, por sua vez, vê Monza como um teste muito mais revelador para a McLaren. Zandvoort e Hungaroring possuem características específicas, enquanto o circuito italiano exige velocidade máxima, eficiência aerodinâmica e bom desempenho em longas retas.

Se a McLaren confirmar em Monza a evolução apresentada nas duas últimas corridas, Stella acredita que será possível olhar para o restante da temporada com mais otimismo.

Por enquanto, Norris sabe que ainda está longe de Antonelli. Mas duas vitórias consecutivas mudaram completamente o tom da disputa. O atual campeão deixou de apenas tentar salvar uma temporada complicada e voltou a pressionar o líder. A diferença ainda é de 83 pontos. O carro, segundo o próprio Norris, ainda precisa melhorar. Mas, pela primeira vez em meses, a McLaren tem velocidade, o piloto recuperou confiança e a temporada ganhou novamente uma disputa pelo título que parecia improvável pouco tempo atrás.

Foto: (Reprodução/ McLaren Team)