Raphinha Barcelona
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Barcelona pode desistir de contratar um 9 após fazer 5 a 0 na estreia?

Barcelona começou a defesa do título de La Liga com uma atuação que certamente não ajudou a diminuir o debate sobre a necessidade de contratar um centroavante. Mesmo sem um atacante de ofício em campo, a equipe de Hansi Flick atropelou o Elche por 5 a 0 e mostrou que possui alternativas de sobra para construir um ataque extremamente perigoso.

O problema é que uma partida não pode decidir uma temporada inteira. O Barcelona entrou em 2026/27 sem os dois principais centroavantes da era Flick. Robert Lewandowski encerrou sua passagem pelo clube em maio, enquanto Ferran Torres deixou a equipe em agosto para buscar uma transferência ao Paris Saint-Germain.

A necessidade de contratar um substituto de alto nível já existia antes mesmo da saída de Ferran. Julián Alvarez era o grande sonho do clube, mas o Atlético de Madrid praticamente fechou todas as portas para uma negociação. Os Colchoneros não demonstraram interesse em conversar e já deixaram claro que não pretendem facilitar a saída do argentino.

Sem Alvarez e sem um plano B definido no mercado, o Barcelona decidiu começar a temporada apostando nas opções que já possui. E, contra o Elche, a estratégia funcionou muito bem.

Barcelona marca cinco sem um camisa 9

A partida de estreia foi praticamente um cartão de visitas da versatilidade do ataque catalão. Raphinha começou como falso nove e marcou dois gols, além de contribuir com uma assistência. Fermín López também balançou as redes duas vezes, enquanto as novas contratações Karim Adeyemi e Anthony Gordon participaram diretamente da produção ofensiva.

Gordon deu uma assistência, Adeyemi também contribuiu com passe decisivo e o Barcelona terminou o jogo com cinco gols a partir de apenas sete finalizações no alvo.

Mais impressionante do que o placar, porém, foi a quantidade de oportunidades criadas. O time de Flick produziu nove grandes chances durante o confronto. Ou seja: não foi aquela história de marcar cinco gols em uma noite maluca depois de acertar tudo que chutou. O Barcelona realmente criou uma quantidade enorme de oportunidades.

Raphinha, principalmente, mostrou que pode ser uma alternativa interessante centralizado. O brasileiro está acostumado a atuar pelo lado esquerdo, mas possui mobilidade, velocidade e capacidade de atacar espaços suficientes para exercer a função.

Anthony Gordon também pode ser utilizado como referência. O inglês já conhece as exigências da posição e, após começar a partida no banco, deixou claro que não teria problema em atuar como camisa 9.

“Eu consigo fazer isso. Gosto de jogar ali”, afirmou.

Para Hansi Flick, ter jogadores capazes de trocar de posição constantemente é uma arma importante.

Barcelona pode seguir modelo do PSG

Existe uma inspiração bastante clara para esse tipo de ataque: o Paris Saint-Germain.

O clube francês conquistou as duas últimas edições da Champions League utilizando um trio ofensivo formado por jogadores que não são centroavantes tradicionais. Ousmane Dembélé, ex-Barcelona, frequentemente atua centralizado, mas tem liberdade para trocar de posição com Désiré Doué e Khvicha Kvaratskhelia.

O Barcelona possui peças que podem reproduzir algo parecido.

Raphinha tem características que combinam com essa função de falso nove, enquanto Gordon também pode ocupar a posição. Lamine Yamal mantém a capacidade de desequilibrar pelo lado direito, criando uma linha de ataque extremamente móvel.

Além deles, Dani Olmo e Fermín López podem aparecer como meias ofensivos, atacando a área e trocando de posição constantemente.

Olmo, inclusive, já mostrou que consegue funcionar como falso nove. Em uma goleada por 5 a 1 sobre o Real Betis pela Copa do Rei de 2024/25, o espanhol teve papel importante nessa função e terminou com duas assistências.

Portanto, o Barcelona não está sem soluções ofensivas. O que falta é uma característica específica.

Problema aparece contra defesas fechadas

A goleada sobre o Elche foi impressionante, mas também precisa ser colocada em contexto.

O adversário adotou uma postura extremamente agressiva, pressionou alto e deixou bastante espaço nas costas da defesa. Para um time com jogadores rápidos como Raphinha, Yamal, Gordon e Adeyemi, isso é praticamente um convite para correr.

O quinto gol do Barcelona resume bem a situação. Gordon recebeu espaço e encontrou Fermín López dentro da área para completar a jogada. O detalhe é que praticamente nenhum defensor estava próximo da região.

Contra esse tipo de adversário, um Barcelona sem centroavante pode ser devastador. Mas e quando o rival decidir estacionar o ônibus?

Uma equipe que joga em bloco baixo, reduz os espaços e coloca muitos jogadores dentro da própria área pode criar um problema completamente diferente. Sem um centroavante de referência, o Barcelona pode ter dificuldades para encontrar alguém capaz de ganhar duelos físicos, atacar cruzamentos e ocupar permanentemente a região entre os zagueiros.

Esse cenário já apareceu na temporada passada. Na eliminação da Champions League contra o Atlético de Madrid, o Barcelona teve dificuldades para encontrar espaços diante de uma defesa compacta. E naquela ocasião havia Lewandowski e Ferran Torres em campo.

Portanto, a falta de um camisa 9 não é necessariamente um problema contra todos os adversários. Ela pode se transformar em um problema justamente nos jogos em que o Barcelona mais precisar de uma solução diferente.

Barcelona ainda quer contratar

A diretoria sabe disso. Deco, diretor esportivo do Barcelona, admitiu recentemente que o clube possui soluções internas para a posição, mas indicou que pretende fazer uma movimentação antes do fechamento da janela.

O discurso de Hansi Flick também aponta na mesma direção. Depois da vitória sobre o Elche, o treinador afirmou que conversará com Deco e que o clube precisa tomar a decisão que for melhor para a equipe.

Atualmente, Hamza Abdelkarim, de apenas 18 anos, é o único centroavante de ofício disponível no elenco e ainda não estreou oficialmente pelo time principal.

Por isso, é difícil imaginar o Barcelona atravessando toda a temporada sem contratar ninguém. Mas existe uma diferença enorme entre contratar um atacante e contratar o atacante certo. A ideia original era encontrar um substituto de elite para Lewandowski. O Barcelona não deveria abandonar esse planejamento apenas porque a estreia contra o Elche foi espetacular.

Contratar qualquer centroavante apenas para preencher uma lacuna pode acabar criando outro problema no futuro. Se Julián Alvarez continuar sendo inviável e nenhum outro nome do mesmo nível estiver disponível, talvez seja melhor confiar nas soluções internas durante alguns meses e voltar ao mercado em janeiro.

A goleada de 5 a 0 não apagou a necessidade de um centroavante. Mas mostrou algo importante: o Barcelona não está desesperado.

Hansi Flick possui Raphinha, Lamine Yamal, Gordon, Adeyemi, Olmo e Fermín López. São jogadores capazes de formar diferentes combinações e transformar o ataque em um setor extremamente móvel.

A questão é saber se isso será suficiente quando chegar aquele jogo amarrado, contra uma defesa fechada, em que cada centímetro dentro da área vale ouro. Se for, o Barcelona terá encontrado uma solução criativa sem precisar gastar uma fortuna. Se não for, a ausência de um camisa 9 provavelmente ficará evidente rapidamente.

Por enquanto, a resposta é simples: o Barcelona ainda precisa de um centroavante, mas não precisa contratar qualquer um. Depois de uma estreia com cinco gols, talvez o maior erro fosse confundir urgência com pressa.

Foto: Getty Images