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Automobilismo Fórmula 1

Red Bull mantém motor mais potente da Fórmula 1, mas resultado frustra planos de evolução

A Red Bull recebeu uma notícia que, à primeira vista, parece positiva, mas que acabou se transformando em uma frustração para a equipe. A FIA confirmou, após a 12ª etapa da temporada 2026, que a unidade de combustão da Red Bull Ford continua sendo a mais potente da Fórmula 1.

O resultado faz parte da segunda avaliação do sistema ADUO (Additional Development and Upgrade Opportunities), mecanismo criado pela FIA para permitir que fabricantes que apresentem uma desvantagem significativa de desempenho tenham oportunidades adicionais de desenvolvimento durante o ciclo de regulamentos de 2026 a 2030. A avaliação é realizada em períodos determinados da temporada, e o segundo ciclo corresponde às corridas de 7 a 12.

A confirmação, entretanto, não é exatamente o que a Red Bull queria ouvir. Como sua unidade continua aparecendo no topo da classificação utilizada pela FIA, a fabricante não recebe as oportunidades extras de desenvolvimento destinadas aos concorrentes que apresentam maior déficit de potência.

Isso significa que a equipe não poderá utilizar o mecanismo para introduzir uma atualização adicional no motor em 2026, enquanto Mercedes, Audi, Ferrari e Honda foram classificadas em faixas que permitem algum nível de desenvolvimento extra. A situação é particularmente curiosa porque a Red Bull criou praticamente do zero sua estrutura de motores para a nova era. A Red Bull Ford Powertrains passou a produzir sua própria unidade de potência para 2026, com apoio da Ford, em uma das maiores mudanças técnicas da história recente da equipe.

O que é o sistema ADUO da Fórmula 1?

O ADUO foi criado para evitar que um fabricante fique preso a uma desvantagem de desempenho durante toda uma geração de motores. O mecanismo permite que fabricantes que estejam suficientemente atrás do líder recebam oportunidades extras para desenvolver suas unidades homologadas.

A FIA não compara simplesmente a potência total do conjunto. O cálculo utilizado pelo ADUO concentra-se especificamente no motor de combustão interna (ICE). A entidade utiliza um índice de desempenho baseado em diferentes parâmetros do motor para determinar a distância entre os fabricantes.

Essa distinção é fundamental para entender por que o resultado divulgado pela FIA não significa necessariamente que a Red Bull tenha o conjunto motriz mais eficiente ou mais rápido em todos os aspectos. Os motores de 2026 possuem uma participação elétrica muito maior no desempenho total do carro. O sistema de recuperação de energia e seus componentes têm papel fundamental na entrega de potência, eficiência e comportamento do carro.

A própria FIA reconhece que a avaliação do ADUO, por se concentrar no ICE, não representa o desempenho completo da unidade de potência. O sistema elétrico e o gerenciamento da energia não entram diretamente nessa comparação.

Foi justamente esse ponto que gerou discussões entre os fabricantes durante a temporada. Na etapa de Barcelona, por exemplo, Mattia Binotto, da Audi, explicou que o ADUO mede a diferença de potência do motor de combustão, e não toda a unidade de potência, incluindo bateria, inversor e demais elementos do sistema elétrico.

Mercedes terá novas oportunidades, enquanto Red Bull fica de fora

O resultado da segunda avaliação colocou Mercedes, Audi, Ferrari e Honda em posições que permitem diferentes níveis de desenvolvimento adicional.

Segundo a FIA, a Mercedes ficou na faixa entre 2% e 4% atrás do melhor motor de combustão, o que lhe garante uma oportunidade adicional de atualização em 2026 e outra em 2027. Audi, Ferrari e Honda foram classificadas com déficit superior a 4%, garantindo um número maior de oportunidades.

A lógica é simples: quanto maior a desvantagem identificada pela metodologia da FIA, maior a possibilidade de o fabricante receber recursos adicionais para tentar reduzir a diferença. A Red Bull, por estar no topo da avaliação do motor de combustão, não recebe esse benefício.

A situação é especialmente interessante quando comparada aos resultados das corridas. A Mercedes venceu oito das primeiras 12 etapas da temporada, enquanto a Red Bull ainda não conseguiu conquistar uma vitória em 2026. Isso mostra como a classificação do ADUO e o desempenho real nas pistas podem contar histórias diferentes.

O próprio Laurent Mekies, chefe da Red Bull Ford Powertrains, havia explicado anteriormente que a Mercedes era considerada a referência em desempenho de unidade de potência, enquanto Red Bull Ford, Ferrari e Audi formavam um grupo atrás dela. Portanto, dizer que a Red Bull tem o “motor mais potente” precisa ser entendido dentro da metodologia específica da FIA: trata-se da maior potência registrada no motor de combustão, e não necessariamente da melhor unidade de potência completa.

Red Bull queria justamente a chance de desenvolver o motor

A confirmação da FIA chega em um momento particularmente delicado para a Red Bull. A equipe esperava que a segunda avaliação pudesse abrir uma brecha para receber oportunidades extras de desenvolvimento. O objetivo seria utilizar essa margem para evoluir a unidade de potência ao longo da temporada e diminuir eventuais desvantagens que aparecem no conjunto completo.

Sem o benefício do ADUO, a Red Bull precisa trabalhar dentro das limitações normais impostas pelo regulamento. Isso torna ainda mais importante extrair o máximo possível dos componentes que já estão homologados.

O sistema foi criado justamente para evitar situações em que um fabricante fique preso durante anos a uma desvantagem técnica. A FIA buscou construir uma espécie de mecanismo de equilíbrio para a nova geração de motores, especialmente considerando a chegada de novos fabricantes como Audi e a entrada da Red Bull Ford como fornecedora própria.

Ao mesmo tempo, a própria Mercedes já alertou que o sistema precisa ser acompanhado de perto. Toto Wolff explicou anteriormente que o ADUO funciona como uma proteção para impedir que um fabricante abra uma vantagem impossível de recuperar, mas ressaltou que a situação será reavaliada ao longo do campeonato.

A disputa pelos motores ainda está longe de terminar

O resultado divulgado após o GP da Holanda não encerra a discussão. Pelo contrário: a FIA continuará realizando avaliações durante a temporada, e o próximo período do ADUO corresponderá às corridas 13 a 18. Isso significa que o cenário ainda pode mudar antes do fim de 2026.

Para a Red Bull, o desafio será provar que a vantagem identificada no motor de combustão também pode ser convertida em desempenho competitivo no conjunto completo. Até agora, os resultados mostram uma realidade curiosa: a equipe possui uma unidade de combustão considerada a referência pela metodologia da FIA, mas ainda não conseguiu transformar essa vantagem em uma vitória sequer.

Para Mercedes, Audi, Ferrari e Honda, por outro lado, as oportunidades adicionais podem representar uma arma importante para diminuir a distância. A Mercedes já demonstrou na pista que seu conjunto é extremamente competitivo, enquanto Ferrari e Audi têm trabalhado para aproveitar as possibilidades abertas pelo regulamento.

A própria FIA admite que o ADUO está em seu primeiro ano e que o sistema poderá ser aperfeiçoado com o tempo, em conjunto com os fabricantes. Nikolas Tombazis, diretor de monopostos da entidade, afirmou que a análise dos dados da segunda avaliação é robusta, mas destacou que a experiência adquirida em 2026 poderá levar a mudanças futuras na forma como o mecanismo funciona.

Por enquanto, a ironia é clara: a Red Bull tem o motor de combustão mais potente segundo a avaliação da FIA, mas justamente por isso não recebe a oportunidade extra que esperava para desenvolvê-lo.

A verdadeira resposta, porém, continuará sendo dada na pista. Com a Mercedes vencendo a maioria das corridas e a Red Bull ainda buscando sua primeira vitória do ano, fica evidente que potência máxima do motor de combustão é apenas uma parte da complexa equação das unidades de potência de 2026. E, enquanto o campeonato avança, a disputa pelo domínio dos motores promete ficar tão importante quanto a batalha pelo título mundial.

(Foto: Reprodução/ Fórmula 1)