A renovação de Max Verstappen com a Red Bull até 2030 foi recebida como uma excelente notícia por Stefano Domenicali. O chefe da Fórmula 1, porém, acompanha de perto um cenário curioso: enquanto o campeonato comemora a permanência de um dos seus maiores astros, a equipe que detém seu contrato enfrenta uma das fases mais complicadas da temporada.
Para Stefano Domenicali, não poderia haver notícia melhor. “Não consigo imaginar a Fórmula 1 sem ele”, afirmou o dirigente durante o GP da Holanda. E existe uma razão óbvia para tamanho entusiasmo. Verstappen não é apenas um dos pilotos mais competitivos do grid. Aos 28 anos, ele já construiu um peso enorme dentro da categoria, com quatro títulos mundiais e uma personalidade que se tornou parte importante do espetáculo da F1.
A renovação também diz muito sobre o futuro da categoria
A permanência de Verstappen não aconteceu por acaso. No começo de 2026, o próprio piloto chegou a colocar em dúvida seu futuro na Fórmula 1, principalmente por causa das características da nova geração de carros e das mudanças na unidade de potência.
O novo regulamento aumentou significativamente a importância da parte elétrica, algo que Verstappen criticou em diferentes momentos. Mas a categoria já trabalha em ajustes para os próximos anos, aumentando gradualmente a participação do motor a combustão. Esse movimento ajudou a convencer Verstappen de que valia a pena continuar.
Agora, seu contrato vai até o fim do atual ciclo regulamentar. A mensagem é clara: Verstappen quer ver para onde a Fórmula 1 está caminhando antes de tomar qualquer decisão sobre o que vem depois de 2030.
Só faltou combinar a renovação com um carro competitivo
O problema é que a comemoração aconteceu justamente em um dos piores finais de semana da Red Bull em 2026. Zandvoort deveria ser um dos grandes palcos de Verstappen. O holandês venceu as três primeiras edições do GP da Holanda desde o retorno da prova ao calendário e chegou ao fim de semana como o grande favorito da torcida.
Mas o RB22 não entregou o desempenho necessário. Verstappen terminou o Sprint apenas em sexto e largará o GP principal em sétimo, cinco décimos atrás de Lando Norris. Para piorar, o próprio piloto afirmou que as dificuldades não são simplesmente resultado de um acerto ruim.
O problema é mais profundo
A declaração de Verstappen talvez seja o ponto mais preocupante para a Red Bull. Depois do Sprint, a equipe fez diversas alterações no carro. O resultado? Praticamente nenhum.
Segundo Verstappen, o principal problema está no equilíbrio inconsistente do RB22 durante as curvas. O carro não entrega a mesma resposta ao longo de toda a curva, o que impede o piloto de atacar os trechos de alta velocidade com confiança.
E existe ainda outro problema: a tração. Sem conseguir entrar e sair das curvas de maneira consistente, o carro perde desempenho em praticamente todas as fases da volta. Por isso, Verstappen acredita que a Red Bull está lidando com problemas fundamentais, e não simplesmente com uma configuração equivocada para determinado circuito.
E isso muda o significado da renovação
A permanência de Verstappen é uma excelente notícia para a Fórmula 1. Mas, para a Red Bull, ela também aumenta a responsabilidade. A equipe acaba de garantir seu maior ativo até 2030. Agora precisa entregar um carro capaz de mantê-lo na briga por vitórias e campeonatos.
Porque Verstappen já demonstrou que consegue extrair resultados absurdos de carros que não são os melhores do grid. Mas existe um limite.
Se a Red Bull continuar presa a um carro inconsistente, sem equilíbrio e sem tração, nem mesmo Verstappen conseguirá transformar regularmente esse pacote em vitórias.
Domenicali pode comemorar mas a Red Bull, nem tanto
A Fórmula 1 ganhou o que queria: seu tetracampeão continua. Domenicali pode respirar aliviado. Verstappen também parece satisfeito com a decisão de permanecer na equipe onde construiu toda a sua trajetória de títulos.
Mas agora começa a parte mais difícil. A Red Bull precisa transformar essa renovação em um projeto vencedor. Porque manter Verstappen até 2030 é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio será fazer com que, quando ele olhar para o outro lado da garagem e para o restante do grid, ainda tenha um carro à altura do piloto que decidiu ficar.
Foto: (Reprodução/ MotorSport Images)


