A terceira derrota consecutiva do Corinthians no Brasileirão não é o único motivo para preocupação. O que mais chama atenção depois do 1 a 0 para o Santos, na Neo Química Arena, é a dificuldade para criar.
O time teve a bola em alguns momentos, avançou pelos lados e tentou encontrar espaços, mas produziu muito pouco. Quando precisou correr atrás do resultado, não encontrou alternativas para incomodar a defesa santista.
Esse é um problema mais profundo do que uma sequência negativa.
Corinthians teve a bola, mas não teve o jogo
Depois de sofrer o gol de Oliva, aos 32 minutos do primeiro tempo, o Corinthians passou a precisar de uma reação. Ela não veio.
A equipe manteve a circulação de bola, mas sem acelerar o suficiente para desmontar a marcação. Os ataques frequentemente terminavam em cruzamentos, enquanto faltavam movimentos para abrir espaços por dentro.
O Santos conseguiu defender perto da própria área sem ser submetido a uma pressão constante. E isso diz muito sobre a atuação corintiana.
Ter posse não significa controlar uma partida. O Corinthians conseguiu trocar passes, mas raramente obrigou o adversário a tomar decisões difíceis.
Faltou agressividade depois do gol
O cenário ficou ainda mais preocupante no segundo tempo. O Corinthians precisava aumentar o ritmo, ocupar mais o campo ofensivo e colocar o Santos sob pressão. Em vez disso, a equipe continuou encontrando dificuldades para transformar a vantagem territorial em oportunidades.
Gabriel Brazão, que não atravessa seu melhor momento, praticamente não foi exigido em chutes de média distância. Para um time que precisava empatar em casa, é pouco.
Também faltou senso de urgência. A partida pedia mais velocidade e risco, mas o Corinthians não conseguiu mudar sua postura na proporção que o resultado exigia.
As substituições não mudaram o cenário
Fernando Diniz tentou buscar soluções no banco. Pedro Raul, Gui Negão e Matheus Pereira entraram, mas nenhum deles conseguiu alterar significativamente o comportamento ofensivo. Isso reforça a impressão de que a dificuldade é coletiva.
Não adianta simplesmente trocar os nomes se a equipe continua ocupando os mesmos espaços e atacando da mesma maneira. O Corinthians precisa criar mais movimentações sem bola, acelerar a circulação e encontrar alternativas quando o adversário fecha o corredor central.
Contra o Santos, não conseguiu.
A semana livre aumenta a preocupação
O Corinthians teve um período sem jogos para recuperar os jogadores e trabalhar durante a semana. Ainda assim, a equipe voltou a apresentar dificuldades que já apareceram em outras partidas.
É claro que alguns dias de treinamento não seriam suficientes para corrigir todos os problemas. Mas, diante da necessidade de reação, esperava-se ao menos algum sinal de evolução.
O que apareceu foi justamente o contrário: um time previsível quando precisou atacar. Isso torna a sequência de três derrotas ainda mais pesada.
O problema não é apenas perder
Uma equipe pode atravessar uma sequência ruim e sair dela com uma boa atuação. O Corinthians, porém, precisa encontrar primeiro uma maneira de voltar a ser perigoso.
A derrota para o Santos mostrou um time que teve dificuldades para criar antes mesmo de sofrer o gol e não conseguiu mudar de nível depois dele. Quando precisou assumir riscos, faltaram soluções.
Essa é a parte mais preocupante.
Resultados ruins podem ser revertidos rapidamente. Uma vitória na próxima rodada já interromperia a série. Mas, se o padrão de jogo continuar o mesmo, o Corinthians seguirá dependente de partidas em que consiga marcar primeiro ou de alguma jogada individual para resolver.
Diniz terá novas peças e novos problemas
A próxima oportunidade será contra a Chapecoense, novamente em Itaquera. Yuri Alberto e Breno Bidon podem retornar e oferecer novas alternativas ao treinador. Em contrapartida, Hugo Souza, Gabriel Paulista e Raniele estão suspensos.
Diniz terá, mais uma vez, que mexer na equipe, mas a questão principal não será a escalação e, sim, o comportamento. O Corinthians precisa mostrar que consegue criar diante de uma defesa fechada, acelerar quando estiver atrás e transformar posse em oportunidades reais.
Contra o Santos, não conseguiu fazer nenhuma dessas coisas de maneira consistente. E, depois de três derrotas seguidas, essa falta de repertório ofensivo talvez seja um problema maior do que a própria sequência de resultados.
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians/Divulgação



