O torcedor do Barcelona ficou preocupado com o seu setor ofensivo após a movimentação do clube no mercado da bola. Isto porque o time catalão perdeu Robert Lewandowski e Ferran Torres, dois jogadores importantes para o comando do ataque. No “apagar das luzes” da janela de transferência, o atacante Gabriel Jesus foi contratado junto ao Arsenal.
As dúvidas dos fãs do Barcelona são legítimas. Juntos, Lewandowski e Ferran balançaram as redes 40 vezes na temporada passada e contribuíram com mais cinco assistências. Se incluir Marcus Rashford, que voltou de empréstimo, esses números saltam para 54 gols e 17 passes decisivos.
O recém-contratado Gabriel Jesus, por sua vez, vem acumulando problemas físicos nas últimas temporadas no Arsenal, ficando longe de ser aquele atleta de confiança de Pep Guardiola no Manchester City. Por isso, sua chegada não elimina todas as dúvidas sobre a capacidade de reposição do ataque.
Apesar disso, o Barcelona parece ter um setor ofensivo mais versátil e imprevisível do que na temporada anterior. Hoje, pelo menos cinco jogadores conseguem cumprir diferentes funções. Ao menos nas três primeiras rodadas da La Liga, os resultados são impressionantes: 12 gols marcados, uma média de quatro por jogo.
Raphinha se ajustou no campo e reforços são versáteis
Na temporada passada, o Barcelona tinha duas opções por faixa de campo no ataque: Raphinha e Rashford pela esquerda; Yamal e Bardghji pela direita; Lewandowski e Ferran no centro. Agora, Flick tem mais “cartas na manga” para surpreender os adversários.
Anthony Gordon, por exemplo, joga bastante pela esquerda, mas já atuou na ponta-direita e pode fazer o comando do ataque. Ao mesmo tempo, o Barcelona contratou Adeyemi, destro que cai bastante pela esquerda. São características que aumentam as possibilidades de mudança durante uma partida.
Raphinha também passou a oferecer uma alternativa diferente. O brasileiro foi testado e já aprovado pelo treinador no comando do ataque. Adaptado, não é especificamente um camisa 9, mas vem mostrando qualidade para jogar de costas, participar das combinações e se posicionar dentro da área. Ele já balançou as redes cinco vezes.
Essa mudança é importante porque permite a Flick manter Raphinha em campo mesmo quando a estratégia não exige um centroavante tradicional. O brasileiro pode recuar para participar da construção ou aparecer na área como elemento surpresa. Assim, o ataque ganha mobilidade sem necessariamente perder presença ofensiva.
Ao mesmo tempo, todos nós sabemos da versatilidade de Gabriel Jesus. Este também era um dos motivos pela paixão de Guardiola pelo jogador. Além de poder atuar centralizado, ele roda por dentro e por fora, sabendo trabalhar pelos lados. Se estiver bem fisicamente, poderá entregar muito no Camp Nou e oferecer uma característica que nenhum outro atacante possui exatamente da mesma maneira.
Por fim, Yamal também pode ser testado como meia, abrindo espaço na direita para outros jogadores, até mesmo Raphinha. Essa possibilidade vem sendo ventilada na imprensa catalã. Flick teria a chance de dar ao seu principal jogador ainda mais liberdade para criar, aproximando-o do centro do campo e permitindo que outros atacantes ocupem a faixa direita.
O principal ganho, portanto, não está apenas na quantidade de jogadores disponíveis. A diferença está na capacidade de mudar o desenho ofensivo durante os jogos. O Barcelona pode atacar com velocidade, apostar na posse, trocar posições ou explorar contra-ataques sem precisar substituir várias peças para modificar sua estratégia.
O foco do Barcelona ainda deve ser aperfeiçoar o jogo defensivo
Mesmo com as intensas mudanças no ataque, o Barcelona ainda deve concentrar seus esforços na defesa. Jogando com linha alta, a equipe vive exposta e só não foi ainda mais vitoriosa na temporada passada por conta dos erros atrás.
Nas três primeiras partidas desta temporada, apenas contra o Rayo Vallecano o time foi vazado. O começo é positivo, mas a amostra ainda é pequena para afirmar que os problemas defensivos foram solucionados. Assim como nos anos anteriores, a bola parada foi um problema.
Esse aspecto merece atenção porque uma equipe com tantas alternativas ofensivas não pode desperdiçar sua superioridade por falhas de concentração na defesa. Quanto mais avançada for a linha, maior será a necessidade de organização, pressão após a perda da bola e cobertura dos espaços deixados pelos laterais.
Além disso, os adversários mais fortes devem testar essa estrutura de maneira muito mais intensa. Contra equipes capazes de acelerar a transição ofensiva, pequenos erros podem resultar em chances claras. Por isso, manter o equilíbrio entre agressividade e segurança será fundamental para o sucesso de Flick.
No ataque, ao menos por enquanto, as coisas parecem funcionar naturalmente. As saídas de Lewandowski e Ferran diminuíram a previsibilidade do elenco, mas também abriram espaço para um sistema mais móvel. Com jogadores capazes de ocupar diferentes posições, Flick ganhou alternativas para adaptar sua equipe aos mais variados cenários.
A grande questão será transformar essa versatilidade em regularidade. Se conseguir aperfeiçoar a defesa sem limitar a liberdade de seus atacantes, o Barcelona poderá ter encontrado uma fórmula ainda mais difícil de ser marcada do que na temporada anterior.
Foto: Divulgação/Barcelona



