Joan Laporta, Deco, Barcelona. Foto: Pere Puntí/Mundo Deportivo.
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Barcelona movimenta milhões nos bastidores para viabilizar reforços e aliviar a folha salarial

Um dos principais desafios de Deco em cada janela de transferências vai muito além de encontrar os jogadores que podem fortalecer o Barcelona. Para contratar, é preciso fazer contas. E, no cenário atual do clube, a sustentabilidade financeira se tornou parte fundamental do trabalho do diretor esportivo.

A principal missão de Deco é montar um elenco competitivo, mas isso depende diretamente da capacidade do Barcelona de gerar receitas e, principalmente, de abrir espaço dentro das regras do Fair Play financeiro de La Liga. É justamente por isso que as movimentações nos bastidores não se resumem às chegadas: cada saída também representa uma oportunidade de aliviar a folha salarial e liberar margem para novos registros.

Nesta janela, o dinheiro gerado pelas diferentes áreas do clube ganhou o reforço de um empréstimo solicitado pela diretoria, que representa 210 milhões de euros, divididos em duas parcelas: metade agora e a outra em novembro. O recurso deu ao Barcelona maior capacidade para ir ao mercado e investir nos reforços necessários, mas sem resolver completamente o problema. A própria projeção do clube aponta para um novo aperto financeiro dentro de um ano, com a possibilidade de o Barça voltar a ficar fora da regra 1:1.

Vendas são fundamentais para o planejamento

Por isso, uma das missões de Deco é encontrar dinheiro onde for possível. A venda de jogadores continua sendo uma das principais fontes de receita, seja com atletas do elenco principal ou com jovens formados nas categorias de base.

E o Barcelona já conseguiu movimentar valores importantes nesta janela. No último sábado, o clube anunciou a transferência de Ferran Torres para o PSG por 50 milhões de euros. A negociação foi considerada positiva para os catalães, especialmente porque o atacante tinha apenas mais um ano de contrato.

No total, o Barcelona já arrecadou aproximadamente 70 milhões de euros com as saídas. Além de Ferran, Ansu Fati rendeu 11 milhões de euros, Iñaki Peña deixou 3 milhões e Cuenca foi negociado por 500 mil euros. A operação envolvendo Virgili também colocou mais 4,8 milhões nos cofres do clube, já que o Mallorca vendeu o jogador ao Club Brugge por 12 milhões e o Barcelona ainda detinha 40% dos direitos econômicos.

A tendência, porém, é que esse valor cresça consideravelmente. O clube trabalha com a expectativa de superar os 100 milhões de euros em vendas. Tommy Marqués está próximo de ser negociado com o Braga por 10 milhões, enquanto o Barcelona espera arrecadar entre 10 e 15 milhões com Héctor Fort. Casadó, por sua vez, também pode deixar o clube por cerca de 30 milhões de euros.

Saídas também liberam espaço no Fair Play

O impacto das negociações, no entanto, não está apenas no dinheiro que entra. Cada saída também ajuda o Barcelona a abrir espaço na folha e, consequentemente, no Fair Play financeiro.

Entre as saídas de Ferran Torres e Ansu Fati, o clube libera cerca de 32 milhões de euros em margem. No caso de Ferran, são 10 milhões referentes ao salário e outros 10 milhões relacionados à amortização. Já a saída de Ansu representa uma economia de aproximadamente 12 milhões de euros em salários.

Mas nenhum dos dois representa a maior liberação do elenco. Esse posto pertence a Robert Lewandowski, que recebeu cerca de 26 milhões de euros brutos no último ano. A saída de Marcus Rashford também gera um impacto significativo, já que o inglês recebia aproximadamente 15 milhões de euros brutos no Barcelona, mesmo com uma redução em relação ao salário que tinha no Manchester United.

A renovação de Andreas Christensen também ajudou nesse processo. O zagueiro passou a receber cerca de metade do que ganhava anteriormente, reduzindo seu salário para aproximadamente 6 milhões de euros. Já o empréstimo de Marc-André ter Stegen ao Ajax também gera economia, embora o clube holandês arque com apenas uma pequena parcela dos vencimentos do goleiro.

Barcelona ainda precisa abrir espaço para os reforços

Essa geração de Fair Play é essencial para que o Barcelona consiga registrar os novos jogadores. O problema é que as saídas previstas nem sempre representam uma grande liberação financeira.

É o caso de Casadó, Jofre, Fort, Marqués e Yaakobishvili. Como são jogadores formados na base, eles não carregam grandes valores de amortização e também possuem salários relativamente baixos. Portanto, mesmo que as transferências gerem receitas importantes, o espaço criado na folha é menor.

Por outro lado, as contratações que o Barcelona pretende realizar têm um impacto muito maior. Gordon, por exemplo, representa cerca de 25 milhões de euros entre salário, assinatura e amortização. Adeyemi teria um impacto menor, enquanto uma eventual chegada de Rodri seria muito mais pesada para as contas, especialmente porque o meio-campista teria um custo anual de aproximadamente 45 milhões de euros. Julián Álvarez, caso a contratação seja confirmada, também aumentaria significativamente a necessidade de espaço no Fair Play.

No fim das contas, o planejamento de Deco passa por um equilíbrio delicado. O Barcelona precisa vender para arrecadar, precisa liberar salários para registrar novos jogadores e, ao mesmo tempo, precisa encontrar espaço para contratações capazes de elevar o nível do elenco.

É uma janela em que o trabalho do diretor esportivo acontece tanto nos gramados quanto nas planilhas. Para o Barcelona, reforçar o time é apenas metade da missão. A outra é fazer as contas fecharem.

Créditos da foto de capa: Pere Puntí/Mundo Deportivo