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Bahia reencontra caminho com Rogério Ceni; até onde a equipe pode brigar no Brasileirão?

O Bahia reencontrou um caminho que parecia ter ficado perdido em algum momento da temporada: o da consistência.

A vitória por 3 a 2 sobre o Red Bull Bragantino, de virada, levou o Tricolor ao 10º jogo consecutivo sem perder no Brasileirão e confirmou uma característica que já deixou de ser coincidência. O Bahia sabe reagir quando a partida sai do controle.

Mas talvez exista algo ainda mais importante por trás dessa sequência.

Rogério Ceni conseguiu recuperar uma equipe que passou por momentos de instabilidade e transformá-la novamente em um time capaz de competir na parte de cima da tabela. A repetição da escalação, a evolução de jogadores importantes e a capacidade de encontrar respostas durante os jogos mostram que o Bahia voltou a ter uma identidade.

Ainda existe, porém, uma diferença entre ser competitivo e estar pronto para brigar por algo grande. E é justamente aí que começa a discussão sobre até onde esse Bahia pode chegar.

Ceni recuperou a confiança de um time que voltou a competir

O Bahia não está invicto há 10 partidas por acaso. A equipe encontrou estabilidade justamente quando Rogério Ceni começou a repetir suas escolhas e dar continuidade a uma formação que parecia mais confortável para os jogadores.

Contra o Bragantino, foi a terceira partida consecutiva com a mesma escalação. Isso pode parecer um detalhe, mas tem peso em uma temporada tão longa. Um time que muda constantemente precisa gastar energia para se reorganizar. Um time que repete peças e comportamentos consegue dedicar mais atenção à execução.

O Bahia ainda sofreu defensivamente em Bragança Paulista, mas não perdeu a cabeça quando ficou atrás. Esse talvez seja o principal sinal da evolução.

O gol sofrido aos 13 minutos expôs uma equipe passiva na marcação e permitiu que o Bragantino encontrasse espaços com facilidade. Em outros momentos da temporada, um início assim poderia ter desorganizado o Bahia.

Dessa vez, a equipe reagiu. Luciano Juba empatou de pênalti, Alejo virou depois de cobrança de Rodrigo Nestor e Erick marcou o terceiro no segundo tempo. Mesmo sofrendo novamente, o Bahia conseguiu administrar a vantagem até o fim.

Isso não é apenas poder de reação. É confiança.

O Bahia aprendeu a jogar quando a partida fica desconfortável

Existe uma característica interessante nesse time de Ceni: ele parece não precisar de um jogo perfeito para vencer. Essa é uma qualidade importante no Brasileirão.

Nem sempre será possível controlar a posse, pressionar o adversário ou dominar os 90 minutos. Haverá jogos ruins, campos difíceis, desfalques e momentos em que o adversário conseguirá impor seu ritmo.

O Bahia aprendeu a sobreviver nesses cenários. A virada contra o Bragantino foi a quinta da equipe no campeonato, segundo levantamento do Gato Mestre. O número mostra uma capacidade de reação que ajuda a explicar a posição do Tricolor na tabela.

Mas existe um alerta escondido nessa virtude. Não é saudável transformar toda partida em uma batalha de sobrevivência.

Contra o Bragantino, o Bahia sofreu muito no início, continuou oferecendo espaços depois de virar e contou com a falta de precisão do adversário em algumas oportunidades. A equipe conseguiu se segurar, mas poderia ter perdido o controle novamente.

Ceni precisa fazer com que a resiliência continue sendo uma característica sem permitir que ela vire necessidade.

O próximo salto passa pelo controle dos jogos

É aqui que o Bahia pode determinar o tamanho de sua temporada. Reagir é importante, mas controlar é melhor.

O time já mostrou que consegue encontrar soluções quando está atrás no placar. Agora precisa aumentar a frequência com que começa bem, protege melhor os corredores e impede que o adversário tenha tantas oportunidades.

A vitória sobre o Bragantino mostrou exatamente essa diferença.

O Bahia teve competência para buscar o resultado, mas não apresentou uma atuação dominante. Em alguns momentos, esteve mais perto de transformar a partida em uma troca de golpes do que de controlar completamente o adversário.

Para brigar por Libertadores, esse tipo de comportamento pode ser administrável. Para sonhar com algo ainda maior, provavelmente não.

O elenco também começa a responder

Outro ponto que ajuda a explicar a recuperação do Bahia é a capacidade de distribuir responsabilidades. Rodrigo Nestor apareceu novamente em uma jogada decisiva, participando de dois gols. Erick marcou de cabeça. Alejo também deixou sua marca. Luciano Juba converteu o pênalti.

O Bahia não depende de um único jogador para produzir. Isso é particularmente importante em uma competição longa, na qual lesões, suspensões e desgaste inevitavelmente aparecem.

Ceni parece ter conseguido construir um ambiente em que diferentes jogadores conseguem decidir partidas, enquanto a repetição da equipe oferece uma base para que essas individualidades funcionem dentro de um coletivo.

O desafio agora é manter esse nível quando a pressão aumentar.

Até onde esse Bahia pode chegar?

A resposta depende menos da sequência de 10 jogos sem perder e mais daquilo que o time conseguir fazer a partir dela. O Bahia já mostrou que tem regularidade suficiente para permanecer na disputa pelas primeiras posições. Também mostrou maturidade para reagir quando está em desvantagem e um elenco capaz de dividir responsabilidades.

Isso coloca o Tricolor em uma posição interessante na briga pelo Brasileirão. Mas ainda seria precipitado tratá-lo como candidato inevitável ao título.

O time precisa reduzir a quantidade de espaços que concede, controlar melhor os momentos em que está vencendo e transformar sua capacidade de reação em domínio mais frequente.

Se conseguir fazer isso, a conversa muda. Porque existe uma diferença importante entre uma equipe que está apenas aproveitando uma boa fase e outra que construiu mecanismos para permanecer competitiva durante várias rodadas.

O Bahia parece estar caminhando para a segunda opção. E Rogério Ceni tem grande responsabilidade nisso.

O Bahia reencontrou seu caminho não porque deixou de ter problemas, mas porque aprendeu a responder a eles. Agora, o próximo passo é mais difícil: fazer com que essas respostas sejam cada vez menos necessárias.

Se conseguir transformar a resiliência em controle, o Tricolor pode deixar de ser apenas uma surpresa agradável na parte de cima da tabela e se tornar um candidato real a terminar o Brasileirão entre os protagonistas.

Por enquanto, o Bahia já encontrou algo que vale muito em uma competição longa: um time que acredita que pode vencer mesmo quando o jogo começa a dar errado.

O próximo desafio de Ceni é fazer esse time começar a dar menos motivos para acreditar em milagres.

Fotos: Letícia Martins/EC Bahia/Divulgação