O Santos voltou a olhar para cima depois de passar boa parte da temporada preocupado com o que estava atrás. A vitória por 3 a 2 sobre o Internacional, no Beira-Rio, colocou o time em 12º lugar, com 32 pontos, e deixou a equipe a apenas cinco pontos do Coritiba, atualmente em sétimo.
A matemática permite sonhar com uma vaga na Libertadores. O futebol, porém, ainda exige cautela.
Essa diferença é importante porque o Santos vive um momento em que os resultados começam a criar uma expectativa maior do que a consistência apresentada pelo time ao longo da temporada.
A vitória sobre o Inter abriu uma porta
O resultado no Beira-Rio foi mais significativo do que parece. O Santos marcou três vezes no primeiro tempo, com dois gols de Gabigol e outro de Cristian Oliva, construiu uma vantagem enorme e conseguiu sair de um confronto direto com três pontos.
Gabigol, aliás, aparece como uma das principais armas ofensivas do time e já soma oito gols no Brasileirão.
Isso mostra que existe capacidade de decidir partidas.
O problema é que uma candidatura à Libertadores exige mais do que jogadores capazes de resolver momentos específicos. Exige uma equipe que consiga repetir boas atuações por várias rodadas, inclusive quando o adversário consegue neutralizar seus principais nomes.
E é justamente aí que o Santos ainda deixa dúvidas.
O time permitiu que o Internacional reagisse depois de abrir 3 a 0 e terminou a partida sob pressão. Vencer nessas condições é valioso, mas também revela que a equipe ainda não controla os jogos com a segurança necessária.
A regularidade será mais importante do que qualquer vitória isolada
O Santos tem 32 pontos e está cinco atrás do sétimo colocado. A distância é perfeitamente alcançável com 12 rodadas restantes, mas isso não significa que o time já tenha futebol de candidato.
A equipe precisará construir uma sequência.
Esse talvez seja o maior desafio de Cuca. O Santos alternou momentos interessantes com atuações em que ficou dependente demais de seus jogadores mais talentosos. Neymar continua sendo uma referência técnica, Gabigol atravessa uma fase importante e existem peças capazes de decidir, mas a estrutura coletiva precisa acompanhar.
A classificação para a Libertadores não será conquistada por um ou dois grandes jogos. Será construída em partidas como a próxima, nos confrontos diretos e principalmente nos dias em que o time não estiver brilhando.
O calendário pode ajudar ou atrapalhar
O Santos ainda disputa a Sul-Americana e terá pela frente o Atlético-MG nas quartas de final. Isso significa que Cuca precisará administrar um elenco que já conviveu com problemas físicos e oscilações.
A competição continental pode ser uma oportunidade, mas também aumenta a exigência.
Se o Santos dividir energia demais entre as duas frentes, poderá perder pontos no Brasileirão justamente quando começa a se aproximar do pelotão de cima. Por outro lado, se conseguir manter competitividade nas duas competições, terá uma chance real de transformar uma temporada irregular em algo muito maior.
É por isso que a pergunta não é se o Santos pode sonhar. Pode.
A questão é se já existem motivos suficientes para tratar esse sonho como objetivo.
O Santos ainda precisa provar que consegue sustentar o momento
A vitória sobre o Internacional foi um passo importante porque mostrou que o Santos pode competir fora de casa e encontrar gols mesmo em um cenário de pressão. Mas o próximo passo é mais difícil: repetir.
Se o time conseguir transformar essa vitória em uma sequência de bons resultados, a discussão muda rapidamente. Com 32 pontos, a distância para a parte alta não é proibitiva.
Se voltar a oscilar, o 3 a 2 no Beira-Rio será lembrado apenas como uma boa rodada.
O Santos, portanto, não precisa esconder a ambição. Precisa apenas entender que a Libertadores será consequência de uma regularidade que ainda está em construção.
O Santos já mostrou futebol suficiente para abrir a porta da Libertadores. Agora precisa provar que consegue permanecer dentro dela por muito tempo.
Foto: Reinaldo Campos/ Santos F.C. / Divulgação



