O Mirassol passou nove rodadas sem vencer, atravessou um calendário pesado e chegou a um ponto em que qualquer tropeço poderia aumentar consideravelmente a pressão sobre o trabalho de Rafael Guanaes. Mesmo assim, o clube manteve o treinador e a convicção no caminho escolhido.
Agora começa a aparecer uma recompensa.
A vitória por 2 a 1 sobre o Coritiba, de virada, no Couto Pereira, encerrou o jejum e colocou o Mirassol novamente acima da zona de rebaixamento com uma vantagem de três pontos sobre o Vasco. A equipe chegou aos 28 pontos e ocupa a 16ª posição.
Ainda não é tranquilidade. Mas já é um cenário diferente.
O Mirassol não abandonou Guanaes quando os resultados pioraram
A principal decisão do clube foi não confundir sequência negativa com trabalho necessariamente errado.
Guanaes afirma que o Mirassol nunca esteve instável e sustenta que o desempenho permaneceu satisfatório mesmo durante o período sem vitórias. O treinador também aponta o calendário como um dos fatores que dificultaram agosto, com a equipe dividida entre Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil.
É uma leitura que precisa ser analisada com cuidado. Nove jogos sem vencer não podem simplesmente ser ignorados. Resultados importam, especialmente para uma equipe que luta contra o rebaixamento.
Mas existe uma diferença entre um time que perde completamente sua identidade e outro que continua reconhecível, embora não consiga transformar desempenho em pontos.
O Mirassol parece estar mais próximo da segunda situação.
Guanaes entendeu que o resultado precisa vir antes do espetáculo
Outro aspecto interessante do trabalho é a mudança de abordagem. Guanaes já admitiu que precisou deixar de lado uma visão mais “romântica” do jogo para adotar uma postura mais pragmática. Para um clube que está tentando sobreviver na Série A, isso não representa necessariamente uma perda de identidade.
Pode representar evolução. O Mirassol não precisa convencer ninguém de que consegue jogar bonito. Precisa encontrar maneiras de pontuar contra adversários de diferentes níveis.
A vitória sobre o Coritiba é um exemplo disso.
O time sofreu o primeiro gol, não perdeu completamente o controle emocional e conseguiu buscar a virada fora de casa. Bruno Santos marcou o gol decisivo nos minutos finais, enquanto Gustavo Silva, o Mosquito, empatou pouco depois da abertura do placar.
São pontos que valem mais do que simplesmente três na tabela. Eles ajudam a reconstruir confiança.
O Mirassol ainda não pode respirar aliviado
A classificação continua perigosa. Com 28 pontos, o Mirassol está em 16º, três acima do Vasco, que abre o Z-4. A diferença é pequena demais para permitir acomodação.
Por isso, o próximo jogo contra o Vitória, no Maião, ganha um peso enorme. Depois de finalmente interromper o jejum, o Mirassol precisa mostrar que não se tratou apenas de uma vitória isolada.
Se conseguir vencer novamente, começa a criar uma distância mais interessante para a zona de rebaixamento e, principalmente, confirma que a continuidade de Guanaes pode ter sido uma decisão acertada.
A permanência deixou de parecer tão improvável
Talvez esse seja o principal mérito do momento atual. Algumas semanas atrás, olhar para a tabela e imaginar o Mirassol permanecendo na Série A parecia cada vez mais difícil. Agora, com 28 pontos e 12 rodadas restantes, a situação está longe de estar resolvida, mas já existe uma base concreta para acreditar.
O clube não precisou trocar de treinador a cada sequência ruim, não abandonou sua ideia de trabalho e conseguiu atravessar um período complicado sem destruir o ambiente interno. Isso não garante a permanência.
Mas cria uma condição melhor para buscá-la.
O futebol brasileiro costuma tratar continuidade como sinônimo de paciência excessiva quando os resultados não aparecem. O Mirassol está mostrando que existe outra possibilidade: manter um trabalho também pode ser uma forma de reagir, desde que o clube tenha convicção de que existe algo para preservar.
A vitória no Couto Pereira não resolveu a luta contra o rebaixamento. Ela apenas mostrou que o caminho escolhido pelo Mirassol ainda pode levar a um final diferente.
E, neste momento, confiar em Guanaes começa a parecer menos uma aposta arriscada e mais uma decisão que o clube conseguiu sustentar até voltar a enxergar a saída.
Foto: Marcos Freitas/ Agência Mirassol/Divulgação



