O Chelsea começou bem a temporada sob o comando de Xabi Alonso, mas nem tudo são boas notícias em Stamford Bridge. Enquanto o time conquista resultados importantes e avança nas competições, alguns dos reforços contratados para o futuro já começam a descobrir um lado menos animador da experiência no clube: chegar ao Chelsea não significa, necessariamente, jogar pelo Chelsea.
Os casos de Geovany Quenda e Emmanuel Emegha chamam atenção neste início de temporada. Juntos, os dois custaram cerca de 75 milhões de euros, mas praticamente não tiveram oportunidades desde que chegaram ao futebol inglês.
Quenda entrou em campo por apenas oito minutos até agora, enquanto Emegha ainda não conseguiu se estabelecer sequer entre as opções utilizadas regularmente por Xabi Alonso. Para dois jogadores jovens, valorizados no mercado e contratados como apostas importantes, o começo é preocupante.
E o problema vai além da situação individual de cada um. Os casos ajudam a levantar uma discussão que acompanha o Chelsea há algum tempo: quantos jovens jogadores o clube consegue contratar antes de começar a atrapalhar o próprio desenvolvimento dessas promessas?
Quenda chega ao Chelsea, mas não vê bola
A situação de Geovany Quenda talvez seja a mais curiosa. O Chelsea fechou a contratação do português ainda em março do ano passado, em um negócio considerado importante pela capacidade do clube de vencer a concorrência por uma das promessas mais valorizadas do futebol europeu.
O jovem de 19 anos chegou ao Chelsea nesta temporada por cerca de 50 milhões de euros, cercado por expectativa. Sua versatilidade também parecia encaixar perfeitamente nas possibilidades táticas de Xabi Alonso.
Quenda pode atuar pelos dois lados do ataque e também desempenhar funções mais defensivas, incluindo a posição de ala. Em um sistema que utiliza bastante os corredores, a contratação parecia fazer ainda mais sentido. Mas, até agora, o português quase não teve espaço.
Mesmo em partidas nas quais muitos imaginavam que Quenda teria uma oportunidade entre os titulares, o jovem acabou ficando no banco. No confronto contra o Leeds, por exemplo, Xabi Alonso realizou quatro mudanças ainda no intervalo após o Chelsea terminar o primeiro tempo em desvantagem, mas Quenda não entrou em campo.
Até agora, foram apenas oito minutos de futebol.
É cedo para afirmar que a contratação será um fracasso, principalmente porque a temporada ainda está no início e o português continua sendo um jogador extremamente jovem. Além disso, a ausência parece estar relacionada principalmente a questões táticas, e não necessariamente a problemas físicos ou extracampo.
Ainda assim, a pergunta existe: se um jogador custou 50 milhões de euros e era considerado uma das grandes promessas de sua geração, quanto tempo ele pode ficar esperando até que a falta de minutos comece a prejudicar seu desenvolvimento?
Emegha enfrenta cenário ainda mais complicado
Se Quenda ainda pode enxergar uma possibilidade de ganhar espaço ao longo da temporada, a situação de Emmanuel Emegha parece ainda mais difícil.
O atacante holandês chegou ao Chelsea após um acordo realizado anteriormente e custou cerca de 25 milhões de euros. Antes disso, ele defendia o Strasbourg, clube que também faz parte do ecossistema ligado à BlueCo.
A saída de Emegha provocou insatisfação entre os torcedores franceses, especialmente porque o atacante era capitão do Strasbourg. No entanto, sua última temporada também foi prejudicada por problemas físicos, e ele disputou apenas dez partidas pela Ligue 1.
Agora recuperado de uma lesão na coxa, Emegha voltou aos treinamentos, mas o caminho para conquistar minutos no Chelsea está longe de ser simples.
O clube contratou Danny Welbeck durante o verão, e o experiente atacante começou bem a temporada. Com isso, a concorrência no setor ofensivo aumentou ainda mais, deixando o jovem holandês em uma situação delicada.
Segundo o cenário apresentado, o Chelsea chegou inclusive a considerar a possibilidade de negociar Emegha logo após sua chegada.
É uma situação que chama atenção. Afinal, um clube investe milhões em um jogador jovem, traz o atleta para o elenco e, pouco tempo depois, já avalia uma possível saída por falta de espaço.
No futebol moderno, isso não é exatamente uma novidade. Mas quando o modelo se repete constantemente, é difícil não questionar se todos esses jogadores realmente fazem parte de um planejamento esportivo ou se alguns acabam sendo tratados principalmente como ativos de mercado.
BlueCo e a estratégia de acumular talentos
A política de transferências do Chelsea nos últimos anos ficou marcada pela busca constante por jovens jogadores. Contratos longos, investimentos em atletas promissores e negociações realizadas com bastante antecedência se tornaram características importantes da estratégia da BlueCo.
Do ponto de vista financeiro, o modelo pode funcionar.
Um jogador jovem contratado por um valor menor pode se valorizar, ser emprestado, ganhar experiência em outro clube e posteriormente ser vendido por uma quantia maior. O Chelsea já conseguiu lucrar com jogadores dessa forma e, em uma estrutura empresarial, é fácil entender por que o modelo parece interessante.
O problema é que jogadores não são apenas números em uma planilha. Para uma promessa de 18, 19 ou 20 anos, os primeiros anos no futebol profissional são fundamentais. É nesse período que o atleta precisa jogar, errar, aprender, ganhar experiência e construir confiança.
Ficar treinando em um elenco cheio de estrelas pode ajudar em alguns aspectos, mas dificilmente substitui minutos reais dentro de campo. E é justamente aí que o Chelsea começa a gerar preocupação para jovens jogadores que pensam em assinar com o clube.
Talento demais pode significar espaço de menos
Quenda e Emegha não são os únicos jogadores jovens que enfrentam dificuldades para conquistar espaço no elenco de Xabi Alonso.
Nomes como Aaron Anselmino e Jamie Gittens também aparecem entre os atletas que ainda buscam uma posição mais consistente dentro do grupo. A competição interna é enorme, e isso significa que nem todos terão a oportunidade de mostrar seu potencial.
Para o Chelsea, ter várias opções pode parecer uma vantagem. Para o treinador, um elenco profundo aumenta as possibilidades. Mas, para um jovem jogador, fazer parte de uma lista enorme de promessas pode transformar uma transferência dos sonhos em um período de espera. E espera demais pode custar caro.
O futebol está cheio de jogadores que precisavam apenas de uma sequência para explodir, mas acabaram passando anos entre bancos de reservas, empréstimos e mudanças de clube. Nem todo talento consegue recuperar o tempo perdido facilmente.
Por isso, os casos de Quenda e Emegha podem servir como um alerta para outras jovens promessas que recebem propostas do Chelsea.
Vestir a camisa de um dos maiores clubes da Inglaterra continua sendo algo gigantesco. Os salários, a estrutura e a exposição são atrativos evidentes. Mas um jogador em desenvolvimento também precisa fazer uma pergunta importante antes de assinar o contrato: vou realmente jogar?
Porque, em um modelo que acumula tantos jovens talentos, ser contratado é apenas o primeiro passo. Conseguir espaço pode ser a parte mais difícil.
Quenda e Emegha ainda têm muito tempo para mudar suas histórias no Chelsea. A temporada está apenas começando, e seria precipitado decretar qualquer fracasso. Mas o início dos dois reforça uma discussão que dificilmente vai desaparecer.
Para jovens estrelas do futebol, a BlueCo pode oferecer estabilidade financeira e a oportunidade de entrar em uma das maiores estruturas do esporte. A questão é que desenvolvimento não acontece apenas em centros de treinamento.
Em algum momento, é preciso entrar em campo. E, no Chelsea, essa pode estar se tornando a parte mais difícil do negócio.
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