O Chelsea voltou a perder pontos na Premier League e, mais uma vez, o motivo passou pela fragilidade defensiva. No último sábado, a equipe abriu vantagem sobre o Hull City, mas sofreu uma virada em apenas seis minutos e precisou buscar o empate por 2 a 2 em Stamford Bridge. Para Xabi Alonso, o cenário já se tornou um padrão que precisa ser corrigido.
O treinador espanhol foi direto ao avaliar a atuação de sua equipe. Depois da partida, Alonso classificou o Chelsea como “soft”, termo que pode ser entendido como “frágil” ou “mole” no contexto usado pelo técnico. A crítica veio justamente após mais um jogo em que os Blues mostraram força no ataque, mas deram espaços demais na defesa.
O Chelsea tem um dos ataques mais fortes da Premier League, mas a dificuldade para proteger a própria área continua sendo um problema importante. A equipe consegue criar oportunidades e marcar gols, mas também permite que os adversários encontrem caminhos para voltar ao jogo com facilidade.
Chelsea repete padrão que incomoda Xabi Alonso
A partida contra o Hull foi mais um exemplo disso. O Chelsea saiu na frente e controlava boa parte do confronto, mas dois gols dos visitantes em um intervalo de apenas seis minutos mudaram completamente o cenário. João Pedro marcou o gol de empate e evitou uma derrota em casa, mas não impediu a preocupação de Alonso.
O treinador admitiu que os jogos do Chelsea podem ser divertidos para quem acompanha, mas afirmou que gostaria de ver uma equipe capaz de vencer partidas de maneira mais tranquila. Para ele, não há problema em ter partidas abertas, mas o time precisa aprender a controlar melhor os momentos em que está à frente no placar.
“É tudo talvez divertido”, disse Alonso após o empate. O espanhol destacou que alguns padrões estão se repetindo e que o Chelsea precisa encontrar uma maneira de interrompê-los.
Na visão do treinador, quando a equipe consegue assumir a liderança, não pode simplesmente diminuir sua intensidade. É necessário continuar competindo, manter as distâncias entre os jogadores e evitar que o adversário tenha oportunidades fáceis para reagir.
Chelsea já sofreu 12 gols na temporada
Os números ajudam a explicar a irritação de Alonso. O Chelsea sofreu 12 gols em seis partidas disputadas em todas as competições no início da temporada. Na sequência de três jogos em apenas seis dias, Arsenal, Leeds United e Hull City marcaram sete vezes contra a defesa dos Blues.
Mais do que os gols sofridos, o problema está na forma como eles acontecem. Falhas individuais, erros de julgamento, falta de organização e dificuldades para defender situações básicas passaram a fazer parte da rotina da equipe.
Alonso também percebeu uma falta de personalidade no setor defensivo. Em alguns momentos, os jogadores do Chelsea são pressionados fisicamente pelos adversários e não conseguem transmitir segurança. Contra o Hull, isso voltou a acontecer.
Questionado sobre o desejo dos jogadores de defender, Alonso reconheceu que o time precisa melhorar. O treinador reforçou que estar em vantagem não significa que o trabalho defensivo pode diminuir.
Para ele, o Chelsea precisa manter a intensidade e estar preparado para qualquer tipo de ameaça. Um erro aparentemente simples pode ser suficiente para colocar o adversário novamente na partida.
Sistema ainda está em adaptação
Parte dos problemas pode estar relacionada ao processo de adaptação ao trabalho de Alonso. O treinador tem utilizado principalmente uma formação com três zagueiros e alas, mas também recorreu à linha de quatro em algumas partidas, incluindo o duelo contra o Hull.
A mudança de sistema naturalmente exige tempo para que os jogadores entendam os movimentos e as responsabilidades defensivas. No entanto, Alonso não pode colocar todos os problemas na conta da adaptação.
O desempenho individual de alguns jogadores também tem pesado. Levi Colwill, por exemplo, ainda busca recuperar seu melhor nível depois de retornar de uma lesão no ligamento cruzado anterior que o deixou quase um ano afastado.
Jorrel Hato também tem sido inconsistente. Contra o Hull, o defensor cometeu um erro grave ao permitir que a bola quicasse dentro da área, em uma jogada que terminou no segundo gol dos visitantes.
Alonso precisa recuperar jogadores do Chelsea
Além de Colwill e Hato, outros jogadores utilizados regularmente na defesa também tiveram participação nos problemas do Chelsea. Wesley Fofana, Maxence Lacroix, Malo Gusto e Josh Acheampong estão entre os atletas que receberam oportunidades no setor.
A situação também chegou ao gol. Depois de uma sequência de erros de Robert Sánchez, o Chelsea contratou Emiliano Martínez na tentativa de solucionar os problemas. O argentino, porém, também teve um início marcado por falhas em Stamford Bridge.
Isso limita as possibilidades de Alonso. O treinador pode alterar sistemas, fazer mudanças e trabalhar aspectos táticos, mas não consegue resolver sozinho todos os problemas defensivos.
A responsabilidade também está nos jogadores, que precisam elevar o nível individual e assumir maior responsabilidade dentro de campo. Para Alonso, não basta o Chelsea ser uma equipe perigosa no ataque se continuar oferecendo tantas oportunidades aos adversários.
Sem reforços chegando para solucionar imediatamente a situação, a tendência é que o treinador precise encontrar respostas dentro do próprio elenco. Caso a defesa não consiga corrigir os erros, o Chelsea continuará sendo uma equipe capaz de proporcionar partidas movimentadas, mas também de desperdiçar pontos em jogos que deveria vencer.
E esse é justamente o problema que mais preocupa Xabi Alonso neste início de trabalho.
Foto; David S. Bustamante e Antonio Villalba.



