A história da Premier League, de Mikel Arteta, Andoni Iraola e Xabi Alonso tem uma origem muito menos grandiosa do que os estádios e grandes clubes que hoje cercam os três treinadores. Antes de comandarem Arsenal, Liverpool e Chelsea, respectivamente, eles passaram pelo Antiguoko, pequeno clube de formação de San Sebastián, no País Basco, que se transformou em um dos mais curiosos celeiros de treinadores de elite do futebol europeu. O fato de três jogadores formados no mesmo ambiente terem alcançado simultaneamente o comando de equipes importantes da Inglaterra é tratado pela própria equipe espanhola como algo extraordinário.
Do mesmo modo, Arteta, Alonso e Iraola nasceram na província de Gipuzkoa, a poucos quilômetros uns dos outros e com apenas sete meses de diferença entre os três. No Antiguoko, fizeram parte de gerações conhecidas localmente pela superioridade técnica e pelos resultados contra equipes tradicionais da região, como Real Sociedad e Athletic Club. O antigo campo de cascalho, onde a bola ficava pesada quando chovia e os jogadores precisavam lidar com condições bastante diferentes das atuais, foi o cenário inicial de uma trajetória que posteriormente chegaria aos maiores palcos do futebol.
Arteta foi quem mais cedo chamou atenção. Segundo antigos treinadores e companheiros, demonstrava inteligência, capacidade de antecipação e uma competitividade incomum. Sua passagem pelo Antiguoko antecedeu a ida para La Masia, do Barcelona, quando tinha apenas 15 anos, e ajudou a construir características posteriormente transferidas para sua carreira como treinador. O próprio técnico do Arsenal reconhece a importância do clube em sua formação, destacando que as pessoas do Antiguoko despertaram nele a confiança necessária para acreditar que poderia chegar ao futebol profissional.
A trajetória de Iraola foi diferente no futebol profissional, mas igualmente reveladora. Mais reservado do que Arteta, era descrito como um companheiro extremamente técnico, educado e competitivo. Atuava como ponta-direita no Antiguoko, até que Ernesto Valverde o deslocou para a lateral-direita no Athletic Club. A mudança inicialmente não agradou ao jogador, mas acabou sendo fundamental para sua carreira. Iraola se tornou uma referência do clube basco, acumulando 510 partidas, antes de iniciar sua trajetória como treinador. Sua liderança sempre esteve mais relacionada ao exemplo e à consistência do que ao volume de sua voz.
Alonso representa outro caminho em relação a Arteta e Iraola. Meio-campista de enorme qualidade técnica, começou no Antiguoko desenvolvendo atributos que posteriormente definiriam sua carreira: precisão nos passes, capacidade de recuperar a bola e leitura do jogo. Durante a infância, porém, não era evidente que se transformaria em uma estrela mundial. O crescimento físico e o desenvolvimento de sua capacidade de passe ampliaram suas características até transformá-lo em um dos grandes meio-campistas de sua geração, com passagens de destaque por Liverpool e Real Madrid.
A coincidência ganha ainda mais força porque os três não chegaram à elite seguindo exatamente o mesmo percurso, mas carregaram consigo uma formação baseada em inteligência, técnica, competitividade e entendimento coletivo. O Antiguoko continua revelando jogadores e já acumula mais de 40 atletas que alcançaram divisões profissionais. Ainda assim, os nomes de Arteta, Alonso e Iraola ocupam um espaço especial na memória do clube. Mais do que produtos de uma mesma escola, eles representam três caminhos diferentes que confirmam a força da formação desenvolvida em San Sebastián.
Hoje, quando Arteta, Alonso e Iraola aparecem à frente de grandes projetos da Premier League, a conexão deixa de ser apenas uma curiosidade do futebol basco. Ela simboliza a força de uma escola de formação capaz de produzir não somente jogadores talentosos, mas também futuros líderes. O antigo campo de cascalho de San Sebastián ficou para trás, porém a identidade construída naquele pequeno clube continua presente em três treinadores que agora tentam escrever, nos grandes estádios ingleses, o capítulo mais importante de uma história que começou muito longe dos holofotes.

Como Arteta, Alonso e Iraola se tornaram grandes treinadores, após iniciarem sua carreira no Antiguoko
A trajetória de Mikel Arteta, Xabi Alonso e Andoni Iraola até o comando de grandes equipes europeias mostra como a formação futebolística no País Basco foi determinante para três treinadores que, em setembro de 2026, estão entre os nomes mais interessantes da nova geração. O Antiguoko foi o ponto de partida, mas cada um construiu seu caminho a partir de experiências diferentes como jogador, aprendendo com treinadores e desenvolvendo uma identidade própria antes de chegar ao mais alto nível.
Arteta iniciou sua carreira profissional ainda muito jovem, passando pela formação do Barcelona antes de atuar por PSG, Rangers, Real Sociedad, Everton e Arsenal. Foi justamente em Londres que começou a se aproximar definitivamente da função de treinador, trabalhando como auxiliar de Pep Guardiola no Manchester City. Em dezembro de 2019, assumiu o Arsenal sem experiência como técnico principal e transformou progressivamente o clube. O ponto máximo chegou em 2025/26, quando conquistou a Premier League, encerrando uma espera de 22 anos do Arsenal pelo título. A campanha teve 85 pontos e 19 partidas sem sofrer gols, consolidando a evolução de seu modelo de jogo.
Alonso percorreu uma trajetória ainda mais internacional. Depois de uma carreira como jogador marcada por títulos com Liverpool, Real Madrid, Bayern de Munique e seleção espanhola, iniciou sua preparação como treinador nas categorias de base do Real Madrid e posteriormente assumiu o Real Sociedad B. Em 2022, recebeu a oportunidade de comandar o Bayer Leverkusen e rapidamente estabeleceu seu nome entre os técnicos de elite. Levou o clube ao primeiro título alemão de sua história e a uma temporada invicta na Bundesliga em 2023/24. Depois de passar pelo Real Madrid, chegou ao Chelsea em julho de 2026 para iniciar sua primeira experiência como treinador na Premier League.
Iraola, por sua vez, desenvolveu uma carreira de jogador quase inteiramente ligada ao Athletic Bilbao, onde disputou 510 partidas. Depois de se aposentar, em 2018 começou a trabalhar como treinador no AEK Larnaca, antes de passar por Mirandés e Rayo Vallecano. No Rayo, conquistou o acesso à La Liga e ganhou reconhecimento por seu futebol intenso e competitivo. Em 2023, chegou ao Bournemouth e rapidamente mudou o patamar do clube. Na temporada 2025/26, conduziu os Cherries ao sexto lugar da Premier League, melhor colocação da história do clube na competição, além de garantir classificação para a Europa League.
O mais impressionante é que os três chegaram à Premier League por caminhos distintos, mas carregam uma mesma origem futebolística, construída ainda nos primeiros anos de formação. Arteta alcançou o título inglês e consolidou seu nome entre os grandes treinadores da competição, enquanto Alonso inicia uma nova etapa à frente do Chelsea. Iraola, por sua vez, levou o Bournemouth à Europa e ampliou sua reputação internacional. São trajetórias diferentes, mas unidas por uma escola que ajudou a moldar três técnicos de enorme relevância no futebol contemporâneo.
O Antiguoko, portanto, não foi apenas o lugar onde três garotos aprenderam a jogar futebol, mas o primeiro capítulo de carreiras que transformaram antigos companheiros em protagonistas de uma das ligas mais competitivas do mundo. Arteta, Alonso e Iraola seguiram caminhos diferentes, enfrentaram desafios particulares e construíram identidades próprias à beira do campo. Ainda assim, carregam uma formação comum, marcada pela técnica, inteligência e compreensão coletiva do jogo. Décadas depois, a ligação permanece simbólica, agora refletida no protagonismo dos três na Premier League inglesa.

Será que a influência do Antiguoko pesou para Arteta, Alonso e Iraola em suas trajetórias no futebol profissional?
A influência do Antiguoko parece ter pesado, sim, nas trajetórias de Mikel Arteta, Xabi Alonso e Andoni Iraola, embora seja impossível atribuir ao pequeno clube basco, sozinho, o sucesso alcançado pelos três. O que existe é uma conexão de formação, valores e ambiente futebolístico que antecedeu carreiras muito diferentes. Em setembro de 2026, essa ligação ganha dimensão ainda maior, porque os três estão no comando de equipes da Premier League, transformando uma história de formação em uma curiosa coincidência no mais alto nível do futebol inglês.
Arteta permaneceu no Antiguoko dos nove aos 15 anos e nunca rompeu completamente os vínculos com o clube. Mesmo depois de seguir para a formação do Barcelona, manteve uma relação próxima com sua primeira equipe e demonstrou preocupação em contribuir com a estrutura que o ajudou a crescer. Sua carreira como treinador foi construída posteriormente a partir de uma combinação entre experiência como jogador, estudo tático e o período como auxiliar de Pep Guardiola no Manchester City. No Arsenal, transformou esse conhecimento em um projeto próprio e chegou ao título da Premier League em 2025/26.
Alonso teve uma trajetória distinta. O antigo meio-campista construiu uma carreira internacional de elite antes de migrar para a função de treinador, passando por Real Madrid e Bayer Leverkusen. No clube alemão, conquistou o primeiro título nacional de sua história e consolidou uma reputação que o levou novamente à Espanha e, posteriormente, ao Chelsea. Em julho de 2026, iniciou oficialmente seu trabalho em Stamford Bridge com contrato de quatro anos, levando para a Premier League a experiência adquirida em diferentes ambientes competitivos.
Iraola também percorreu um caminho próprio. Depois de uma longa carreira como jogador do Athletic Club, iniciou a trajetória como treinador em 2018, passando por AEK Larnaca, Mirandés e Rayo Vallecano antes de chegar ao Bournemouth. Seu trabalho na Inglaterra ampliou sua projeção internacional e, em setembro de 2026, ele já é reconhecido como um dos principais representantes da nova geração de técnicos bascos na Premier League. A experiência acumulada em diferentes contextos ajudou a consolidar sua identidade e seu prestígio no futebol inglês.
Mais do que uma coincidência geográfica, portanto, o Antiguoko parece ter oferecido aos três uma primeira experiência em um ambiente que valorizava técnica, competitividade e compreensão coletiva do jogo. O próprio Arteta já destacou como treinadores bascos anteriores, como Unai Emery e Julen Lopetegui, ajudaram a criar uma referência para a geração seguinte. A formação no Antiguoko não explica sozinha o sucesso de Arteta, Alonso e Iraola, mas certamente representa uma parte importante de uma história que começou em um pequeno clube de San Sebastián e chegou aos bancos de alguns dos maiores times da Premier League.
(Foto: Getty Images)


