O Corinthians deixou o Maracanã derrotado pelo Flamengo por 2 a 1 e com mais um problema para administrar no Campeonato Brasileiro. A quinta derrota consecutiva aumenta a pressão sobre Fernando Diniz e torna cada vez mais urgente uma reação na competição. Ainda assim, reduzir a atuação corintiana ao resultado seria ignorar um detalhe importante: mesmo com uma equipe alternativa e diante de um adversário superior, o Timão encontrou forças para reagir.
É claro que há muito mais motivos para preocupação do que para comemoração. O Flamengo dominou praticamente todo o primeiro tempo, criou uma quantidade enorme de oportunidades e obrigou Hugo Souza a trabalhar bastante. Os números deixam essa superioridade ainda mais evidente: foram 64% de posse de bola, 29 finalizações e 20 escanteios para o time carioca, contra apenas três chutes e nenhum escanteio do Corinthians.
Por outro lado, o contexto também precisa ser considerado. Diniz optou por preservar titulares pensando na decisão contra o Estudiantes, pela Libertadores. A escolha tinha um objetivo claro: chegar ao jogo mais importante da semana com seus principais jogadores descansados. O risco era justamente este: sofrer diante de um Flamengo forte e aumentar ainda mais a pressão no Brasileirão.
Foi o que aconteceu. Mas não de maneira tão simples quanto o placar pode sugerir.
Primeiro tempo expôs a distância entre os times
O Corinthians teve enormes dificuldades para competir no início da partida. Sem seus principais jogadores, encontrou problemas para sair da pressão e praticamente não conseguiu levar perigo ao gol adversário.
Hugo Souza foi um dos responsáveis por manter o placar zerado durante boa parte da primeira etapa. O goleiro apareceu em momentos importantes e evitou que o Flamengo construísse uma vantagem maior antes do intervalo.
O cenário preocupava porque não era apenas uma questão de posse de bola. O Flamengo conseguia recuperar rapidamente a bola, empurrava o Corinthians para trás e acumulava chegadas ao ataque. O Timão parecia mais preocupado em sobreviver do que em jogar.
Isso, por si só, já seria um sinal de alerta pensando na sequência da temporada.
A Libertadores pode oferecer um contexto diferente, principalmente pelo fator casa e pela necessidade de preservar jogadores. Ainda assim, um time que pretende competir em alto nível precisa encontrar maneiras de sofrer menos e permanecer vivo mesmo quando não consegue controlar a partida.
Foi justamente isso que aconteceu no Maracanã.
Diniz mexeu e o Corinthians mostrou capacidade de reação
O gol de Lucas Paquetá, no início do segundo tempo, parecia encaminhar a partida para um roteiro ainda mais complicado. O Flamengo já era superior e, com a vantagem, poderia controlar o jogo com ainda mais tranquilidade.
Diniz, porém, decidiu mudar a equipe. As entradas de Garro, Kaio César e Breno Bidon deram ao Corinthians uma presença ofensiva que não existia anteriormente. O time passou a ter mais capacidade para carregar a bola, ocupar espaços no campo de ataque e, principalmente, incomodar um adversário que havia jogado praticamente sem ser ameaçado.
A mudança não transformou o Corinthians em uma equipe dominante. E esse é um ponto importante. O empate não aconteceu porque o Timão passou a controlar completamente o jogo, mas porque conseguiu aproveitar melhor os momentos em que teve a bola.
Aos 32 minutos, Kaio César participou da construção da jogada e Gui Negão apareceu para marcar o gol de empate.
De repente, uma partida que parecia totalmente controlada pelo Flamengo ganhou outro cenário.
Esse é o aspecto que merece ser valorizado. O Corinthians não teve uma atuação brilhante, mas demonstrou capacidade de resposta. Mesmo depois de passar boa parte do jogo acuado, conseguiu encontrar soluções com as mudanças e voltou a competir.
Para um time mergulhado em uma sequência de derrotas, isso não resolve o problema. Mas pode ser um ponto de partida.
A derrota mostra exatamente o que ainda falta ao Corinthians
O problema é que a reação não foi suficiente para mudar o resultado.
Quando o empate parecia possível, Bruno Henrique marcou de cabeça aos 43 minutos e recolocou o Flamengo na frente. O gol expôs uma deficiência que o Corinthians precisa corrigir rapidamente: não basta reagir. É necessário conseguir sustentar a reação.
Essa talvez seja a principal diferença entre uma equipe que apenas sobrevive e outra capaz de sair de uma crise.
O Corinthians mostrou energia para buscar o empate, mas não conseguiu controlar a reta final. A equipe ainda depende demais de momentos específicos para produzir ofensivamente e sofre quando o adversário consegue impor seu ritmo.
No Brasileirão, isso já custou caro.
A quinta derrota consecutiva deixa o Corinthians em uma situação cada vez mais desconfortável na tabela. A distância para os problemas aumenta a cada rodada, e a Libertadores não pode servir como desculpa para ignorar o que está acontecendo no campeonato nacional.
Ao mesmo tempo, seria injusto ignorar que Diniz tinha uma decisão estratégica a tomar. Preservar jogadores diante do Flamengo significava aceitar um risco. O treinador preferiu apostar suas fichas no confronto com o Estudiantes, e a atuação dos reservas pelo menos mostrou que o elenco ainda possui algumas respostas.
Agora, essas respostas precisam aparecer no momento certo.
Estudiantes será o verdadeiro teste para essa reação
O Corinthians terá pouco tempo para lamentar a derrota. A partida contra o Estudiantes, nesta quarta-feira, na Neo Química Arena, pode representar uma oportunidade de mudar completamente o ambiente ao redor do clube.
O empate por 1 a 1 no primeiro jogo deixou a classificação em aberto. E, diferentemente do que acontece no Brasileirão, o Corinthians entra em campo sabendo exatamente o que está em jogo: uma vaga na semifinal da Libertadores.
É nesse cenário que a reação apresentada contra o Flamengo ganha importância.
Não porque o resultado tenha sido positivo — não foi. Tampouco porque o Corinthians tenha feito uma grande partida — também não fez. O valor está em perceber que, mesmo em uma noite na qual esteve claramente abaixo do adversário, o time não perdeu completamente a capacidade de responder.
A questão agora é transformar essa capacidade em uma atuação mais consistente. Contra o Estudiantes, não será suficiente esperar o segundo tempo para começar a competir. O Corinthians precisará desde o início mostrar intensidade, organização e coragem para jogar. A Neo Química Arena será fundamental, mas a torcida não consegue resolver sozinha aquilo que precisa ser construído dentro de campo.
A crise no Brasileirão é real. Cinco derrotas consecutivas não podem ser relativizadas, e o Corinthians precisa urgentemente recuperar sua capacidade de pontuar. Mas o Maracanã deixou uma pequena fresta de esperança.
O time perdeu para o Flamengo, sofreu durante boa parte da partida e novamente saiu derrotado no campeonato. Ainda assim, quando teve espaço e recebeu as peças certas, mostrou que não está completamente sem respostas.
Talvez seja pouco para quem precisa sair de uma crise. Para o Corinthians, porém, pode ser exatamente o primeiro sinal de que ainda existe força para reagir. Agora resta descobrir se essa força aparecerá novamente quando realmente não houver mais margem para errar.
Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians/Divulgação



