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Allan dá primeiros sinais de que pode ser uma peça importante no Manchester City; entenda

A primeira impressão de Allan com a camisa do Manchester City foi melhorando com o passar dos minutos e bastante. Contratado junto ao Palmeiras durante a janela de verão, o brasileiro finalmente recebeu sua oportunidade como titular na goleada por 5 a 0 sobre o Norwich City, pela terceira rodada da Copa da Liga Inglesa. E, apesar de um começo complicado, terminou a noite com exatamente o tipo de participação que um atacante recém-chegado à Inglaterra gostaria de apresentar: gol, assistência e algumas jogadas capazes de levantar a torcida.

A partida também serviu para mostrar que a adaptação ao futebol inglês não será automática. Allan sentiu logo nos primeiros minutos uma diferença que muitos jogadores sul-americanos encontram quando atravessam o Atlântico: a intensidade física. Atuando aberto pelo lado direito, o brasileiro teve dificuldades para proteger a bola em alguns duelos e acabou sendo superado fisicamente pelo lateral Darlin Yongwa. Não foi exatamente o começo dos sonhos para quem estava fazendo sua estreia no Etihad Stadium.

Só que Allan não desapareceu depois disso. Pelo contrário. O brasileiro continuou participando do jogo, ajudou defensivamente quando perdeu a posse e, aos poucos, passou a encontrar espaços para usar uma de suas principais características: a capacidade de partir para cima dos adversários. A evolução durante a própria partida foi um dos pontos mais interessantes de sua estreia.

Allan começa a aparecer no City

A primeira grande contribuição veio ainda no primeiro tempo. Allan recebeu pelo lado direito e colocou a bola na área para Floyd Samba, que apareceu para marcar o primeiro gol do Manchester City. A assistência não foi apenas um número na súmula: ela representou o momento em que o brasileiro começou a jogar com mais confiança. E confiança, no futebol, às vezes muda tudo.

Depois da participação no gol, Allan passou a arriscar mais. O brasileiro já não parecia tão preocupado com os primeiros duelos perdidos e começou a buscar o confronto individual, algo que fez parte de sua passagem pelo Palmeiras. O City, que já controlava completamente a partida, encontrou no brasileiro mais uma alternativa para atacar uma defesa que estava cada vez mais recuada.

No segundo tempo, veio a recompensa.

Enzo Maresca deslocou Allan para o lado esquerdo, e a mudança funcionou rapidamente. Aos 48 minutos, o brasileiro recebeu pela esquerda, avançou em direção à área, atacou a defesa do Norwich e aplicou uma mudança de direção antes de finalizar com a perna esquerda. O chute encontrou o fundo da rede e marcou o primeiro gol de Allan pelo Manchester City.

Foi uma jogada que resumiu boa parte do que o clube espera encontrar no jogador: velocidade, capacidade de condução, drible e a possibilidade de atuar em diferentes zonas do campo.

Brasileiro diferente no ataque

Allan chegou ao Manchester City depois de construir seu espaço no Palmeiras. O jogador, formado nas categorias de base do clube paulista, estreou profissionalmente em janeiro de 2025 e acumulou 96 partidas pelo time antes de atravessar o oceano. Nesse período, marcou seis gols e participou de 21 gols entre gols e assistências, números que ajudaram a despertar o interesse inglês.

A contratação também faz parte de uma estratégia mais ampla do City para renovar suas opções ofensivas. Allan assinou contrato de cinco anos e chegou em um momento no qual o clube precisava reorganizar seu setor de ataque após as mudanças no elenco, incluindo a saída de Savinho.

Mas há algo particularmente interessante no perfil do brasileiro. Allan não é simplesmente aquele ponta que recebe a bola, acelera e tenta resolver tudo sozinho. Sua versatilidade chamou atenção antes mesmo da estreia na Inglaterra.

O jornalista Tim Vickery, por exemplo, destacou que Allan pode fazer mais do que atuar aberto pelo lado do campo. Segundo a análise publicada antes da estreia, o brasileiro também consegue participar da construção, atuar como um jogador a mais no meio-campo e contribuir defensivamente.

Isso ajuda a explicar por que o Manchester City decidiu apostar nele.

Em um time que exige dos atacantes muito mais do que gols e dribles, saber ocupar diferentes espaços pode ser tão importante quanto a capacidade de desequilibrar no último terço. Allan terá de entender rapidamente os movimentos coletivos da equipe, mas seu perfil oferece algumas ferramentas interessantes para isso.

Maresca gostou do que viu

Depois da partida, Enzo Maresca avaliou positivamente a estreia do brasileiro. O treinador reconheceu que os primeiros minutos não foram fáceis, justamente pela diferença entre o futebol inglês e aquilo que Allan estava acostumado a enfrentar na América do Sul.

Ao mesmo tempo, Maresca valorizou a maneira como o jogador reagiu ao início complicado. Para o técnico, terminar a estreia com um gol e uma assistência foi importante não apenas pelo resultado, mas também pelo processo de adaptação do brasileiro. E esse talvez seja o principal ponto da estreia de Allan.

Não é preciso transformar uma atuação contra o Norwich em uma prova definitiva de que o brasileiro está pronto para ser protagonista do Manchester City. Ainda há muita estrada pela frente. A Premier League vai apresentar adversários mais físicos, espaços menores e uma cobrança completamente diferente daquela que ele enfrentava no futebol brasileiro.

Por outro lado, também não dá para ignorar o que aconteceu.

Allan começou a partida sentindo o peso dos duelos físicos, mas terminou marcando um gol e dando uma assistência. Mais importante do que os números, mostrou capacidade de adaptação dentro do próprio jogo. Isso pode ser um sinal interessante para um jogador que ainda está descobrindo como funcionar em um novo país, em uma nova liga e dentro de um sistema bastante exigente.

O Manchester City não contratou Allan apenas pelo que ele pode fazer em uma jogada individual. O clube parece enxergar nele um atacante capaz de oferecer intensidade, versatilidade e criatividade em diferentes setores do campo. Contra o Norwich, ele apresentou um pouco de cada ingrediente.

Agora vem a parte mais difícil: repetir isso quando os jogos valerem ainda mais.

Porque, se a primeira amostra foi promissora, Allan ainda precisa transformar uma boa estreia em sequência. E, no Manchester City, uma coisa é certa: depois de ganhar os primeiros minutos, o brasileiro vai precisar continuar mostrando serviço para conquistar espaço em um elenco no qual ninguém recebe vaga de presente.

Foto: Divulgação/Manchester City