Joshua Van mostrou ao mundo, no UFC 331, que o cinturão dos pesos moscas está em excelentes mãos. Com uma atuação muito segura, o birmanês dominou Alexandre Pantoja e confirmou que realmente merece estar no topo da categoria. Mais do que defender o título, o campeão apresentou argumentos para pensar em um reinado longo.
A rivalidade com o brasileiro começou justamente com uma vitória polêmica. No ano passado, Van contou com uma lesão de Pantoja em poucos segundos para subir ao topo da divisão. Desta vez, porém, foi diferente. Não houve espaço para dúvidas sobre quem controlou a maior parte do confronto.
Joshua Van desmontou a estratégia do desafiante, soube lidar com os momentos adversos e mostrou superioridade na trocação. O campeão dos moscas é legítimo, infelizmente para a torcida brasileira. Aos 24 anos, ele parece cada vez mais preparado para lidar com lutas grandes e adversários experientes.
Van foi inteligente para não ser surpreendido
Van ganhou de maneira unânime, por 50 a 45. A decisão dos juízes, é verdade, foi exagerada. Em alguns momentos, a luta foi equilibrada e Pantoja conseguiu criar problemas. Contudo, houve uma superioridade notória do birmanês ao longo dos cinco rounds.
Pantoja foi para cima no começo da luta, conseguiu derrubar o adversário e deu sinais de que poderia controlar o atual campeão. Isto, efetivamente, não ocorreu. O atual campeão rapidamente ajustou sua postura e passou a dificultar as entradas do brasileiro.
O campeão foi inteligente para não ser surpreendido. Soube fugir das quedas dos brasileiros e daquela pressão absurda costumeira de Pantoja. Bem mais jovem, Van mostrou muita maturidade para administrar o combate e preservar o cinturão mesmo quando o rival conseguiu impor seu ritmo.
Sem conseguir finalizar o birmanês, Pantoja foi cansando com a trocação. No boxe, Van levou a melhor e chegou a cortar o rosto do brasileiro, o “Canibal”, que sentiu o impacto dos golpes. A partir do momento do corte, a vantagem de Van pelo alto ficou ainda maior.
Muito mais rápido, o campeão passou a acertar golpes e fugir das investidas de Pantoja com mais tranquilidade. A velocidade foi um dos principais fatores do confronto, especialmente quando o brasileiro precisava encurtar a distância para tentar colocar seu jogo de grappling em prática.
No quinto e último round, Van quase nocauteou o brasileiro, que mostrou muita bravura. Pantoja resistiu até o fim, apesar de não ter conseguido emplacar sua estratégia e ter demonstrado afobação em boa parte da luta.
Van pode ter longo domínio nos moscas
Com apenas 24 anos, Van sinaliza que pode se transformar em um campeão histórico dos moscas. O desempenho contra Pantoja não foi apenas uma vitória sobre um nome importante da divisão, mas também uma demonstração de que o cinturão pode permanecer em suas mãos por bastante tempo.
Isto porque ele está no seu auge físico, mostra muita velocidade, sabe se defender no chão e ainda absorve bem os golpes. Demonstrando estar cada vez mais maduro, Van tem ferramentas para enfrentar estilos diferentes e corrigir eventuais problemas durante as próprias lutas.
Outro ponto importante é sua capacidade de adaptação. Quando Pantoja tentou pressionar e levar o combate para o chão, Van encontrou respostas. Quando a luta ficou em pé, conseguiu aproveitar sua velocidade e precisão. Essa variedade torna o campeão ainda mais difícil de ser derrotado.
Para Pantoja, já aos 36 anos, a missão é se manter ativo e voltar a ganhar lutas para, quem sabe, viver uma trilogia com Van. O brasileiro tem muita técnica e experiência, mas já mostra o desgaste natural da idade.
O resultado também muda a perspectiva da categoria. Van deixa de ser apenas o jovem campeão que chegou ao topo em circunstâncias incomuns e passa a ser um nome consolidado. Se continuar evoluindo no mesmo ritmo, poderá construir um reinado marcante entre os pesos moscas.
Foto: Chris Unger/Zuffa LLC



