Atlético-MG criou o suficiente, mas não fez o necessário
O Atlético-MG não saiu da Arena MRV com a sensação de que faltou futebol para vencer a Chapecoense. Faltou transformar o futebol apresentado em resultado. O empate por 1 a 1, pela 28ª rodada do Brasileirão, ajuda a explicar a frustração.
O Galo terminou com 66% de posse de bola, 26 finalizações, 11 no alvo e dez escanteios. Teve volume e ocupou o campo de ataque.
A Chapecoense, lanterna da competição, encontrou o gol em uma de suas melhores chegadas do primeiro tempo. Túlio Eduardo aproveitou uma jogada pelo lado direito e colocou os visitantes em vantagem aos 43 minutos.
O Atlético já havia criado antes disso. Natanael teve uma boa oportunidade, Fred também apareceu em condição de finalizar e Cuello conseguiu escapar em algumas jogadas. O problema é que o time produziu mais do que marcou.
E essa diferença começa a pesar.
O problema do Atlético aparece quando a superioridade precisa virar gol
No primeiro tempo, o Galo finalizou 11 vezes contra cinco do adversário e teve três chances claras. A equipe chegava pelos lados, recuperava a bola no campo ofensivo e encontrava espaços para finalizar.
A eficiência, porém, não acompanhou o volume. O problema deixa de ser apenas pontaria. Uma equipe que domina e finaliza precisa colocar seus melhores jogadores em condições frequentes de decidir.
O Atlético-MG começou sem um centroavante de referência. Reinier estava fora por lesão, enquanto Cassierra vinha de longo período sem marcar. Minda e Cuello formaram a dupla mais avançada, com movimentação, mas pouca presença de área.
Quando a partida exige um gol, essa diferença pesa. O Atlético não precisa criar o dobro de chances, mas aproveitar melhor as que aparecem. É justamente esse ponto que precisa ser trabalhado por Eduardo Domínguez.
Cassierra encerrou o jejum, mas não resolveu o problema
A entrada de Cassierra no segundo tempo ajudou a mudar o cenário. Renan Lodi, Castaño, Cassierra e Dudu foram acionados, e o Atlético-MG passou a circular melhor a bola. O time aumentou a pressão, conseguiu empurrar a Chapecoense ainda mais para perto da própria área e finalmente encontrou o empate aos 23 minutos.
Bernard recebeu pelo lado e cruzou para Cassierra completar para as redes. Para o atacante, foi um gol importante por outro motivo: encerrou um jejum de 19 partidas. Só que o gol não pode esconder o problema que levou o Atlético até aquele momento.
Depois do empate, o Galo continuou criando. Dudu teve uma oportunidade clara com o gol praticamente aberto e não conseguiu concluir. Cuello também desperdiçou depois de uma longa arrancada. A equipe terminou o jogo com 11 finalizações no alvo, mas não conseguiu encontrar o segundo gol.
É justamente aí que a partida se torna um alerta. O Atlético-MG teve território, volume e oportunidades. Faltou transformar tudo isso em vantagem suficiente para levar os três pontos.
Domínguez precisa encontrar mais soluções no ataque
Eduardo Domínguez já identificou que o setor ofensivo precisa melhorar. O desafio agora é encontrar alternativas que não dependam de uma única peça.
A ausência de Reinier reduz as opções em um setor que já vinha apresentando dificuldades. E, quando Cassierra entra depois de um longo jejum, fica evidente como o Atlético precisa distribuir melhor a responsabilidade de marcar gols.
Isso passa pela formação, mas não apenas por ela. Meias precisam chegar mais perto da área, pontas atacar espaços, laterais oferecer profundidade sem expor o time e os jogadores que recebem oportunidades transformar esses momentos em produção.
Contra a Chapecoense, o Atlético-MG teve volume suficiente para fazer mais. O problema é que algumas oportunidades foram desperdiçadas e outras não foram construídas com a clareza necessária.
Em jogos desse tipo, não basta ter mais posse ou finalizar mais. É preciso ter jogadores preparados para decidir quando a bola chega.
O Atlético também precisa amadurecer a maneira de jogar
O resultado também não pode ser analisado apenas pela falta de eficiência.
O Atlético começou melhor, sofreu antes do intervalo e precisou mudar o jogo na segunda etapa. A reação aconteceu, mas veio acompanhada de uma pressão cada vez maior sobre um adversário que passou a defender mais próximo da própria área.
Quando um time domina durante tanto tempo, precisa também saber administrar a ansiedade.
Quanto mais o relógio avança, maior tende a ser a pressa. E a pressa pode transformar uma equipe organizada em um time que acelera todas as jogadas, força passes e deixa espaços para o contra-ataque.
O Atlético não perdeu completamente o controle, mas também não transformou seu domínio em uma sequência de ataques realmente decisivos. Esse tipo de maturidade competitiva será importante na reta final.
O Galo está com 40 pontos e terá agora um intervalo maior no Brasileirão. O próximo compromisso será contra o Red Bull Bragantino, em 3 de outubro, na Arena MRV, em jogo atrasado da 25ª rodada.
Domínguez terá tempo para trabalhar e encontrar respostas.
A reta final não permite que o Atlético continue desperdiçando
O empate com a Chapecoense não elimina as possibilidades do Atlético, mas representa dois pontos deixados em um jogo no qual havia condições de vencer. É esse tipo de partida que pode pesar quando a tabela apertar.
O Atlético precisa melhorar a capacidade de transformar domínio em resultado. Precisa de mais presença na área, mais eficiência nas finalizações e mais jogadores participando das jogadas que terminam em gol.
A boa notícia é que o problema está exposto. O Galo não precisa reconstruir tudo. Precisa ajustar o que impede uma equipe que cria de transformar criação em vitória.
Cassierra voltou a marcar. O time produziu. A torcida respondeu com presença de 35.844 pessoas na Arena MRV. Agora falta o passo mais importante: fazer com que esse volume tenha consequência no placar. Porque, na reta decisiva do Brasileirão, dominar já não basta.
O Atlético-MG precisa aprender a transformar superioridade em três pontos. E essa pode ser a diferença entre uma equipe que apenas compete e outra que consegue chegar ao fim da temporada ainda brigando pelos seus objetivos.
Foto: Pedro Souza / Atlético / Divulgação



