A estreia de Klopp na seleção da Alemanha não foi com uma vitória. O empate contra a Holanda, pela Nations League, evidenciou os primeiros problemas para o técnico, que agora mantém o foco para o compromisso contra a Grécia, no próximo domingo.
Até os acréscimos, os tetracampeões mundiais estavam conquistando uma vitória, com mais sorte do que juízo. Os holandeses foram melhores no certame e ainda contavam com o ‘fator casa’, o que os impulsionou a não desistir do duelo.
O gol de empate veio dos pés de Gakpo, depois de uma bela assistência de Ruben Van Bommel. Os times somaram um único ponto na estreia da competição, mas para Klopp vai servir também de parâmetro para a montagem dos futuros times da Mannschaft — como a seleção da Alemanha é conhecida. A partir disso, veja as principais impressões da estreia do novo técnico das Águias:
Momentos iniciais com muita posse e Kimmich como meia
Seria uma novidade abordar que o time alemão foi passivo e moroso nas primeiras ações, algo que não condiz com a filosofia futebolística do país. Foram cincos minutos de controle, imposição e tentativas de orquestrar jogadas de ataque. Nesse recorte, viu-se uma Alemanha bem disposta a girar a bola com paciência, tentando buscar uma brecha para infiltrar na grande área da Holanda.
Para isso, Klopp realizou o desejo de muitos e colocou Joshua Kimmich como meio-campista, e não como lateral onde estava acostumado a atuar sob a batuta de Julian Nagelsmann — técnico que antecedeu Klopp. A partir da escalação do camisa 6 no setor de meio campo, acredita-se que esse seja o ideal para que a Alemanha desempenhe uma característica dominante, criativa e intensa.
A maioria das jogadas passaram pelo pé do jogador, que distribuiu o jogo para as participações de Nadiem Amiri, como o meia armador — já que Jamal Musiala foi cortado por lesão antes da bola rolar —, e as boas projeções dos laterais Philipp Trau, estreante com a camisa da Mannschaft, e Nathaniel Brown, que já tinha sido destaque na Copa do Mundo.
A administração do ritmo por parte da Alemanha funcionou até certo ponto. Porém, uma vez que a Holanda tomou a bola, o jogo foi diferente e a pressão foi sentida pelo time de Klopp.
Muitos problemas na defesa
Como um começo de uma jornada, era esperado que o time de Klopp tivesse problemas. E assim foi visto. A retaguarda alemã pareceu sobrecarregada e foi envolvida com facilidade pelo sistema holandês, de Xavi Hernández. O DNA do treinador da Laranja Mecânica é também de muita posse, entretanto tende mais para a escola espanhola — o que os leva exibir um perfil do “Tiki Taka”, com movimentação, toques rápidos e jogo associativo, como o Barcelona fazia nos tempos em que Xavi era jogador e se consagrou dentro deste mesmo sistema.
A Alemanha ficou contra as cordas e sofreu com as constantes movimentações de Summerville, Gakpo e Brobbey. O que os beneficou no primeiro tempo foi justamente uma interrupção das linhas de passe, que gerou uma bola roubada no campo de ataque e que terminou no gol de Felix Nmecha.
Desprezando-se a falta de fair-play da Alemanha, algo que foi acusado pela Holanda, foi uma jogada trabalhada e que contou com o apoio de Trau, autor do cruzamento completado por Nmecha. Mas, mesmo com a abertura, a defesa continuou sendo o calcanhar de Aquiles dos alemães, principalmente pelo fato de que, antes de saírem na frente, já havia o indício de fragilidade defensiva com um tento anulado da Holanda. Na jogada invalidada por falta, tudo foi permitido pelas falhas de Havertz e Schlotterbeck no jogo aéreo e numa saída completamente atabalhoada de Ter Stegen.
O preço da instabilidade foi apenas cobrada no apagar das luzes, quando Brown não viu a ultrapassagem de Gakpo em suas costas. O cruzamento chegou nos pés do atacante do Liverpool que deixou tudo igual.
Se fossem mais eficazes no contragolpe, tudo seria diferente
Nos momentos sem a bola é que a característica da escola alemã se sobressai. O “Gegenpressing”, do qual Klopp também bebeu da fonte, foi visto, mas não aproveitado. Forçar erros, interceptar as jogadas e concluí-las o mais rápido possível é o tripé que compõe a filosofia de jogo da Alemanha, e que os jogadores ontem não conseguiram ser eficazes.
Os contragolpes puxados por Brown, Schade e Fuhrich tomaram rumos que não os das redes. A Alemanha não conseguiu converter as chances em gol, vide a oportunidade claríssima de Adeyemi perdida ainda no primeiro tempo. A jogada foi aplaudida por Klopp, mas que certamente será um ponto de reajuste nos treinamentos para os próximos jogos, a serem realizados na semana que vem.
O ponto é que, para um primeiro jogo, o time foi eficiente para roubar as bolas e controlar a posse, mesmo que por um tempo curto dentro de uma partida de 90 minutos. A expectativa fica para o jogo contra a Grécia no domingo (27), às 15h45 (horário de Brasília).
Créditos da foto de capa: IMAGO/MB Media Solutions



