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República Tcheca no tênis feminino: como o país produz tantos talentos?

As finais da BJK Cup estão sendo disputadas na China durante esta semana e a República Tcheca se classificou para a final do torneio. Não é de hoje que o tênis é uma potência no país, especialmente entre as mulheres. Entretanto, 2026 tem sido um grande ano para as tenistas tchecas e o sucesso apenas continua.

Linda Nosková e Karolína Muchová são as representantes no top 10 do ranking da WTA, mas estão acompanhadas por mais cinco atletas no top 50. Já no top 100, mais três entram na lista e é esperado que outras apareçam no futuro, com muitas jovens tenistas começando a sua carreira apenas agora.

Como o país conseguiu se transformar nessa potência tão grande no tênis feminino?

Siniakova, Bejlek, Bouzkova, Muchova, Noskova e a capitã Strycova na BJK Cup 2026. Foto: Getty Images for Billie Jean King Cup

República Tcheca no tênis feminino

A final de Wimbledon foi entre Nosková e Muchová, as duas principais tenistas da República Tcheca na WTA. Isso já é um feito incrível para qualquer país e serviu para mostrar ainda mais o ótimo momento do país no tênis. E as duas nem são as únicas a brilhar no esporte, sendo apenas as duas que estão no top 10 neste momento.

Historicamente, a República Tcheca sempre produziu grandes talentos no tênis. Nos últimos 10 anos, o país fica apenas atrás dos Estados Unidos em finalistas de Grand Slams. 6 tchecas chegaram a decisões de majors neste período, enquanto 10 estadunidenses foram finalistas. Isso sem contar Karolina Siniaková, que é a melhor duplista da atualidade.

Além de Nosková, outras campeãs recentes foram Barbora Krejčíková e Markéta Vondroušová. O que explica esse enorme sucesso?

Muchova é uma das tenistas da República Tcheca dentro do top 10. Foto: Divulgação/Billie Jean King Cup

O que é feito na República Tcheca?

É preciso notar, principalmente, que a República Tcheca possui um excelente programa para as jovens tenistas. Isso permite o desenvolvimento das crianças e adolescentes no país, aumentando as chances de sucesso. Martina Navratilova, ao ser questionada pela BBC sobre o assunto, não hesitou:

“Na República Tcheca, há clubes por toda parte; toda cidade pequena tem duas, três ou quatro quadras de saibro, e agora há muito mais bons treinadores.” Isso possibilita que o esporte seja alcançado por todos. Usando o exemplo do que acontece no Brasil, é como o futebol, que tem escolinhas em todos os cantos.

Dessa forma, as crianças se desenvolvem e aquelas que possuem o talento e a vontade para seguir continuam crescendo. Há também outro fator: a tradição. No país, o tênis é o principal esporte feminino, enquanto os meninos acabam focando em futebol ou hóquei de gelo. Somado ao fato de que os clubes estão em todos os cantos, fica mais fácil encontrar jovens talentos.

Tudo isso torna o esporte mais acessível para qualquer um, se tornando a escolha das crianças, especialmente meninas, quando optam por fazer um esporte. No Brasil, por exemplo, as opções costumam ficar mais em vôlei, futebol e até handball. E são esportes que, apesar da falta de investimento em alguns casos, ainda geram suas estrelas.

Na República Tcheca, a escolha também pode vir com o investimento, se a criança mostrar que tem talento. Estamos acostumados a ver tenistas tchecas aparecerem já no juvenil. Um caso recente disso é a talentosa Jana Kovačková, de apenas 16 anos. Mesmo tão jovem, já está próxima do top 400 do ranking da WTA.

E ela está bem longe de ser a única. Há uma grande quantidade de adolescentes tchecas já dentro do top 200. E não há qualquer sinal de que isso erá diminuir nos próximos anos.

Foto: Lintao Zhang/Getty Images for Billie Jean King Cup