O GP do Azerbaijão deixou uma série de histórias importantes para o restante da temporada 2026 da Fórmula 1. Enquanto alguns pilotos e equipes aproveitaram o caos de Baku para sair fortalecidos, outros terminaram o fim de semana com muito mais perguntas do que respostas.
George Russell foi o grande destaque ao transformar uma pole dominante em vitória, enquanto a Red Bull colocou seus dois carros no pódio mesmo depois de um sábado complicado para Max Verstappen. Kimi Antonelli também merece destaque pela recuperação de 16º para quinto.
Do outro lado, a McLaren teve um domingo para esquecer, a Aston Martin terminou com os dois carros abandonando e a Ferrari, apesar de colocar Charles Leclerc e Lewis Hamilton entre os seis primeiros, não encontrou ritmo para lutar pela vitória.
George Russell
É impossível começar por outro nome. Russell teve um fim de semana praticamente perfeito em Baku. O britânico foi competitivo desde os treinos, conquistou uma pole dominante no sábado e, no domingo, conseguiu controlar uma corrida que teve Safety Cars e uma forte pressão de Max Verstappen nas voltas finais.
A Mercedes abriu mais de oito décimos de vantagem sobre o restante do grid na classificação, com Russell marcando 1min42s526. Na corrida, ele sustentou a liderança durante as 51 voltas e segurou Verstappen por apenas 0s196 na linha de chegada.
A vitória também teve peso importante no campeonato. Russell chegou a Baku 81 pontos atrás de Kimi Antonelli e deixou o Azerbaijão com uma diferença de 66 pontos para o companheiro de equipe. Foi sua terceira vitória na temporada e a primeira desde o GP da Áustria. Depois de algumas corridas abaixo das expectativas, Russell não apenas venceu: mostrou velocidade em todas as etapas do fim de semana e voltou a colocar seu nome entre os protagonistas da temporada.
Red Bull
A Red Bull também está entre os grandes vencedores de Baku. O resultado pode parecer surpreendente quando se olha apenas para a classificação de Verstappen. O tetracampeão largou apenas em oitavo, depois de enfrentar problemas de potência e gerenciamento de energia que comprometeram sua sessão.
Mesmo assim, a equipe conseguiu virar completamente o cenário no domingo. Verstappen avançou pelo pelotão e terminou em segundo, apenas 0s196 atrás de Russell. E o resultado da equipe ficou ainda mais forte porque Isack Hadjar completou o pódio na terceira posição. A Red Bull, portanto, colocou os dois carros entre os três primeiros.
Para Verstappen, transformar o oitavo lugar do grid em segundo foi particularmente importante. Para Hadjar, o pódio confirmou o ritmo apresentado desde a classificação, quando o francês havia colocado o carro na quarta posição. A Red Bull deixa Baku com 33 pontos conquistados por seus dois pilotos e uma demonstração clara de que tinha ritmo para lutar pela vitória.
Kimi Antonelli
Kimi Antonelli teve um dos finais de semana mais curiosos do grid. No sábado, tudo parecia ter dado errado. O líder do campeonato bateu na curva 1 durante o Q1, danificou o carro e não conseguiu disputar o restante da classificação. O resultado foi a 16ª posição no grid.
A partir dali, o objetivo passou a ser minimizar o prejuízo. E Antonelli fez exatamente isso. O italiano ganhou 11 posições durante a corrida e terminou em quinto, apenas 14s512 atrás de Russell.
O resultado fez com que Antonelli perdesse 15 pontos de vantagem para Russell na liderança do campeonato, mas poderia ter sido muito pior depois de largar tão atrás. Em um circuito onde ultrapassar nem sempre é simples, sair de 16º e terminar em quinto foi uma das grandes recuperações do domingo.
McLaren
A McLaren talvez seja o caso mais evidente entre os perdedores de Baku. A equipe chegou à corrida com Oscar Piastri em terceiro e Lando Norris em quinto no grid. Piastri, inclusive, havia ficado a apenas 0s001 de Charles Leclerc na briga pela primeira fila. Mas o que parecia ser uma oportunidade de conquistar um grande resultado terminou em um domingo sem nenhum ponto.
Piastri chegou a ocupar posição de pódio, mas perdeu várias posições depois de travar os pneus na primeira curva durante uma relargada. O australiano terminou apenas em 14º. Norris teve um destino ainda pior. O piloto da McLaren abandonou na volta 35 depois de se envolver no acidente provocado pelo erro de Franco Colapinto na curva 1, que também tirou Pierre Gasly da prova.
O resultado é especialmente frustrante porque a McLaren tinha velocidade suficiente para lutar pelas primeiras posições. No fim, porém, saiu de Baku sem pontuar com nenhum dos dois carros.
Aston Martin
Aston Martin também teve um fim de semana para esquecer. A equipe já enfrentava dificuldades antes mesmo da corrida. Fernando Alonso e Lance Stroll tiveram posições comprometidas por mudanças de componentes da unidade de potência, enquanto o time também demonstrava falta de velocidade nas retas.
Na classificação, Alonso ficou em 19º e Stroll em 21º. O próprio Alonso apontou a perda de tempo nas retas como um dos principais problemas do carro. A corrida não trouxe uma reação.
Stroll abandonou depois de apenas sete voltas, enquanto Alonso completou 20 voltas antes de também deixar a prova. Com os dois carros fora, a Aston Martin terminou o GP do Azerbaijão sem qualquer chance de pontuar. Para uma equipe que já vinha buscando respostas sobre seu desempenho, Baku acrescentou ainda mais problemas à lista.
Ferrari
A Ferrari não teve um desastre completo, mas também não conseguiu transformar seu potencial em uma ameaça real à vitória. Charles Leclerc largou da primeira fila, em segundo, depois de fazer uma boa volta na classificação. Lewis Hamilton também colocou o outro Ferrari no top 10, em sexto.
Na corrida, porém, faltou ritmo para acompanhar Russell e as duas Red Bull.
Leclerc terminou em quarto, 14s136 atrás do vencedor, enquanto Hamilton chegou em sexto, 22s382 atrás. Foram 20 pontos somados pela equipe, um resultado sólido, mas distante da disputa pela vitória.
O próprio Leclerc havia reconhecido após a classificação que a Ferrari estava muito distante do tempo de Russell. A situação se confirmou no domingo: o monegasco conseguiu terminar à frente de Antonelli, mas nunca esteve realmente em posição de disputar o triunfo. Para a Ferrari, Baku acabou sendo mais um fim de semana de pontos importantes do que de protagonismo.
O saldo de Baku
O GP do Azerbaijão mudou bastante o cenário entre as principais equipes e pilotos. Russell saiu fortalecido depois de um fim de semana dominante, enquanto Antonelli mostrou que um erro na classificação não necessariamente precisa destruir uma corrida. A Red Bull, por sua vez, confirmou sua força com um segundo lugar de Verstappen e o pódio de Hadjar.
Na outra ponta, a McLaren deixou escapar uma oportunidade importante e saiu sem pontuar, enquanto a Aston Martin teve os dois carros abandonando. A Ferrari somou pontos com seus dois pilotos, mas não mostrou ritmo suficiente para entrar na briga pela vitória.
Baku, mais uma vez, deixou uma lição conhecida na Fórmula 1: em um circuito de rua onde acidentes, Safety Cars e detalhes de execução podem mudar completamente o resultado, aproveitar as oportunidades é tão importante quanto ter um carro rápido.
Foto: (Reprodução/Grande Prêmio)



