verstappen
Automobilismo Fórmula 1

Verstappen explica por que chegada a 0s196 de Russell em Baku não conta toda a história

Max Verstappen terminou o GP do Azerbaijão apenas 0s196 atrás de George Russell na linha de chegada, mas o piloto da Red Bull afirmou que a diferença real entre os dois era maior. Segundo o tetracampeão mundial, a margem durante o último trecho da corrida esteve próxima de um segundo e só diminuiu nos metros finais por causa de um problema de potência enfrentado pela Mercedes.

Russell havia previsto após a classificação que Verstappen, mesmo largando apenas na oitava posição, seria seu principal adversário pela vitória. A previsão se confirmou em uma das disputas mais apertadas da temporada, com o holandês pressionando o piloto da Mercedes até a bandeirada.

Apesar da diferença oficial de apenas 0s196, Verstappen acredita que o resultado poderia ter sido um pouco mais confortável para Russell caso não houvesse uma bandeira amarela no fim da prova. “É claro que pareceu apertado na linha de chegada, mas acho que isso aconteceu mais porque o George sofreu um pouco com a falta de resposta da potência na curva 15 por causa da bandeira amarela”, explicou Verstappen.

“Então, se você olhar para o último trecho, era sempre de um segundo. Provavelmente seria assim que teríamos terminado.”, continuou Verstappen.

Problema de potência de Russell quase muda o resultado

A avaliação de Verstappen também foi confirmada pelo próprio Russell.

Quando a bandeira amarela apareceu após o acidente de Valtteri Bottas, o piloto da Mercedes precisou tirar o pé do acelerador. Ao voltar a acelerar, porém, o sistema de potência do W17 não respondeu imediatamente como esperado. “Quando a bandeira amarela apareceu, tirei o pé e, quando voltei a acelerar, não tinha turbo. Então fiquei sem potência. Max quase me pegou na linha de chegada. Teria sido uma pena, mas, no geral, foi um fim de semana incrível.”, explicou Russell.

A situação transformou os últimos metros da corrida em uma disputa ainda mais emocionante. Verstappen conseguiu reduzir rapidamente a diferença, mas Russell resistiu e cruzou a linha de chegada na frente.

Verstappen acredita que venceria mesmo largando na primeira fila

Apesar de ter perdido a vitória por apenas 0s196, Verstappen também fez uma avaliação importante sobre o que poderia ter acontecido caso não tivesse enfrentado o problema no motor durante a classificação. Na sexta-feira, o piloto havia afirmado que a Red Bull tinha “estragado” sua melhor oportunidade de vitória da temporada ao sofrer com a falha na unidade de potência, que o obrigou a largar em oitavo.

Depois da corrida, porém, Verstappen admitiu que o resultado provavelmente não seria muito diferente mesmo se tivesse começado na primeira fila. “Foi isso que aconteceu ontem. Você tem um problema e precisa largar em P8. Mas acho que, mesmo se tivesse largado em segundo, com o ritmo do George teria sido muito difícil ultrapassá-lo”, reconheceu.

“Talvez eu conseguisse acompanhá-lo um pouco melhor no primeiro trecho, é claro. Mas depois você para nos boxes, está em segundo e provavelmente faríamos a mesma corrida, apenas pressionando um ao outro.”, disse Verstappen. 

A Mercedes apresentou vantagem nos setores mais sinuosos do circuito, enquanto a Red Bull tinha velocidade máxima suficiente para manter Verstappen próximo e permitir ataques nas longas retas.

Verstappen finalmente consegue aproveitar a corrida em 2026

Mais do que o resultado, Verstappen destacou uma sensação que vinha sendo rara para ele na temporada: o prazer de disputar uma corrida até o limite.

O tetracampeão afirmou que os últimos giros em Baku foram particularmente divertidos porque os pneus apresentaram pouco desgaste, permitindo que ele e Russell mantivessem um ritmo muito alto até a bandeirada. “Tenho que dizer que aquelas últimas voltas foram muito divertidas, porque praticamente não havia desgaste. Nós simplesmente estávamos forçando até o fim e a diferença ficava sempre em torno de um segundo ou 1s1. Isso foi legal.”

Verstappen também assumiu riscos durante a perseguição. Ele sabia que a Red Bull tinha uma vantagem importante de velocidade máxima, principalmente quando utilizava o modo de ultrapassagem, enquanto a Mercedes era mais forte na parte sinuosa do circuito, especialmente na região da Cidade Velha de Baku.

Para continuar tendo alguma chance de atacar Russell na longa reta e recuperar a diferença a cada volta, o holandês passou a explorar os limites do carro nas últimas curvas. “Esse último trecho foi divertido. Também beijei alguns muros, mas foi só para deixar minha marca aqui em Baku!”, brincou.

Red Bull mostra força, mas Russell segura a vitória

A disputa em Baku mostrou duas características diferentes dos carros. A Mercedes de Russell conseguia ganhar tempo nas curvas mais técnicas e sinuosas, enquanto a Red Bull de Verstappen tinha velocidade suficiente nas retas para recuperar boa parte da diferença.

Isso obrigou Verstappen a assumir riscos cada vez maiores para permanecer próximo do líder. “É sempre muito desafiador aqui, na classificação e agora no fim da corrida também, simplesmente forçando ao máximo. Isso traz riscos, é claro, porque você fica muito próximo de alguns muros tanto por dentro quanto por fora, mas foi legal.”

No fim, Verstappen ficou com a segunda posição e Russell garantiu uma vitória importante para sua temporada. Embora o resultado oficial tenha mostrado apenas 0s196 separando os dois, o holandês acredita que a margem real durante o trecho decisivo foi próxima de um segundo e que a pequena diferença na bandeirada foi consequência direta do problema de potência enfrentado pela Mercedes nos metros finais.

Mais importante para Verstappen, porém, foi a possibilidade de finalmente disputar uma corrida no limite e aproveitar a batalha pela vitória, algo que, segundo ele próprio, havia acontecido poucas vezes em 2026.

Foto: (Reprodução/Auto Sport)