Michael Carrick, treinador do Manchester United na Premier League
Futebol Premier League

Manchester United volta a decepcionar com um jogador a mais e aumenta pressão sobre Michael Carrick

O Manchester United voltou a desperdiçar uma oportunidade que não poderia perder

O Manchester United conseguiu a vantagem no placar, teve um jogador a mais durante a reta final e, ainda assim, não venceu. O empate por 1 a 1 com o Tottenham, em Old Trafford, no sábado (10), voltou a expor problemas que já vinham aparecendo na temporada e colocou Michael Carrick sob pressão crescente.

Bryan Mbeumo abriu o placar para os donos da casa, mas a expulsão de Rodrigo Bentancur não se transformou na tranquilidade esperada. Mesmo em inferioridade numérica, o Tottenham encontrou forças para buscar o empate nos acréscimos, quando Dominic Solanke superou Lisandro Martínez e finalizou para vencer Senne Lammens.

A reação dos jogadores do United após o gol resumiu a frustração de uma equipe que parecia ter a vitória nas mãos. O problema não foi apenas deixar dois pontos pelo caminho, mas repetir uma dificuldade que já havia custado caro: aproveitar a vantagem numérica para controlar uma partida e garantir o resultado.

Depois de também não conseguir vencer o Manchester City em um cenário semelhante, o United voltou a falhar diante de um adversário com dez jogadores. O resultado aumenta a cobrança sobre Carrick e reforça a sensação de que o time ainda não encontrou uma identidade confiável.

Os números mostram um início que preocupa

O empate deixou o Manchester United com apenas seis pontos nas seis primeiras rodadas da Premier League. É o pior início do clube nesse estágio de uma campanha desde a temporada 1986/87, quando a equipe somou quatro pontos sob o comando de Alex Ferguson.

O desempenho também revela a falta de regularidade. O United venceu apenas uma das seis partidas, com três empates e duas derrotas. Além disso, conquistou somente dois pontos nos últimos dois compromissos, ambos contra equipes que começaram os respectivos jogos na parte inferior da tabela.

A situação é ainda mais incômoda porque o clube está mais próximo da zona de rebaixamento do que das posições de classificação para a Champions League, considerando a pontuação acumulada.

O contexto inevitavelmente lembra temporadas recentes. Erik ten Hag enfrentou forte pressão em outubro de 2024, antes de ser demitido após a derrota para o West Ham. No ano seguinte, resultados ruins e a eliminação para o Grimsby Town na Copa da Liga enfraqueceram o trabalho de Ruben Amorim, que acabou deixando o cargo em janeiro.

Carrick ainda conta com o respaldo público da direção, mas a repetição desses cenários torna cada novo tropeço mais delicado. O treinador precisa apresentar uma reação concreta antes que a pressão deixe de ser apenas uma preocupação externa e comprometa ainda mais a confiança do grupo.

Ter mais jogadores em campo não resolveu o problema

A principal crítica ao United não está restrita ao resultado. Está na maneira como a equipe se comporta durante as partidas, especialmente quando precisa assumir o controle.

O Tottenham percorreu cerca de cinco quilômetros a mais do que o adversário, segundo os dados citados pela BBC. A diferença chama atenção porque os visitantes passaram parte do jogo com 10 jogadores, mas o número, isoladamente, não explica o desempenho. Correr mais não garante uma vitória; a questão é como a intensidade é transformada em pressão, recuperação da bola e ocupação dos espaços.

O ex-jogador Danny Murphy também apontou falta de energia e de controle no meio-campo. Na avaliação do comentarista, o United ofereceu espaços excessivos entre os setores e teve dificuldade para controlar a partida, problemas que poderiam ter sido ainda mais graves diante de um adversário mais eficiente.

Essa é uma preocupação central para Carrick. O time pode até demonstrar vontade, mas continua perdendo disputas importantes e permitindo que os rivais encontrem caminhos para atacar. Sem compactação e coordenação, a superioridade numérica perde parte de seu valor.

O desafio não é simplesmente aumentar o volume de corridas ou pressionar de maneira indiscriminada. É fazer com que o meio-campo consiga proteger a defesa, oferecer linhas de passe e impedir que a equipe se parta quando perde a bola.

A defesa continua falhando nos momentos decisivos

O gol de Solanke foi mais um exemplo de uma fragilidade que vem se repetindo. Lisandro Martínez perdeu o duelo físico com o atacante, enquanto Lammens não conseguiu reagir adequadamente à finalização, que entrou junto à trave.

O lance foi especialmente doloroso porque aconteceu quando o United precisava apenas administrar os minutos finais. Em vez de proteger a área e reduzir os riscos, a equipe permitiu que o Tottenham encontrasse espaço para buscar o empate.

Não foi um caso isolado. Carrick também precisa lidar com o empate sofrido diante do Everton em 6 de setembro, quando a equipe permitiu uma finalização perigosa nos acréscimos, e com o gol contra de Martínez que quase custou pontos contra o Fulham antes da Data Fifa.

Esses episódios indicam que a dificuldade vai além de um erro individual. Falta ao United administrar melhor os momentos decisivos, pressionar quem prepara o cruzamento e defender a área com mais firmeza.

O próprio Carrick reconheceu a necessidade de a equipe ser mais experiente e resistente em determinadas situações. A declaração demonstra consciência do problema, mas a resposta precisa aparecer dentro de campo.

Carrick protege o elenco, mas precisa encontrar respostas

Apesar da frustração, o treinador evitou responsabilizar individualmente os jogadores. Carrick afirmou que não se sentiu decepcionado com o elenco por causa dos erros e reforçou que cabe a ele ajudar os atletas a evoluir.

A postura preserva o ambiente interno, mas não elimina a cobrança por resultados. O próprio técnico admitiu que está insatisfeito com a pontuação e que a equipe precisa mudar de direção rapidamente.

Também existe um componente emocional em Old Trafford. As vaias ao fim dos tempos de jogo e as reações da torcida durante a partida indicam que parte dos torcedores começa a perder a paciência. Matheus Cunha chegou a gesticular em direção às arquibancadas durante o primeiro tempo, embora não esteja claro o que motivou sua reação.

Carrick conhece bem o peso desse ambiente. Sua ligação com o clube torna a situação ainda mais pessoal, mas a identificação com o United não substitui a necessidade de apresentar melhorias.

A confiança dos jogadores também depende da capacidade de perceber que o trabalho está produzindo resultados. Quanto mais partidas terminam com os mesmos erros, mais difícil fica sustentar a crença de que a equipe está no caminho certo.

A sequência de jogos pode definir o rumo do trabalho

O calendário não oferece muito espaço para recuperação. O United volta a campo pela Premier League contra o Leeds, em Elland Road, no dia 18 de outubro, e terá compromissos exigentes contra Atlético de Madrid e Como pela Champions League.

É uma sequência que pode representar uma oportunidade para mudar o ambiente, mas também aumenta o risco de a crise se aprofundar. Para atravessar esse período, Carrick precisa corrigir os problemas mais evidentes sem tentar reconstruir toda a equipe de uma vez.

O primeiro passo é recuperar a organização defensiva e melhorar a ocupação do meio-campo. Depois, o United precisa aprender a transformar situações favoráveis em vitórias, especialmente quando o adversário perde um jogador. São ajustes básicos para uma equipe que pretende disputar as primeiras posições, mas que hoje não consegue sustentar o próprio controle.

O empate com o Tottenham não determina sozinho o futuro de Carrick. No entanto, reforça um padrão que já preocupa: o United cria condições para vencer e termina frustrando sua torcida por não conseguir proteger o resultado.

A direção ainda pode acreditar no treinador, mas o tempo para transformar esse apoio em uma campanha consistente está diminuindo. Em Old Trafford, a cobrança já não é apenas por jogar melhor. É por mostrar que o Manchester United consegue aprender com os próprios erros e voltar a vencer.

Foto: Reprodução/IMAGO