Alexander Volkanovski UFC 325
Lutas UFC

Alexander Volkanovski faz aos 38 anos o que outras lendas do UFC já não conseguiam; relembre alguns casos

Alexander Volkanovski continua no topo do UFC aos 38 anos, uma fase da carreira em que várias lendas do MMA já haviam abandonado a competição ou enfrentavam dificuldades para permanecer entre os melhores do mundo. Ao nocautear Movsar Evloev no segundo round do UFC 333, em 24 de outubro de 2026, o australiano não apenas manteve o cinturão dos penas, mas também estabeleceu um novo recorde de nove vitórias em disputas pelo título da categoria, superando a marca de José Aldo. Em um esporte no qual velocidade, explosão e capacidade de recuperação podem diminuir com o avanço da idade, Volkanovski segue demonstrando que ainda consegue competir em nível de elite.

O feito ganha outra dimensão quando comparado ao momento vivido por outros grandes nomes do UFC na mesma faixa etária. Jon Jones já havia se aposentado, Georges St-Pierre e Khabib Nurmagomedov estavam afastados das competições há anos, enquanto Demetrious Johnson havia encerrado a carreira como campeão no ONE Championship. Anderson Silva, por sua vez, atravessava um período marcado pela perda do cinturão dos médios e por uma grave lesão na perna. Amanda Nunes representa um cenário diferente, pois se prepara para voltar ao octógono aos 38 anos, mas também passou um longo período aposentada.

Volkanovski não é o único atleta a demonstrar longevidade no MMA, mas sua situação chama a atenção porque ele continua defendendo o título contra adversários da nova geração. Depois de sofrer nocautes para Islam Makhachev e Ilia Topuria, o australiano precisou reconstruir sua trajetória, recuperou o cinturão no UFC 314, aos 36 anos, e agora voltou a vencer um desafiante invicto. Sua carreira recente mostra que a idade não precisa representar uma queda imediata de rendimento, embora permanecer no topo exija adaptação, preparação e capacidade de superar os momentos mais difíceis.

Aos 38 anos, Jon Jones já havia encerrado a carreira

A comparação com Jon Jones é especialmente interessante porque os dois construíram trajetórias que os colocaram entre os maiores nomes da história do esporte. Jones conquistou o cinturão dos pesados ao finalizar Ciryl Gane no UFC 285, em março de 2023, e defendeu o título contra Stipe Miocic no UFC 309, em novembro de 2024. Quando completou 38 anos, em julho de 2025, porém, o norte-americano já havia decidido se afastar da competição, sem realizar a unificação dos cinturões contra Tom Aspinall.

Embora tenha explorado a possibilidade de retornar para uma superluta contra Alex Pereira, Jones não voltou a competir no período descrito. Sua trajetória mostra que até um lutador com um currículo extraordinário pode chegar a uma fase em que a motivação, as negociações e as decisões sobre o futuro pesam tanto quanto a capacidade de vencer dentro do octógono.

Volkanovski também enfrentou obstáculos importantes na reta final da carreira, sobretudo depois das derrotas por nocaute para Makhachev e Topuria. A diferença está no caminho escolhido para reagir. Em vez de encerrar a trajetória após os resultados negativos, o australiano voltou à disputa pelo título e recuperou o cinturão. A vitória sobre Evloev reforça que essa retomada não foi apenas uma recuperação pontual, mas uma demonstração de que ele ainda consegue enfrentar adversários invictos e manter o controle da divisão.

A comparação não significa que Jones tenha deixado de ser um grande lutador ou que sua aposentadoria represente uma incapacidade técnica. O norte-americano já havia conquistado praticamente tudo o que poderia desejar no esporte, enquanto Volkanovski permanece motivado a ampliar seu legado. O contraste está no momento de cada carreira: enquanto um se afastou da competição, o outro continua encontrando razões e condições para defender sua posição no topo.

Anderson Silva viveu uma das fases mais difíceis da carreira aos 38 anos

Anderson Silva oferece um contraste ainda mais marcante. Aos 38 anos, o brasileiro já havia perdido o cinturão dos médios para Chris Weidman, em julho de 2013, depois de uma das sequências de domínio mais impressionantes da história do UFC. A revanche, realizada no fim daquele ano, terminou de maneira dramática, quando Silva fraturou a tíbia e a fíbula ao ter um chute baixo bloqueado pelo adversário.

A lesão exigiu cirurgia e um longo processo de recuperação, afastando o brasileiro das competições durante um período importante de sua carreira. Embora tenha retornado posteriormente, Anderson já não vivia a mesma fase de domínio que o havia transformado em referência mundial. Aos 38 anos, portanto, o antigo campeão enfrentava uma combinação de derrota esportiva, recuperação física e incerteza sobre o futuro.

Volkanovski chegou à mesma idade em circunstâncias diferentes. Ele também precisou lidar com derrotas contundentes e com questionamentos sobre sua capacidade de continuar competindo contra os melhores. No entanto, sua resposta foi recuperar o título e estabelecer um novo recorde de vitórias em disputas pelo cinturão dos penas. Em vez de tentar preservar o prestígio de uma antiga fase dominante, o australiano voltou a construir resultados que sustentam sua posição atual.

A comparação precisa considerar que lesões graves não podem ser reduzidas a uma questão de idade, assim como derrotas não significam necessariamente o fim de uma carreira. O caso de Anderson, porém, ajuda a dimensionar o feito de Volkanovski: chegar aos 38 anos ainda como campeão já seria notável, mas defender o título diante de um desafiante invicto torna a conquista ainda mais expressiva.

Georges St-Pierre e Demetrious Johnson escolheram sair do topo

Georges St-Pierre e Demetrious Johnson representam dois caminhos diferentes para atletas que chegaram à fase final da carreira como referências técnicas de suas categorias. GSP já havia se aposentado em 2013, depois de nove defesas consecutivas do cinturão dos meio-médios, mas surpreendeu o mundo ao retornar em 2017 e finalizar Michael Bisping para conquistar o título dos médios. O canadense anunciou sua aposentadoria definitiva em fevereiro de 2019, aos 37 anos, e passou a dedicar mais tempo a outros projetos, atividades físicas e interesses pessoais.

Quando completou 38 anos, St-Pierre já não precisava provar que poderia competir entre os melhores. Sua carreira estava consolidada por conquistas em duas categorias e por uma sequência de resultados que o colocou entre os maiores campeões da história do UFC. A decisão de parar, nesse contexto, não representou uma queda de rendimento necessariamente, mas uma escolha sobre como administrar o legado construído ao longo de anos de competição.

Demetrious Johnson, por sua vez, ainda era campeão dos moscas do ONE Championship quando completou 38 anos, em agosto de 2024. O norte-americano havia deixado o UFC depois de uma trajetória histórica, marcada por 11 defesas consecutivas do cinturão, e continuou competindo em alto nível fora da organização. Um mês depois de completar 38 anos, porém, anunciou sua aposentadoria, encerrando uma carreira reconhecida pela excelência técnica e pela consistência.

Volkanovski compartilha com esses dois campeões a capacidade de permanecer competitivo por muitos anos, mas ainda não escolheu interromper sua trajetória. Enquanto GSP e Johnson encerraram suas carreiras depois de alcançar objetivos que consolidaram seus legados, o australiano continua acrescentando conquistas ao próprio currículo. Seu recorde de nove vitórias em lutas pelo título dos penas demonstra que a história ainda está sendo escrita.

A diferença não deve ser interpretada como uma superioridade automática de Volkanovski sobre os outros dois. A longevidade também envolve saber quando parar, e tanto St-Pierre quanto Johnson deixaram o esporte com currículos excepcionais. O australiano, contudo, oferece um exemplo raro de continuidade competitiva: mesmo aos 38 anos, segue enfrentando a pressão de defender um cinturão em uma divisão repleta de atletas mais jovens.

Khabib Nurmagomedov transformou a aposentadoria em um novo capítulo

Khabib Nurmagomedov completa o contraste entre Volkanovski e os grandes campeões que já deixaram a competição. O russo se aposentou em outubro de 2020, aos 32 anos, depois de finalizar Justin Gaethje no UFC 254. A decisão estava ligada à promessa feita à mãe após a morte de seu pai e treinador, Abdulmanap Nurmagomedov, e encerrou sua carreira profissional com um cartel invicto de 29 vitórias.

Ao completar 38 anos, em setembro de 2026, Khabib já havia passado quase seis anos afastado das lutas profissionais. Sua influência, no entanto, continuou presente no esporte por meio do trabalho como treinador, da participação no desenvolvimento de atletas e de suas atividades empresariais. Islam Makhachev e Umar Nurmagomedov estão entre os nomes associados ao trabalho da equipe que ele ajuda a orientar.

A trajetória do russo mostra que a continuidade de um legado não depende necessariamente da permanência no octógono. Khabib decidiu parar ainda no auge, enquanto Volkanovski segue tentando ampliar suas conquistas dentro da competição. São escolhas diferentes, condicionadas por motivações pessoais e profissionais que não podem ser avaliadas apenas pela idade.

O caso de Khabib também reforça que chegar aos 38 anos sem competir não significa necessariamente perder a capacidade de lutar. O russo encerrou a carreira quando ainda era campeão e não precisou enfrentar uma sequência de derrotas para justificar sua saída. Volkanovski, ao contrário, decidiu continuar depois de sofrer reveses importantes e conseguiu recuperar o espaço que havia perdido.

Amanda Nunes mostra que ainda é possível voltar ao topo aos 38 anos

Amanda Nunes é um exemplo particularmente relevante porque, assim como Volkanovski, também construiu um legado como campeã de duas categorias do UFC. A brasileira se aposentou em junho de 2023, depois de derrotar Irene Aldana e deixar o esporte como campeã dos galos. Naquele momento, parecia ter encerrado definitivamente uma carreira marcada por vitórias sobre algumas das maiores lutadoras da história do MMA.

Aos 38 anos, porém, Nunes se prepara para retornar ao octógono contra Kayla Harrison no UFC 334, em uma disputa pelo cinturão dos galos. A luta representa uma oportunidade de acrescentar um novo capítulo a uma trajetória já consolidada, embora a ausência prolongada de competições torne impossível prever com segurança como será seu desempenho no retorno.

A situação da brasileira evidencia uma distinção importante: continuar competindo aos 38 anos e voltar a lutar depois de anos de aposentadoria são desafios diferentes. Volkanovski mantém o ritmo competitivo por meio de defesas de cinturão, enquanto Nunes precisa recuperar a rotina de preparação para uma disputa de alto nível após um longo afastamento.

Se a brasileira conseguir conquistar o título novamente, terá demonstrado que também é possível alcançar grandes resultados nessa fase da carreira. Por enquanto, porém, Volkanovski já transformou a longevidade em resultados concretos, com a retomada do cinturão e a defesa bem-sucedida diante de Evloev.

Dominick Cruz e o preço de continuar competindo

Dominick Cruz representa outra realidade comum entre atletas veteranos: a dificuldade de manter a carreira ativa diante de lesões recorrentes. O ex-campeão dos galos passou boa parte de sua trajetória convivendo com problemas físicos e teve sua última luta em agosto de 2022, quando foi nocauteado por Marlon Vera. Depois de sofrer duas luxações graves no ombro em um intervalo de oito meses, decidiu se aposentar em fevereiro de 2025, aos 39 anos.

Cruz havia planejado enfrentar Rob Font em Seattle, mas precisou abandonar o compromisso em razão dos problemas físicos. A decisão de encerrar a carreira também levou em consideração a necessidade de preservar sua qualidade de vida, em vez de insistir em um retorno que poderia agravar as lesões. Desde então, continuou ligado ao MMA como comentarista e analista.

O caso ajuda a compreender que a longevidade esportiva não depende apenas da vontade de competir. O corpo precisa responder às exigências dos treinamentos e das lutas, e a capacidade de recuperação pode se tornar um fator decisivo com o passar dos anos. Para alguns atletas, a melhor maneira de preservar o legado é abandonar a competição antes que os problemas físicos comprometam ainda mais o futuro.

Volkanovski também precisa administrar os efeitos de uma carreira longa, especialmente depois dos nocautes sofridos nos últimos anos. A diferença é que, neste momento, ele continua apresentando resultados suficientes para permanecer no topo. A vitória sobre Evloev não elimina os riscos associados à idade nem garante que o australiano manterá esse nível indefinidamente, mas demonstra que ele ainda possui condições de competir entre os melhores.

Volkanovski transforma a longevidade em uma nova etapa do legado

Aos 38 anos, Alexander Volkanovski ocupa uma posição que poucos lutadores conseguem alcançar nessa fase da carreira: a de campeão ativo que continua defendendo o título contra adversários da nova geração. Enquanto Jones, St-Pierre, Johnson e Khabib já haviam encerrado suas trajetórias competitivas, Anderson Silva enfrentava as consequências de uma lesão grave e Dominick Cruz lidava com problemas físicos recorrentes, o australiano conquistou mais uma vitória importante e ampliou seu recorde na divisão dos penas.

O feito não significa que Volkanovski seja necessariamente superior a todos esses nomes, pois cada um construiu seu legado em circunstâncias distintas e tomou decisões diferentes sobre a própria carreira. A comparação, porém, evidencia o caráter incomum de sua fase atual. O australiano não está apenas permanecendo ativo, mas continua vencendo em disputas de cinturão e demonstrando capacidade para se adaptar aos desafios de uma categoria em constante renovação.

Sua retomada também torna a história mais relevante. Depois de duas derrotas por nocaute, havia dúvidas sobre a possibilidade de voltar ao nível que o consagrou como um dos maiores pesos-penas da história. A conquista do cinturão no UFC 314 e a defesa contra Evloev mudaram o cenário, mostrando que a trajetória de um campeão não precisa terminar imediatamente depois de uma sequência negativa.

O próximo desafio será sustentar esse desempenho diante de novos adversários, sem ignorar os limites físicos que acompanham qualquer atleta veterano. A idade não determina sozinha o momento da aposentadoria, mas exige decisões cada vez mais cuidadosas sobre preparação, recuperação e continuidade competitiva.

Por enquanto, Volkanovski tem um argumento que poucos lutadores podem apresentar aos 38 anos: continua no topo, continua vencendo e acaba de estabelecer uma marca histórica em sua divisão. Enquanto outras lendas encontraram na aposentadoria o caminho para preservar o legado ou seguir novas atividades, o australiano permanece no octógono, transformando a experiência acumulada em mais um capítulo de uma carreira que ainda não terminou.